sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE

Hoje, dia 31 de outubro de 2008, comemoramos o aniverário de 491 anos do início da Reforma Protestante, quando Martinho Lutero (1483-1546) fixa suas 95 Teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Uma data importantíssima para todos nós, cristãos evangélicos, mas que, infelizmente, muitas vezes não é nem se quer lembrada em nossas igrejas. Todo cristão que firma sua fé unicamente na Bíblia, a inerrante Palavra de Deus, sem recorrer a intermediários e nem a tradições humanas para controlar sua vida e sua conduta cristã, deveria saber que foi o reformador Martinho Lutero quem primeiro formulou esta doutrina fundamental da nossa fé, a qual chamou de "Sola Scriptura", ou seja, somente as Escrtituras. Sabemos que nenhum homem é perfeito, apenas Cristo é o nosso modelo de perfeição e, portanto, nossos olhos tem que estar fixos em Cristo Jesus, que é o "Autor e Consumador da nossa Fé" (Hebreus 12:2).
.
Entretanto, o próprio Lutero jamais desejou fundar uma nova religião, denominada protestante ou evangélica, mas o desenrolar dos fatos históricos que sucederam às 95 Teses, sua recusa em retratar-se diante do Papa, sua desaprovação às Indulgências romanistas e sua total e irrestrita submissão às Escrituras (às quais inclusive ele traduziu para o alemão), acabaram por causar a separação definitiva com a Igreja de Roma, e diante do Tribunal Eclesiático, a Dieta de Worms, em 1521, ele declarou: "A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém!" Sua coragem e determinação, bem como seu amor à Igreja de Cristo, foram bem retratados no filme "Lutero". Postaremos a seguir dois artigos muito interessantes, o primeiro retirado do site da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, e o segundo retirado da página da Universidade Cristã Livre. Que possamos trazer à memória este grande momento da Igreja de Cristo, que foi a Reforma, e que possamos refletir se neste momento em que vivemos não precisamos também retornar a estes princípios da nossa Fé.
.

Fé e Liberdade
Pr. Guilherme Lieven¹

A Reforma do século XVI, liderada por Martinho Lutero, foi um poderoso movimento de luta pela liberdade. Lutero promoveu um movimento de renovação da igreja cristã, que atingiu a vida de pessoas e de comunidades. Já em 1520 afirmou enfaticamente que "um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém - pela fé. O cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor." A fé e a graça de Deus libertam todos e todas da lei (para ser salvo deve fazer isso, deve fazer aquilo...), do pecado e da morte. Colocam todas as pessoas no mesmo nível; todos são dependentes da graça de Deus (Romanos 8). A Reforma influenciou e criou novas experiências com Deus; relativizou doutrinas e poderes eclesiásticos; e codificou teologias novas para legitimarem espiritualidades que religam a pessoa humana diretamente com Deus, tornando-a livre para participar da criação de nova vida.

Novamente é tempo de perguntar pela importância da Reforma e pela sua contribuição para as cristãs e cristãos, como movimento histórico vivo e presente nos dias de hoje. Afinal, nossa sociedade está fortemente marcada pelo conhecimento, pela automação, pela informação. Trata-se de uma nova etapa da história humana. Cresce uma consciência planetária coletiva que muda padrões de comportamento, as relações com o outro e com a natureza, que transforma os valores da subjetividade e de outras dimensões da vida humana. Neste novo momento histórico, nesta nova etapa da vida humana, somos desafiadas e desafiados a indagarem pela liberdade. Há liberdade entre nós? Os cristãos vivem como corpo vivo de Cristo, livre e atuante nesta nova etapa histórica? O pluralismo doutrinário das igrejas cristãs, marcado pelo legalismo e pelo fundamentalismo, as novas propostas espirituais e comunitárias, permitem a influência da Reforma e sua busca por liberdade?
.
Em meio a estas e outras perguntas, ávidos por respostas convincentes e completas, proponho um pequeno desvio para duas passagens bíblicas em que Jesus é o protagonista. Primeiro, aquele relato de João 8.31ss. Jesus afirma aos que acreditaram nele: "Se vocês obedecerem às minhas palavras, serão de fato meus seguidores e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará." Os que cercavam Jesus responderam: "Nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que seremos livres?" O diálogo de Jesus continua. Mas, quero extrair da passagem o fato de Jesus propor a liberdade para pessoas que não tinham a consciência de escravos; entendiam-se como livres. Creio ser este o grande desafio da Igreja de Jesus Cristo, em nossos dias; qual seja: como anunciar a liberdade para quem vive a ilusão de ser livre? A procura das pessoas por Deus não privilegia o todo da sua dimensão humana como criatura de Deus e não pressupõe o seu estado de escravidão. Mas, tem a característica de uma procura para resolver problemas individuais, pessoais e casuísticos; fazendo de Jesus um mestre fundamentalista, moralista e legalista, um curandeiro barato; e do Espírito Santo um poder que sopra e batiza só onde alguns querem e preferem, um terapeuta e massagista das dores espirituais e outras da dimensão subjetiva da pessoa humana. O propósito, o alvo, então, passa a ser o prazer "espiritual", satisfação individual, ganhos econômicos e materiais, privilégios pessoais e coletivos, em detrimento a escravidão dominadora e nefasta não admitida , assumida e denunciada.
.
A segunda passagem bíblica que contribui para as respostas que buscamos, é aquela em que Jesus cercado por uma grande multidão, mesmo cansado, continua sua atuação libertadora. Ali Ele percebeu que aquelas pessoas, além de famintas, "pareciam ovelhas sem pastor" (Marcos 6.30ss.). Destaco a percepção de Jesus. Como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo somos desafiados e desafiadas a admitirem que a massa humana, as multidões famintas e escravas, vivem como ovelhas sem pastor. Mesmo reconstruindo valores e padrões de comportamento, mesmo com todas as informações, tecnologia e conhecimento estão sem rumo e caminho, sem a verdade e liberdade, sem vida.
.
Corremos um grande risco nesta nova etapa histórica que sofremos e vivemos: a possibilidade de fazermos grandes e bonitas experiências espirituais, de reabilitarmos a cultura religiosa, de redescobrirmos a importância do espírito humano, de reunirmos grandes multidões maquiadas por discursos bíblicos e teológicos, porém vazios do conteúdo da fé no Cristo de Deus, longe do Jesus Cristo da cruz e da ressurreição; afastados do Deus de amor que morreu e ressuscitou para vencer a nossa escravidão e doar a liberdade, transformando os que crêem em vidas novas que participam da criação de nova vida.
.
As pessoas, o povo, a igreja, toda a humanidade, necessitam de liberdade e fé. Graças a Deus a Reforma luterana canta neste tom da liberdade, com a harmonia da fé no Cristo da Cruz e da ressurreição, o Cristo de Deus.


Trago-vos à memória os 491 anos de Reforma Protestante
Rev. Ashbell Simonton Rédua²
.
Nosso olhar se volta ao passado, contemplando o presente, num análise histórico que marcou a vida do povo de Deus, da Igreja Cristã, e sobretudo não somente de todos que tem sua raiz nos princípios da Reforma Protestante do século XVI, mas de toda a humanidade.
.
A Reforma Protestante desencadeada pela divulgação das 95 teses de Lutero em 31 de outubro de 1517, que sobretudo restaurou a vida eclesiástica e espiritual da igreja. Renasceram assim cinco princípios fundamentais da Reforma Protestante: a Sola Scriptura, que defendia uma igreja centrada nas Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus, a Sola Gratia reconhecia a salvação e vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide evocava a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus anunciava que o próprio Cristo estava construindo Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor e a Soli Deo Gloria enfatizava que a finalidade maior da Igreja era glorificar a Deus.
.
A Reforma, já fora dos limites da Alemanha, estava produzindo considerável alteração no modo de vida do povo em outras regiões da Europa. Deixou de ser um movimento de conotação simplesmente anti-papal, para tornar-se um dos maiores avivamentos religiosos da História da Igreja. Surgiram logo depois, muitos outros movimentos reformistas, paralelos, destacando-se precisamente na Suíça, França, Escócia e Inglaterra. É neste contexto que nasce e cresce aquele que seria o teólogo mais influente ao protestantismo pós-Lutero, João Calvino.
.
Quando Lutero afixou as 95 Teses na Basília de Wittenberg, João Calvino estava apenas com 9 anos, 26 anos mais jovem do que Lutero. Calvino começou a escrever a primeira edição das Institutas da Religião Cristã, em 1535, com a idade de 27 anos, sua intenção era de servir grandemente aos interesses protestantes, mas sua influência deve ter excedido em muito a sua expectativa. Provou ser o teólogo mais influente da Reforma Protestante. Os protestantes de outros países, viram em Calvino, e em sua obra, um pilar de grande força para a obra iniciada.
.
O luteranismo teve repercussão mais nacional, sendo também instrumentalizado por príncipes e reis. Já o calvinismo penetrando de modo eficaz em muitas regiões e mesmo suplantando o luteranismo. Penetrou na Suíça, em parte da França, nos Países Baixos, na Europa Central, sob a forma de presbiterianismo, por obra do reformador João Knox, em 1560.
.
Calvino, moralizou a vida da Igreja, reavivando os sacramentos, admitindo somente os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor. Na Ceia, Calvino afirma a transignificação, isto é nela o fiel comunga, é Cristo o alimento espiritual real. O Pão não é o Corpo do Senhor, nem o vinho é o Sangue do Senhor, mas significa Sua presença, "alimento celeste" para os predestinados e somente "pão e vinho" para os condenados.
.
O culto reformado (princípio do culto regulador) calvinista está centralizado na Palavra anunciada no Espírito. O homem deve evitar ao máximo qualquer sentimento que o distraia da presença gloriosa do Senhor: flores, esculturas, pinturas, instrumentos musicais. A voz humana é o instrumento suficiente e a Bíblia o livro necessário. Calvino deixou muito bem claro, que quando nos reunimos no nome de Cristo para adora-Lo, não estamos ali para nos entretermos ou divertir os espectadores, mas para que haja proveito espiritual. Para Calvino, quando não há doutrina, também não há edificação e que, se quisermos de fato honrarmos os ensinos de Cristo, devemos conhecer o conteúdo de tudo o que é usado na liturgia, saber o que significa e qual a sua finalidade, para que o seu uso seja justificado e salutar.
.
Ponto central em Calvino é a glória de Deus. A grande pergunta de Lutero era: "Como podemos encontrar um Deus misericordioso?", e a de Calvino: "Como se chega ao domínio de Deus sobre a humanidade?". A criação somente tem sentido para a glória de Deus. Se Lutero nos consola dizendo que em Cristo crucificado temos a paz dos salvos, Calvino fala da certeza total da salvação dos predestinados e prega cumprimento dos propósitos Deus na criação.
.
Calvino sempre fundamentou a liturgia do culto baseada em três elementos principais: a pregação da Palavra, a Oração e a administração dos Sacramentos. Calvino citando o teólogo Agostinho, dizendo que devemos ter grande cuidado para não usar, no culto, músicas que sejam levianas ou frívolas. Em vez de usar cânticos vãos e prejudiciais, ele sugere que os cristãos se acostumem a usar os Salmos, de músicas mais sóbrias, e a serem moderados, usando músicas que tenham peso e majestade, próprios para a igreja do Senhor Jesus Cristo.
.
Neste movimento de olharmos para o passado podemos reavivar novamente os desafios presentes emanados da Reforma: a Sola Scriptura, nos desafia a vivermos a vida cristã centrada nas Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus; a Sola Gratia nos desafia a reconhecer a salvação e a vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide nos desafia a evocar a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus nos desafia a anunciava que o próprio Cristo esta construindo a Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor; e a Soli Deo Gloria desafiarmos a buscarmos enfatizandio que a finalidade maior da Igreja é glorificar a Deus. .

sábado, 12 de julho de 2008

HOJE É A CHEGADA DA ANGÉLICA!

"Um novo tempo vai nascer e o que era então nunca será mais como
antes, um novo tempo que trará aos corações nova canção que
cantaremos todos (...)" ("Um Novo Tempo" - Catedral)
.
Até bem pouco tempo atrás eu tinha uma Agenda... Mas uma Agenda que não me servia exatamente como Agenda, isto é, para anotações de compromissos futuros, mas sim como Diário, como um registrar constante em suas páginas do que já havia acontecido. Acho que ainda possuo as anotações do que aconteceu em minha vida até uns cinco ou seis anos atrás: os tempos de faculdade, o namoro que não vingou, o primeiro emprego, os amigos... Desde então não tenho mais o costume de escrever em tais diários, até mesmo devido ao pouco tempo que me restou com o passar dos anos, com o amadurecimento pessoal, com os compromissos acadêmicos, profissionais, "igrejais", etc., deixei de lado este hobby, que eu gostava muito, que era o de escrever, ao final de cada dia, o resumo dos principais acontecimentos do dia: com quem tinha falado, onde tinha ido, o que tinha estudado, o que tinha ensaiado na igreja... Pequenos grandes detalhes de uma existência. Pois bem. Ainda que, vez ou outra, não fosse possível escrever todos os dias antes de deitar-me em meu leito, mesmo assim, com algum esforço no final da semana ou até mesmo do mês a gente atualizava a Agenda-Diário para então voltar a atrasar alguns dias... Hehehe... Desencargo de consciência? Talvez...
.
Fato é que hoje estou aqui, para deixar registrado em meu "Diário virtual", isto é, no meu blog, um dos principais acontecimentos da minha existência: o nascimento da minha filha Angélica. Para os meus leitores que me acompanham há algum tempo, posso dizer que vocês foram testemunhas de algumas coisas que aconteceram na minha vida, e puderam ler aqui algumas destas minhas confidências: coisas do dia-a-dia, decisões sem tanta importância e profundos sentimentos da alma deste blogueiro; mas também decisões importantes, acertadas, que mudaram o rumo da minha jornada aqui, coisas que nos mostraram porque fui inspirado a nomear esta página com o versículo de Romanos 11:29, na Nova Tradução na Linguagem de Hoje: "Porque Deus não muda de idéia a respeito de quem Ele escolhe e abençoa", pois Ele é o Abençoador e o Vocacionador por excelência! Por isso, achei imprescindível detalhar aqui este dia tão especial na minha vida, até porque eu não poderia esquecer jamais, mais como "palavras não se perdem, muito menos as que estão escritas", preferi postar aqui estas minhas memórias. Memórias do dia em que tornei-me papai pela primeira vez...
.
Sábado. 12 de julho de 2008. Este foi o dia escolhido para a chegada da nossa princesinha, pois esta data foi, na verdade, a que coube na agenda do médico ginecologista-obstetra da minha esposa Michele, para efetuar os procedimentos cirúrgicos do parto, que foi uma cesária. O local indicado pelo médico foi o Centro Materno-Infantil "Regina Pacis", pois o mesmo conta com uma das melhores, senão a melhor estrutura de internação e equipamentos desta nossa capital, contando, inclusive, com a única U.T.I. neonatal particular do Estado, que graças a Deus não precisamos, pois nossa filha nasceu forte e saudável!
.
Pois bem. Como diz a letra da canção que postarei logo em seguida, aquela manhã de Julho amanheceu de maneira totalmente diferente: acho que tudo, o sol, o ar, os sons de pássaros e o vento gélido típico das manhãs já anunciavam que aquele seria um dia especial. Nem preciso dizer que não durmimos bem naquela noite. A Michele acordou por volta das 4 horas da madrugada, ansiosa. Eu, às 5 horas. Nos abraçamos ali mesmo, em nossa cama, esperando o tempo passar para irmos ao hospital: 7 horas da manhã era a hora marcada. As malas da mãe e da filha já estavam prontas desde a véspera, porém naqueles minutos que antecediam a nossa saída fizemos um check-up, o que não impediu de esquecer alguns itens importantes, devido à ansiedade que nos dominava. Entramos no maior site de relacionamentos do mundo (Orkut), e ao acessar as atualizações dos nossos contatos, lá estava o vídeo da música que acabaria por se tornar o tema da chegada da nossa amada filha. Nos Vídeos Favoritos da nossa amada Pastora Ruthlene Cardoso, em que ela acabara de postar o vídeo-clipe da canção "Minha filha, minha flor", do cantor gospel PG, ao qual avidamente assistimos por umas três vezes seguidas! Choramos bastante ao meditar na letra e nas imagens da filhinha do cantor, imaginando como seria o rostinho da nossa primogênita que conheceríamos dali a alguns instantes... Nos quebrantamos ali mesmo, naquele momento único na presença do Senhor, agradecendo por Sua bênção a nós concedida, e pedindo a Ele que protegesse a minha esposa e a minha filha no momento do nascimento, que Ele usasse a equipe médica e guiasse suas mãos para que tudo corresse bem naquele procedimento cirúrgico. Nos abraçamos e sentimos de maneira real e intensa, ali, no nosso quarto, a presença do único Deus vivo e verdadeiro, entregando a Ele o controle de tudo a partir daquele momento!
.
Nos momentos que se seguiram, a minha sogra juntamente com seu esposo chegaram, para que eu tomasse o meu café (minha esposa não podia, obviamente) juntamente com eles, e em seguida nos dirigimos à Clínica. Chegando lá por volta das 7:15 hs, demos entrada na recepção e nos dirigimos ao apartamento 105, onde minha esposa ficaria internada até que pudesse retornar ao nosso lar com nossa amada filha nos braços. Nos momentos seguintes minha irmã Suélen chegou para esperar o grande momento. Enquanto isso, a Michele tomou novamente um banho e vestiu a roupa do hospital, e nós tiramos algumas fotos para registrar tudo desde o momento em que saímos de casa. Bem, todos sempre me perguntam se eu assisti ao parto. Não! Eu não teria esta coragem, tenham certeza que não! Mas, além disso, não deixaram nenhum de nós assistir ao momento do nascimento da Angélica, pois alegaram que já tiveram vários problemas devido a pais ou acompanhantes descontrolados na sala de parto. Disseram que só poderia entrar na sala as pessoas que fossem da área da Saúde. Minha irmã, na esperteza, disse que era psicóloga (digo, na esperteza, porque ainda não pegou o canudo, estaria dentro de alguns dias apresentando o Trabalho de Conclusão de Curso), mas nem assim permitiram sua entrada e muito menos da minha sogra... Eu mesmo não fazia questão de entrar, porém também não desejava que a Michele ficasse sozinha lá... De qualquer forma, uma pessoa da equipe médica se dispôs a tirar fotos do momento do parto. Pelo menos isso, ?
.
Bem, enquanto aguardávamos nós quatro, foi-nos perguntado se desejávamos que fosse furado a sua orelhinha já em seguida, ao que prontamente aceitamos. Então, a Suélen e o esposo da minha sogra foram n'algum lugar ali próximo comprar o primeiro par de brincos da Angélica, e ali permanecemos na espera, eu e a minha sogra. Então aconteceu. Conforme soubemos depois, às 8:36 hs nasceu a minha princesinha, com 49 centímetros e pesando 3,5 kg, que alguns minutos depois, na saída da sala de parto, sendo levada pela enfermeira que vestiu sua primeira roupinha, e em seguida levou-a ao apartamento. Chegando lá, pela primeira vez eu a segurei nos braços, meio desajeitadamente; meio não, totalmente! Alguns momentos depois, a enfermeira a pôs em seu bercinho e minha irmã chegou para registrar aquele momento de felicidade plena num vídeo, que posteriormente postamos no YouTube. Depois nossa mamãe mais fresquinha foi trazida ao apartamento, e nós precisamos acalmar um pouco os ânimos, e dar atenção à Michele, que praticamente dormia. Algum tempo depois ela acordou e pediu (através de gestos, pois ainda não podia falar) para ver a nossa filha, e lhe mostramos as fotos que tiramos. Durante aquele mesmo dia recebemos algumas visitas, de pessoas que foram conhecer a princesinha, e tudo foi devidamente registrado através destas fotos.
.
Ainda passaríamos mais umas 24 horas no Hospital, mas graças a Deus não foi preciso mais do que isso, e já no dia seguinte, por volta das 10 horas da manhã, já retornamos à nossa casa com a pequena Angélica nos braços. Encontramos alguns amigos à nossa espera, e por aí festejamos mais um pouco a chegada desta que passou a ser o motivo de termos muito mais alegria e satisfação! Graças a Deus que nos presenteou com esta linda garotinha, perfeita de saúde e que foi gerada por Deus de um casal que se ama e O teme, e que nasceu no seio de uma família amorosa e festeira, com pais, avós, tios, primas e muitos amigos e irmãos em Cristo que a amam muito! E que será criada nos caminhos do Senhor, conforme nos ensina a Palavra de Deus em Provérbios 22:6: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando envelhecer não se desviará dele." Que o Papai do Céu nos ajude e nos capacite a cada dia a cumprir esta nobre Missão! Amém!
.
Minha filha, Minha Flor
C o m p o s i ç ã o : .P G
(Adaptado por: André Neves)
.
Assim como mudam as estações, se acaba o frio de um inverno
E se espalham pela vida flores de uma primavera
Doze de Julho foi assim, o sol pela manhã anunciava,
A Angélica trouxe o perfume que me faltava...
.
Filha, menina escolhida por Deus!
Pra fazer sorrir a nossa vida
Com você os meus dias serão primavera
A flor mais bela que Deus plantou em meu jardim!
.
Filha, menina escolhida por Deus!
Pra fazer sorrir a nossa vida
Com você os meus dias serão primavera
A flor mais bela...
.
Tão bela quanto as rosas, preciosa como um lírio dos vales,
Seu nome é forte como a flor que resiste ao deserto
Seu sorriso em minha memória,
Estará sempre guardado!
Tão bela, preciosa, filha amada do Pai, bela, tão bela
Seu nascer transformou a minha história!
.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

BENNY HINN E A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE...

Amados, enquanto eu empregava toda a diligência para escrever-vos acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos.” (Judas 3)
.
Recentemente, eu estive navegando nas páginas do Orkut, o maior site de relacionamentos da rede mundial de computadores, e encontrei uma Comunidade que se propõe a discutir a respeito do famoso (e controvertido) pregador Benny Hinn, e fui motivado a participar da discussão em um de seus tópicos. Senti-me motivado a transcrever a resposta que postei por lá, aqui no blog (com pequenas alterações), pois creio que este canal de comunicação que o Senhor entregou nas minhas mãos também pode e deve ser usado como uma voz apologética. Que Deus se digne de usar as palavras seguintes para trazer luz aos corações confusos e desalentados pelos falsos ensinos deste homem! Assim seja!


BENNY HINN É UM FALSO PROFETA!
Bom, pessoal, quero deixar aqui a minha opinião quanto ao questionamento que dá título a este tópico. Posso sem dúvida alguma expressar a minha opinião de que Benny Hinn é, sim, um falso profeta, levando-se em conta o padrão bíblico, e tenho algumas coisas a expressar a respeito disso.
Quando nós, cristãos protestantes, pentecostais, somos perguntados acerca de alguns pseudo-profetas que fundaram algumas das seitas que nós conhecemos hoje, tais como a dos Adventistas do Sétimo Dia (Ellen G. White), os Santos dos Últimos Dias, mais conhecidos como os Mórmons (Joseph Smith), ou as Testemunhas de Jeová (Charles Taze Russell), entre outros, se estes seriam falsos profetas ou não, a maioria de nós não tem qualquer problema em afirmar que SIM! Entretanto, quando se trata dos "profetas da casa", isto é, daqueles que se levantaram em nosso meio, ou que se declaram "pentecostais" como nós (ou que pregam alguns pontos em comum com o Pentecostalismo), agimos de forma diferente, e damos um monte de desculpas tais como as que foram apresentadas neste debate (tais como "Não devemos julgar" e "Não toqueis em Meus ungidos")...
.
Mas por que isto? Ora, a Bíblia nos ensina que não devemos usar "
dois pesos e duas medidas" (Provérbios 20:10), então me respondam o seguinte: Se
Ellen G. White é uma falsa profetisa, por ter proferido falsas profecias e ensinado falsas doutrinas, doutrinas estas que ferem frontalmente a Palavra de Deus, por que Benny Hinn não pode ser considerado falso profeta, se ele fez e faz o mesmo? Por que isto? Só por causa da filiação religiosa do profeta em questão?
.
O que faz de alguém um falso profeta não é a que denominação religiosa ele pertence, mas suas obras (livros, programas de TV, profecias, etc) e o conteúdo de suas pregações, pois como a Palavra de Deus nos ensina, haveria grande apostasia no final dos tempos! E por isso devemos, sim, estar atentos!
.
Assim como os crentes bereanos (Atos 17:10,11)! Se o apóstolo Paulo foi provado, juntamente com Silas, tiveram que passar pelo crivo do exame minucioso das Escrituras Sagradas, porque não Benny Hinn?
.
FALSO PROFETA, SIM!
Bem, o que
Benny Hinn tem ensinado aos seus ouvintes? Fazendo um apanhado geral de toda a sua obra, vemos que ele tem se destacado como um dos principais expoentes da chamada "
Teologia da Prosperidade", que prega entre outras coisas: que o crente não pode ficar doente (e se ficar, isto se resume ao fato de que não teve fé suficiente para “tomar posse” da sua plena saúde, ou que pode estar vivendo em algum pecado oculto); que o crente tem que ser muito rico, isto é, ser próspero, aqui e agora (chegando as vias de fato de afirmar que Cristo enquanto esteve neste mundo viveu uma vida de riquezas e ostentação, sem qualquer respaldo bíblico); que nós temos o direito de "exigir" de Deus os nossos "direitos", que são a cura de todas as enfermidades, físicas e emocionais, a prosperidade financeira (o Evangelho do Capitalismo!), a viver como um "super-crente". Seus "cultos" são um verdadeiro espetáculo de "demonstrações de poder" que somente exaltam o Homem (que é visto como aquele que tem a "Unção", e é dele que a "Unção" vem sobre as pessoas, quando este impõe suas mãos, ou lançam sobre eles seus pertences pessoais), coisas que fogem do que a Bíblia ensina!
.
Não temos o direito de exigir nada de Deus, e como homens mortais que somos, temos que pedir-lhe o que nos é necessário com humildade e sinceridade, como o nosso Senhor Jesus nos ensinou, na Oração do "Pai Nosso"! Não como Benny Hinn e os "profetas da prosperidade" ensinam, exigindo que Ele nos cure, nos traga dinheiro, poder, fama ou privilégios especiais!
.
Enfim, temos que estar atentos, sim, a estes ensinamentos, e rejeitá-los, em nome de Jesus! E quanto aos que assim dizem: "Mas eu li o livro 'Bom Dia, Espírito Santo', ou o 'Bem-Vindo, Espírito Santo', e eles não contém estas heresias, este livro me abençoou, me edificou!", tenho a dizer-lhes o seguinte: a maioria dos seus admiradores apenas conhece estes dois livros, que são seus livros mais divulgados aqui no Brasil, porém, eles não representam nem 10% da obra do Benny Hinn, e para conhecer melhor esta sua obra, é necessário conhecer seus outros livros (alguns ainda não traduzidos para o português) e o conteúdo de suas declarações nos programas de televisão nos EUA (amplamente documentados na obra "Cristianismo em Crise", da Casa Publicadora das Assembléias de Deus), e de suas pregações nas Cruzadas ao redor do mundo!
.
E parte deste material que mencionei anteriormente, já foi
divulgado aqui neste tópico, e tem muito mais na Internet, quem desejar pode pesquisar a respeito, não existe nenhuma desculpa para permanecer na ignorância dos fatos.
.
COM CERTEZA, BENNY HINN É UM DOS FALSOS PROFETAS!
Em relação aos livros que mencionei, os dois mais conhecidos do autor, deixem-me fazer a seguinte comparação: Se você algum leitor menos atento pegar alguns livros de Ellen G. White (a profetisa do Adventismo do Sétimo Dia), tais como "Caminho ao Redentor", "O Desejado de Todas as Nações", "A Ciência do Bem-Viver", etc. certamente que quase não encontrará heresias neles. Alguns destes livros até podem ser confundidos com "livros evangélicos" de um escritor qualquer, pois o conteúdo de suas mensagens é mais devocional que teológico propriamente dito. O mesmo ocorre com "Bom Dia, Espírito Santo" e "Bem-Vindo, Espírito Santo"! São leituras devocionais, e não dogmáticas, que tratam sobre as supostas experiências do autor com a Terceira Pessoa da Trindade, porém os erros letais do ministério de Benny Hinn não se encontra nestes livros, e sim em outras de suas obras!
.
Porém, desejo acrescentar ainda mais algo: o que me perturba nestas duas obras é que você passa a querer ter "exatamente" o mesmo tipo de experiências que o autor afirma que teve; lembro-me bem que quando li o "Bom Dia, Espírito Santo" há uns dez ou quinze anos atrás, eu passei a querer fazer exatamente o que o autor sugere: ao levantar de manhã, dizer "bom dia, Espírito Santo"! Só que isto é uma coisa entre ele e Deus, não fazia parte da minha intimidade com Deus, já que eu já estava acostumado a orar todas as manhãs, de uma forma, digamos, mais convencional... Será que Deus me ouvia menos, ou me abençoava menos, porque eu não dizia as "palavrinhas mágicas"? Tenho certeza de que se tornou exatamente isso, para muita gente que leu o livro na época (e mesmo hoje em dia), e ele nem era conhecido aqui no Brasil! Mas este seu primeiro livro foi muito "impactante" mesmo (sem ironia!) para sua popularização por aqui, em terras tupiniquins!
.
BENNY HINN É UM PROFETA DO PSEUDO-AVIVAMENTO!
Para finalizar estes meus breves comentários, deixo uma palavra aos admiradores de Benny Hinn, e também aos seus críticos. A Bíblia nos ensina: “Julgai todas as coisas e retende o que é bom” (I Tessalonicenses 5:21).
.
Vi algumas atitudes de vários irmãos aqui neste tópico que muito me entristeceram, um chegou a pedir que ele fosse apagado e trocado por outro que só falasse bem de Benny Hinn (vê se pode!), como se aos contrários fosse negado o direito de opinar! Isto é ou não um Fórum de debates? Me entristece é saber que boa parte dos cristãos tem receio de debaterem, de terem questionadas as suas "verdades", de terem que até mesmo reconhecer que estavam enganados, e para isto, muitos preferem não tomar conhecimento de questões que envolvem aquela determinada situação, usando (e abusando) de textos bíblicos (fora de seus contextos evidentemente), que se tornam pretextos para não pensar, não permitir que suas opiniões a respeito de Benny Hinn ou de qualquer outra coisa possam mudar, como se estas coisas fossem essenciais à sua salvação e à de outros. Desde quando concordar com Benny Hinn é pré-requisito para ser salvo, gente? A que ponto chegamos!!! Outros chegam a lançar maldições (!) em seus opositores ideológicos, tal como o próprio Benny Hinn já o fez, dizendo que ficarão enfermos, ou que parentes seus morrerão! Irmãos, desde quando o crente está autorizado a amaldiçoar os outros? Tiago 3:10 diz que "da mesma boca procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos, que se faça assim." Preciso dizer algo mais a respeito disso?
.
Infelizmente, o quadro é este! O ministério de Benny Hinn tem sido um catalisador de grandes divisões no Corpo de Cristo ao redor do mundo!
Provérbios 6:16-19 diz: "Seis coisas o SENHOR aborrece e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos."
.
Fiquem na paz d'Ele!
.
ANDRÉ DE ARAÚJO NEVES
Assembléia de Deus Central de Porto Velho/RO - Ministério de Madureira

sábado, 28 de junho de 2008

PROJETO DE LEI Nº 122/2006: HOMOFOBIA OU HETEROFOBIA? (I)

Por: UZIEL SANTANA *
.
“Constituição Federal. Título II. Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...).”
.
A Constituição Federal de 1988 representa para a nossa sociedade o documento público de maior relevância e repercussão jurídico-político-social. É de tal modo importante que os principais e fundamentais valores e preceitos costumeiros da nossa sociedade estão lá, de modo categórico, estabelecidos; seja na forma de princípio jurídico-constitucional, seja na forma de norma jurídico-constitucional.

E um princípio jurídico – como todo o “Direito” em si – nasce na sociedade e é estabelecido pela sociedade, para a sociedade, seja por via direta, seja através dos representantes que a própria sociedade elege para consecutar a atividade legislativa. Na verdade, um princípio jurídico é um valor social tão importante e insuperável da sociedade que ela entende que não pode viver sem o mesmo e, em assim sendo, a partir de tal constatação, resolve, para dar uma maior estabilidade às relações sociais, esculpilo no sistema jurídico, primeiramente, na Constituição.

Do mesmo modo, as normas jurídicas, como pautas de comportamento que a sociedade estabelece para todos, indistintamente, nada mais são do que expressões daquilo que ela mesma considera ser o seu “bem”, o seu “belo” e a sua “verdade”. O que os romanos chamavam de mores maiorum civitatis, isto é, a moral da sociedade. E tudo isso se forma – os princípios e normas do nosso ordenamento jurídico – através de um sistema de exercício e controle de poder que, no nosso caso, chamamos de democracia. Democracia que, no dizer de Abrahan Linconl, é o governo do povo, pelo povo e para o povo. Onde, democraticamente, os princípios e normas jurídicas são estabelecidos nos parlamentos. De tal maneira que o “Direito”, uma vez institucionalizado, deve representar o padrão moral da maioria da sociedade, sempre respeitando o direito de expressão dos que contra esta maioria se opõe, porque seria inadmissível, num Estado que se diz Democrático de Direito – onde mais do que isso, os direitos sejam, realmente, democratizados – a suplantação dos princípios da liberdade de expressão, de pensamento e de crença, todos, inclusive, garantidos pela nossa Constituição de 1988.

Por que estamos a dizer tudo isso? Qual o “leitmotiv” (motivo condutor) deste nosso ensaio semanal, onde já na epígrafe começamos dizendo que a nossa CF de 1988 estabelece, como direito fundamental, que todos são iguais perante a lei de modo que nenhum indivíduo ou grupo social – por mais forte ou mais fraco que seja – pode ter, sem razão de ser, privilégios legais em contraposição aos interesses dos demais que estão na mesma situação?

O motivo que nos conduz a escrever, analiticamente, aqui, e que tem tudo a ver com o que dissemos acima – isto é, com o direito como expressão democrática dos anseios e valores sociais e não de apenas um grupo social que quer impor a sua visão de mundo a todos – é o Projeto de Lei 122/2006, que tramita no Senado Federal e que tem como relatora a Senadora Fátima Cleide (PT-RO). Na verdade, tal projeto iniciou ainda em 2001 na Câmara Federal (PL 5.003/2001) com a proposição e relatoria da ex-Deputada Federal Iara Bernardi (PT-SP) e tem sido oficialmente apoiado pelo Governo Federal.

Tal projeto visa a alterar o Código Penal, a Lei nº 7.716/89 e a CLT (Consolidação de Leis Trabalhistas) e o seu objetivo precípuo é criminalizar condutas considera- das “homofóbicas”. E o que seria isso?

O termo “homofobia” foi cunhado em 1972 pelo psiquiatra norte-americano George Weinberg, no livro “Society and the Healthy Homosexual” (New York, St, Martin’s Press, 1972) e, nesta sua definição clínica, seria “medo e ódio aos homossexuais”. Na verdade, como esclarece o filósofo Olavo de Carvalho “até hoje os apologistas do movimento gay não entraram num acordo sobre se existe ou não a homofobia como entidade clínica, comprovada experimentalmente.”. O fato é que, seja como for, “é absolutamente impossível provar, por meios experimentais ou por quaisquer outros, que toda e qualquer rejeição à conduta homossexual seja, na sua origem e nas suas intenções profundas, é substancialmente idêntica ao impulso assassino voltado contra homossexuais.”. É exatamente assim que o PL 122/2006 faz. Em verdade, faz mais do que isso, pois, na contramão das tendências modernas do Direito Penal, que discriminaliza condutas, o referido projeto quer impor, criminalizando e colocando o aparato policial à serviço de um grupo restrito (os homossexuais), valores que vão de encontro ao que pensa a esmagadora maioria da sociedade brasileira que é, eminentemente, cristã e heterossexual.

Pior que isso é a forma como o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e está agora sendo votado no Senado Federal, isto é, sem debate algum com a sociedade civil, de modo que estamos bem próximos do estabelecimento de uma “ditatura da minoria”. E por isso a questão temática: “homofobia ou heterofobia?” Porque, conforme veremos, nos termos do Projeto, os heretossexuais é que passarão a ter medo do que pode acontecer com eles caso, por exemplo, insurgam-se contra um professor que, por ser homossexual, está ensinando na escola fundamental que o filhinho é livre para escolher ser homossexual ou heterossexual, independentemente da educação de seus pais. E se o diretor da escola, sabendo disso, demite o professor homossexual, nesse caso, segundo também estabelece o projeto, os dois (o pai da criança e o diretor) podem ser presos e condenados. Ou, num outro exemplo, tão grave quanto esse, imagine o Padre ou Pastor que, na sua homilia, discursa condenando as práticas homossexuais, como sodomia, lesbianismo, pederastia e etc. Ele, segundo o projeto, pode ser preso em flagrante delito pela Polícia e ser condenado de 2 a 5 anos de reclusão. Esses são só dois exemplos!

Homofobia ou Heterofobia? Eu, como professor e cristão, uma vez aprovado o Projeto de Lei 122/2006 que aí está – flagrantemente inconstitucional, conforme veremos nas próximas semanas – jamais poderia estar dizendo o que estou dizendo aqui, sob pena de ser considerado homofóbico. Onde vamos parar? Pois, nos termos em que estamos, o normal virou anormal e o anormal virou o normal.
.
* Advogado, Mestre em Direito (UFPE), Professor da UFS - E-mail: ussant@ufs.br
(Texto publicado no Jornal "Correio de Sergipe", em 08/06/2007)

PROJETO DE LEI Nº 122/2006: HOMOFOBIA OU HETEROFOBIA? (II)

Por: UZIEL SANTANA *
.
“Constituição Federal. Título II. Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Art. 5º, inciso IV – É livre a manifestação do pensamento (...).”
.
Na semana passada, começamos a analisar o projeto de lei que tramita no Senado Federal, sob a relatoria da senadora Fátima Cleide (PT-RO), e que visa a alterar o Código Penal, a Lei nº 7.716/89 e a CLT. Vimos que o objetivo precípuo de tal projeto é a criminalização de condutas consideradas “homofóbicas”, isto é, contrárias ao homossexualismo e às suas várias formas de expressão.

No caso, como vimos e passaremos a pormenorizar no presente ensaio jurídico, o Congresso Nacional está para aprovar uma lei que impede – e mais que isso, criminaliza! – qualquer manifestação – seja ela intelectual, filosófica, ideológica, ética, artística, científica e religiosa – contrária ao homossexualismo e às suas práticas.

Pragmaticamente, isso quer significar a imposição, flagrantemente inconstitucional, de condutas típicas de estados totalitários, tais como: a implantação da censura, da não liberdade de pensamento, da não liberdade de crença, da impossibilidade da livre manifestação intelectual e artística, a imputação de crimes de opinião e, principalmente, o uso – ilegítimo, ressalte-se – do aparato estatal-policial para intimidar e fazer valer a vontade de um grupo específico de pessoas. Tudo isso fulcrado num discurso oficial manifesto de que é para impedir a discriminação, o preconceito e a violência contra os homossexuais. Mas esse é o discurso manifesto, porque, latentemente, sabemos que se trata da imposição do modo de ser, pensar e agir de uma minoria que não se contenta em apenas ser respeitada. Querem muito mais. Querem a imposição, indistinta e absoluta, desse seu modo particular de ser, pensar e agir, a todos.

Isso porque se trata de uma falácia semântica (para não dizer como Olavo de Carvalho o faz: um delito semântico) atestar que qualquer manifestação contrária às práticas homossexuais significa homofobia, isto é, violência ou incitação à mesma. Como afirmamos antes, uma coisa é o respeito à opção e predileções que cada um tem; outra, muito diferente, é a imposição dessas opções e predileções a quem assim não consente.

É desproporcional, abusivo e inconstitucional admitir que, se um padre ou pastor, nos seus sermões, sendo fiel ao texto que eles têm como regra de fé e prática – a Bíblia –, assente que as práticas homossexuais são pecados abomináveis perante Deus, mas que este “apesar de aborrecer o pecado, ama o pecador e por assim ser quer curá-lo, libertá-lo e salvá-lo” estejam assim sendo homofóbicos. É razoável isso? Se o for, qual o próximo passo? Proibir a circulação da Bíblia ou parte dela? Porque vejam o que diz o Apóstolo Paulo em Carta aos Romanos, escrita no ano 55 d. C.: “Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Por causa disso, os entregou Deus às paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição pelo seu erro." (Romanos 1:24-27). E então? Vamos, a partir da aprovação do referido projeto, mandar prender padres, pastores e qualquer líder cristão que se opõem não ao homem ou mulher que pratica o homossexualismo, mas a tais práticas? Imaginem só que, na próxima visita do Papa ao Brasil, os integrantes da sua comitiva que, como ele, não tiverem imunidade diplomática, poderão ser presos em flagrante acusados de homofobia.

A pergunta que não quer calar é: essa é realmente a vontade da maioria da sociedade brasileira? Estamos diante de uma intolerância heterossexual ou de um totalitarismo homossexual, disfarçado em um discurso de promoção dos direitos humanos e do politicamente correto?

A Constituição Federal garante, no “caput” do art. 5º, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (..) garantindo-se o direito à vida, à liberdade, à igualdade (..)”. Mais que isso, afirma a mesma, no seu art. 1º, inciso III, que constitui fundamento da República Federativa do Brasil, o princípio da dignidade da pessoa humana. Ora, tudo isso significa, por exemplo, que se a minha predileção (que não é o mesmo que inclinação natural! Porque as predileções são determinadas culturalmente) é ser fumante ou não, homossexual ou heterossexual, acreditar em Deus ou não, ser católico, evangélico, espírita, capitalista ou comunista, enfim o que quer que seja – desde que não seja contrário ao sistema jurídico – tudo isso está num nível de dispositividade e volição de cada um. Agora, a Constituição não permite a criminalização e conseqüente condenação de pessoas pelo simples fato de elas se oporem ideológica, ética, religiosa ou culturalmente contra certas idéias ou tendências.

Ademais, de modo claro e peremptório, a CF estabelece no art. 5º, como direito e garantia fundamental, que “é livre a manifestação do pensamento” (IV), “é inviolável a liberdade de consciência e crença” (VI), “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (VIII), “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (IX). Pela simples leitura desses dispositivos constitucionais já podemos vislumbrar a inconstitucionalidade do referido Projeto de Lei 122/2006.

No próximo ensaio, vamos comentar, jurídica e exemplificadamente, cada um dos 12 artigos do aludido projeto e, ao final, vamos demonstrar a falácia que sustenta os motivos determinantes para a aprovação do mesmo. Isso porque, hoje, todos nós, indistintamente, se temos um direito fundamental violado, podemos usar as várias garantias constitucionais, como por exemplo, o Habeas Corpus, o Mandado de Segurança e etc. Por que, então, os homossexuais vítimas de violência não usam os mesmos instrumentos? Se o sistema quer somente proteger, por que criminalizar condutas ao invés de tão-somente promover políticas públicas de conscientização? A idéia é protetiva ou impositiva de um padrão de comportamento?
.
* Advogado, Mestre em Direito (UFPE), Professor da UFS - E-mail: ussant@ufs.br
(Texto publicado no Jornal "Correio de Sergipe", em 22/06/2007)

PROJETO DE LEI Nº 122/2006: HOMOFOBIA OU HETEROFOBIA? (III)

Por: UZIEL SANTANA *
.
“Trata-se de um delito semântico atestar que toda e qualquer manifestação contrária às práticas homossexuais significa homofobia, isto é, violência ou incitação à mesma. Uma coisa é o respeito à opção e predileções que cada um tem; outra, muito diferente, é a imposição dessas opções e predileções a quem assim não consente.”
.
Neste terceiro artigo da série sobre a análise do Projeto 122/2006 que tramita no Senado Federal, sob a relatoria da senadora Fátima Cleide (PT-RO), e que visa a alterar o Código Penal, a Lei nº 7.716/89 e a CLT, estabelecendo a criminalização de toda e qualquer conduta contrária ao homossexualismo e às suas várias formas de expressão, procederemos à análise dos dispositivos legais constantes desta proposta legislativa.

No ensaio anterior, vimos que a CF estabelece, categoricamente, no art. 5º, como direitos e garantias fundamentais, que “é livre a manifestação do pensamento” (IV), que “é inviolável a liberdade de consciência e crença” (VI), que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (VIII), e que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (IX), dispositivos esses da Constituição que já denotam para nós a irremediável inconstitucionalidade do comentado projeto de lei.

Vejamos o que preceitua alguns dos dispositivos da proposição legislativa:

Art. 2º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, Orientação sexual e identidade de gênero.
Comentário: o projeto já começa com uma falácia escondida atrás de um discurso politicamente correto e de promoção de direitos humanos fundamentais. Lendo o texto do artigo, de imediato, nós pensamos se tratar mesmo de algo necessário para a sociedade, qual seja: combater, criminalizando condutas, qualquer tipo de discriminação ou preconceito. Mas percebamos bem: na realidade, pertencer a uma raça, a uma cor, a uma etnia, a uma religião, a uma nacionalidade, ser do sexo masculino ou do sexo feminino, são condições (com exceção da religião que é adquirida culturalmente) naturais do ser humano. E, em assim sendo, merecem a proteção do Estado contra qualquer tipo de discriminação. Agora, introduzir nesse contexto, através de uma etiquetagem (i)moral, qual seja, “orientação sexual”, ou mesmo “identidade de gênero”, como se fossem categorias naturais do ser humano, nada mais é do que apologia, promoção do homossexualismo. Tanto é assim que os demais dispositivos em vez de se limitar a proteger – como acontece com o atual texto da Lei 7.716/89 – na verdade, promovem descadaradamente o homossexualismo e suas práticas. Se não, vejamos.

Art. 5º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional. Pena: reclusão de 3 a 5 anos. Comentário: vejamos se isso é proteção ou promoção do homossexualismo. O dispositivo fala que “em qualquer sistema de seleção educacional” não se pode recusar, negar, impedir (e etc.) o acesso de homossexuais. É um verdadeiro totalitarismo gay. Imagine que você pai ou mãe não queira de modo algum que na escola dos seus filhos adolescentes se promova o homossexualismo. O diretor da escola pensa o mesmo. Mas aí algum jovem homossexual se candidata para a seleção lá. Na entrevista, revela a sua condição social. O diretor diz que por princípios a Escola não aceita homossexuais. Em reunião dos pais, todos concordam com isso, dizendo que existem outras escolas que o admitem, mas essa não. Conclusão: todos, o diretor e os pais, incorreram em crime e podem passar de 3 a 5 anos num dos presídios do nosso Estado. É razoável isso? E mais: imagine que a escola é um seminário teológico de formação de pastores, ou de padres ou de monges. Todos, também, do mesmo modo podem ser apenados. Isso é homofobia ou eles estão sofrendo heterofobia? O projeto visa a proteger ou promover o homossexualismo?

Art. 7º (Art. 8º-A) Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público (...). Pena: reclusão de 2 a 5 anos. Comentário: locais privados abertos ao público, exemplo: as igrejas. Imagine que um padre, pastor ou monge queira repreender um casal de lésbicas que esteja se beijando dentro do santuário ou capela. O que aconteceria com eles? Poderiam ir para a prisão também, como no caso anterior (2 a 5 anos de cadeia!). Se fosse um casal de heterossexuais, os eclesiásticos poderiam exortar, repreender, chamar a atenção, mas como é um casal de homossexuais, não podem. Voltamos a indagar: isso é homofobia ou heterofobia? Intolerância religiosa ou totalitarismo gay?

Num caso como esse e o do seminário que citamos anteriormente, vejam as agravantes que o projeto traz: Art. 8º Constituem efeito da condenação: VI – suspensão do funcionamento dos estabelecimentos por prazo não superior a 3(três) meses. Ou seja: se for igreja, fecha-se. Se for seminário teológico, fecha-se também. Isso é proteção ou promoção do homossexualismo? Homofobia ou heterofobia?

Na verdade, caros(as) leitores(as), o que está por trás disso, não é a simples promoção da proteção dos homossexuais. Mais que isso, há toda uma orquestração, com apoio incondicional do Governo Federal, no sentido de se promover e disseminar as práticas homossexuais. O próximo passo, não nos enganemos, é a modificação da Constituição Federal e, principalmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente a fim de que os pais não tenham mais o poder familiar de educar os seus filhos como heterossexuais. A idéia que começa a se disseminar nos movimentos de gays, lésbicas, bissexuais e travestis é que as crianças e adolescentes têm o livre arbítrio (o direito constitucional de livre orientação sexual, dirão daqui a pouco!!) e, portanto, os pais não podem exortá-los e discipliná-los contra as práticas homossexuais. Se assim o for, estaremos diante de homofobia, heterofobia e/ou pedofilia?

Em verdade, razão assiste ao Promotor de Justiça Cláudio da Silva Leiria (Guaporé-RS) quando conclui que: “os homossexuais usam e abusam do termo ‘preconceito’, com que rotulam qualquer opinião que recrimine sua conduta sexual. No entanto, a simples expressão de condenação moral, filosófica ou religiosa ao homossexualismo não se constitui em discriminação, mas exercício da liberdade de consciência e opinião. Os gays não têm qualquer direito de exigir que sua conduta sexual seja mais digna de respeito e consideração que as crenças alheias a respeito da homossexualidade”.
.
* Advogado, Mestre em Direito (UFPE), Professor da UFS - E-mail: ussant@ufs.br
(Texto publicado no Jornal "
Correio de Sergipe", em 05/07/2007)

PROJETO DE LEI N° 122/2006: INCONSTITUCIONAL, ILEGÍTIMO E HETEROFÓBICO. (IV)

Por: UZIEL SANTANA *
.
A Constituição Federal assegura que a simples expressão de condenação moral, filosófica ou religiosa ao homossexualismo não se constitui em discriminação, mas em constitucional, legítimo e legal exercício da liberdade de manifestação do pensamento, consciência e crença religiosa.

Neste último artigo da série sobre a análise do Projeto de Lei 122/2006, onde, inicial e tematicamente, apresentamos, ao longo desta série de ensaios, o questiona- mento “homofobia ou heterofobia?”, responderemos, concludente e peremptoriamente, a proposição interrogativa. E já o fazemos, de plano, no título: trata-se, pelas razões anteriormente expostas e aqui reafirmadas, de um projeto de lei que, no seu nascedouro, já é, materialmente, inconstitucional, ilegítimo, imoral, totalitário e, mais que isso, potencializa, no Brasil, a possibilidade de estabelecimento de uma nova e endêmica entidade clínico-psicossocial: a heterofobia. Vejamos e reafirmamos (porque já o fizemos antes), como ilações, os porquês.
.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é inconstitucional? É inconstitucional porque a Constituição Federal estabelece, no art. 5º, como direito e garantia fundamental, que, primeiramente, “homens” e “mulheres” são iguais em direitos e obrigações, de modo que a Constituição não reconhece um terceiro gênero: o homossexual E, se assim o é, como um projeto de lei ordinária pode tentar estabelecer super-direitos e a impossibilidade absoluta de crítica a um grupo de pessoas que, enquanto homosexuais, nem reconhecidos são pela Constituição? Para a Magna Carta, queiram eles ou não, estes são homens ou mulheres. Esse foi e, continua sendo, o espírito do legislador constitucional e do poder constituinte originário que o fundamenta. Apesar de a Constituição dever ser interpretada como um texto aberto, há balizas interpretativas que são estabelecidas de modo fundacional e, portanto, não podem ser superadas sem a alteração do texto.
.
Ademais, como já explicamos e enfatizamos nos ensaios anteriores, o texto constucional é de uma clareza límpida ao assentir que é livre a manifestação do pensamento, que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando-se para isso o livre exercício dos cultos religiosos e, mais que isso, contundentemente, afirma: “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convição filosófica”. E num Estado Democrático de Direito, onde os direitos sejam, material e formalmente, democratizados, o bem maior a ser assegurado é a liberdade, conquistada, historicamente, através de sangue, suor e lágrimas pela sociedade brasileira. O projeto que está aí vai, frontalmente, de encontro a liberdade que nós temos de expor idéias e opiniões. Por tudo isso, é, flagrante e materialmente, inconstitucional.
.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é ilegítimo? Diz-se que uma lei é legítima, quando esta é a expressão jurídica dos anseios, valores e vontade da sociedade. A questão é: de acordo com o que vimos sobre os artigos do projeto, estes se coadunam com a vontade da sociedade? Isto é, a sociedade brasileira quer, realmente, possibilitar o aprisionamento de padres, pastores, monges (e etc.) simplesmente pelo fato de que eles, a partir da Bíblia, pregam em seus sermões e homilias que o homossexualismo é “abominação perante Deus” e “negação da criação e do Criador, porque querem desvirtuar a natureza – corpo, alma e espírito – do ser humano”? Claro que não! Segundo nos aponta o último censo do IBGE, mais de 90% da sociedade brasileira é católica ou evangélica. Que legitimidade tem esse projeto, então? Temos a convicção de que os olhos da sociedade brasileira, neste momento, estão voltados à iminente votação no Plenário do Senado Federal. Se não há legitimidade, em absoluto, temos a certeza de que também não haveria eficácia social ou efetividade se este projeto fosse aprovado. A não ser que se estabelecesse uma nova ditadura no Brasil (o que não é pouco provável, tendo em vista os acontecimentos políticos que temos visto).
.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é (i)moral? Moral é o conjunto de usos e costumes de uma sociedade. O conjunto de valores e ações que, no geral, a sociedade acredita ser o seu bem, o seu belo e a sua verdade – o “mores maiorum civitatis” da cultura helenística. Ora, o Projeto de Lei 122 vai, essencialmente, de encontro àquilo que constitui a Moral da sociedade brasileira que, como afirmamos, é quase no todo, de uma tradição judaico-cristã. Por assim o ser, este projeto nega tudo aquilo que corresponde aos anseios, usos e costumes da nossa sociedade. E por isso é imoral, isto é, nega a moral da nossa sociedade. Dentro da nossa tradição moral, não há espaço para discriminação, nem preconceito. Do mesmo modo, não há espaço para tolhimento da liberdade de expressão, de convição e de crença. A nossa moral nos diz que podemos ser aquilo que quisermos ser, assim como também que todos têm o direito de se posicionar e manifestar-se sobre esse ser ou não ser. E essa é a Moral que foi inserta no nosso sistema jurídico.
.
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é totalitário? É totalitário, porque estabelece para toda a sociedade, para todas as instituições e para todas as pessoas o que se começa a denominar “Mordaça Gay”. Acredito que nem seja esse o desejo dos homossexuais. O projeto, absurdamente, torna criminosa, sem valoração distintiva, toda e qualquer manifestação contrária às práticas homossexuais. É o estabelecimento de uma imunidade comportamental jamais vista, em tempos de democracia, na história do direito brasileiro. O discurso é envolvente, mas falacioso. Fala-se em proteção dos direitos humanos, mas na realidade o que se está a estabelecer é a imposição de um modo de existência.
,
Por que o Projeto de Lei 122/2006 é heterofóbico? Simplesmente, porque os homens e mulheres da sociedade brasileira é que passarão a ter medo de se relacionar com os homossexuais. Porque tudo que se fizer ou falar, pode ser interpretado como homofobia e sujeitará as pessoas a penas de prisão. A cultura do medo restará implantada entre os heterossexuais. Os homens e mulheres da nação estarão sob a mira do aparato policial e do sistema prisional. Isso dá ou não “fobia” (medo)?
.
Se usam de violência contra os homossexuais que se use o Direito como está posto para todos indistintamente. Numa democracia não há espaço para privilégios legais para um grupo de pessoas que já tem as mesmas armas e faculdades jurídicas para se defender dos abusos que possam ser cometidos contra eles.
.
Não à homofobia e, do mesmo, não à heterofobia!
.
* Advogado, Mestre em Direito (UFPE), Professor da UFS - E-mail: ussant@ufs.br
(Texto publicado no Jornal "Correio de Sergipe", em 13/07/2007)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A VERDADEIRA RELIGIÃO

Qual destes caminhos leva ao Redentor? Quem está falando a verdade?
.
Muitas denominações e seitas nos dias de hoje tem feito afirmações de que somente eles estão praticando a verdadeira religião. Só para listar alguns exemplos deste exclusivismo religioso:
.
- O Catecismo da Igreja Católica declara: “Fora da Igreja [Católica Romana] não há salvação (...)” (§§ 846, 870). Não obstante esta instituição religiosa ter se afastado tanto de vários princípios bíblicos no decorrer ds séculos, muitas vezes acrescentando à Palavra de Deus sua própria Tradição (assim como os fariseus nos dias de Jesus), supõe ela ser a única e verdadeira Igreja de Cristo sobre a Terra, fora da qual ninguém pode salvar-se? Como fica, pois, Atos 4:12 ("Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há [além de Jesus], dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.")? Que declaração pertubadora... Há cerca de cinco séculos, esta questão levou um jovem monge agostiniano, chamado Martinho Lutero, a estudar profundamente a Palavra de Deus em busca da Verdade...
.
- De maneira semelhante, os ‘santos dos últimos dias’, conhecidos como mórmons, afirmam que “a primeira visão de Joseph Smith [ocorrida no ano de 1820] marcou o início da restauração do evangelho de Jesus Cristo sobre a Terra. Nos anos subseqüentes, Cristo restaurou Seu sacerdócio e reorganizou Sua Igreja.” Isto implicaria dizer que a salvação de um indivíduo ocorre mediante a aprovação de Joseph Smith?
.
- Os adventistas do sétimo dia, por sua vez, advogam que “um remanescente tem sido chamado para fora a fim de guardar os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Este remanescente anuncia a chegada da hora do Juízo (...)” e que ”um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Este dom é uma característica da Igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do Senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade (...)” (Crenças Fundamentais, n. 13 e 18). Estariam eles dizendo que a salvação é restrita aos que guardam o sábado e que crêem em cada um dos controversos escritos da sua profetiza?
.
- Também é notória a posição da seita das “testemunhas-de-jeová” que, não obstante rejeitarem, por exemplo, a divindade de Cristo e Sua ressurreição corpórea (crenças básicas do cristianismo bíblico), declaram que sua entidade, a Sociedade Torre de Vigia, é o “mordomo bom e fiel” (ou o "escravo fiel e discreto', na sua Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas) de Mateus 24:45-46 em contraste com o servo mau, que segundo eles representa todo o restante da “cristandade”.
..
A verdadeira religião, porém, vem de um coração honesto. A Bíblia diz em Isaías 29:13: “Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de Mim, e com a sua boca e com os seus lábios Me honra, mas tem afastado para longe de Mim o seu coração, e o seu temor para Comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor.” Mister é entendermos que a verdadeira religião está focada na pessoa do Senhor Jesus Cristo e não em filosofias humanas: “Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)
.
A verdadeira religião é aquela que produz frutos espirituais: “Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos.” (Mateus 21:43) A verdadeira religião, a religião que é firmada na eterna, inerrante e pura Palavra de Deus, é ajudar os outros e manter-se fiel ao Senhor: “A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo.” (Tiago 1:27)
.
Para concluir, podemos citar uma frase do missionário metodista Stanley Jones, em que ele declara: "RELIGIÃO É A BUSCA DO HOMEM A DEUS, POR ISSO HÁ MUITAS RELIGIÕES. MAS O EVANGELHO É DEUS BUSCANDO O HOMEM, POR ISSO SÓ HÁ UM EVANGELHO!"
.
A Deus toda a Glória!
.

segunda-feira, 10 de março de 2008

DEVOÇÃO

A palavra “Devoção” vem do latim devotióne, e tem como significado o ato de dedicar-se ou consagrar-se a alguém; sentimento religioso de dedicação e veneração; dedicação ao culto divino; piedade; afeto. No contexto cristão, a palavra devoção tem um significado um pouco mais amplo, pois vai além de um simples “sentimento religioso” (que está presente em outros credos), mas expressa a vida íntima de comunhão e de relacionamento sincero entre a criatura e Seu Criador. Assim, nossas práticas devocionais são aquelas onde o objetivo não é o encontro com o sagrado através do desenvolvimento do próprio potencial ou poderes internos (como ocorre em algumas religiões), mas sim apenas através da fé em Deus e em Sua ajuda para se alcançar as bençãos que necessitamos (Hebreus 11:6). Assim, nós podemos afirmar que a nossa devoção trata-se de verdadeira reverência e gratidão ante o poder do nosso Deus!

Intimidade

Que devoção é esta, então, que devemos ter para com Deus? O primeiro ponto que eu gostaria de destacar aqui acerca da devoção cristã é o da intimidade. Creio que a verdadeira devoção é aquela em que nos reportamos a Deus como ao nosso melhor amigo. A Bíblia diz em Êxodo 33:12-13: “E Moisés disse ao Senhor: Eis que Tu me dizes: Faze subir a este povo; porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo. Disseste também: Conheço-te por teu nome, e achaste graça aos Meus olhos. Se eu, pois, tenho achado graça aos Teus olhos, rogo-Te que agora me mostres os Teus caminhos, para que eu Te conheça, a fim de que ache graça aos Teus olhos; e considera que esta nação é Teu povo.” Por conseguinte, a verdadeira intimidade em um relacionamento nasce através do conhecimento interpessoal, e todo conhecimento interpessoal é progressivo. O profeta Oséias declarou: “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor (...)”. (Oséias 6:3a) Nosso Deus é um Deus que Se deixa conhecer, e que deseja um relacionamento íntimo com Seus filhos baseado neste conhecimento!

Nossa devoção deve ser de todo o coração, isto é, com inteireza de sentimentos e emoções, intelecto e vontade. O rei Davi assim aconselhou seu filho e sucessor ao trono: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-O com coração perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se O buscares, será achado de ti; porém, se O deixares, rejeitar-te-á para sempre.” (1 Crônicas 28:9). Também o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento (...)”. (Lucas 10:27a). Há uma promessa bíblica para aqueles que assim colocam o ensinamento do Divino Mestre em prática: os que buscam ao Senhor com todo o seu coração são chamados ‘bem-aventurados’, ou seja, carregam a marca da verdadeira felicidade nesta vida e na vindoura. A Bíblia diz em Salmos 119:2: “Bem-aventurados os que guardam os Teus testemunhos, que Te buscam de todo o coração.”

Louvor

Uma das formas de expressarmos a nossa devoção é através do louvor, tanto individualmente, no dia-a-dia, quanto coletivamente, nas reuniões de adoração em nossos templos. A Palavra de Deus, nos declara que toda a criação é como uma sinfonia de louvor a Deus pelo que Ele fez e faz por nós. O Salmo 148 proclama:
“Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor desde o céu, louvai-O nas alturas!
Louvai-O, todos os Seus anjos; louvai-O, todas as Suas hostes!
Louvai-O, sol e lua; louvai-O, todas as estrelas luzentes!
Louvai-O, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus!
Louvem eles o nome do Senhor; pois Ele deu ordem, e logo foram criados.
Também Ele os estabeleceu para todo sempre;
E lhes fixou um limite que nenhum deles ultrapassará.
Louvai ao Senhor desde a terra, vós, monstros marinhos e todos os abismos;
Fogo e saraiva, neve e vapor; vento tempestuoso que executa a Sua Palavra;
Montes e todos os outeiros; árvores frutíferas e todos os cedros;
Feras e todo o gado; répteis e aves voadoras; reis da terra e todos os povos;
Príncipes e todos os juízes da terra; mancebos e donzelas; velhos e crianças!
Louvem eles o nome do Senhor, pois só o Seu nome é excelso;
A Sua glória é acima da terra e do céu. Ele também exalta o poder do Seu povo,
O louvor de todos os Seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado.
Louvai ao Senhor!”
Surpreendo-me com o simples fato de que os Salmos nos incentivam a louvar a Deus com uma enorme variedade de instrumentos musicais, danças e festas solenes (enquanto algumas igrejas nos nossos dias insistem que apenas o órgão ou piano devem ser usados no Culto ao Senhor). Isso nos mostra que o nosso Deus é um Deus alegre, um Deus de festejos e celebrações. Gostaria ainda de destacar um ponto importante: a criatividade como um fator impulsionador e catalisador do louvor ao nosso Pai celestial (Salmo 150):
“Louvai ao Senhor! Louvai a Deus no Seu santuário; louvai-O no firmamento do Seu poder!
Louvai-O pelos Seus atos poderosos; louvai-O conforme a excelência da Sua grandeza!
Louvai-O ao som de trombeta; louvai-O com saltério e com harpa!
Louvai-O com adufe e com danças; louvai-O com instrumentos de cordas e com flauta!
Louvai-O com címbalos sonoros; louvai-O com címbalos altissonantes!
Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor!"
Se até mesmo toda a Criação louva ao Senhor, muito mais nós, criaturas racionais, criadas à Sua própria imagem e semelhança, devemos louvá-lO com todo o nosso coração! Devemos acrescentar, ainda, que o louvor é uma oferta espiritual: “Por Ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome.” (Hebreus 13:15). Louvar significa também agradecer a Deus pelas suas muitas dádivas. A Bíblia diz em Salmos 103:2: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos Seus benefícios.” Devemos louvar a Deus todos os dias, sem cessar: “Assim cantarei louvores ao Teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.” (Salmos 61:8)

Mas por que devemos louvar a Deus? Não será difícil trazer à memória as razões para fazê-lo: louvamos a Deus pelo Seu perdão e por responder às nossas orações. A Bíblia nos diz no Salmo 65:1-3A Ti, ó Deus, é devido o louvor em Sião; e a Ti se pagará o voto. Ó Tu que ouves a oração! A Ti virá toda a carne. Prevalecem as iniqüidades contra mim; mas as nossas transgressões, Tu as perdoarás.” Louvamos a Deus pela Sua bondade: “Dêem graças ao Senhor pela Sua benignidade, e pelas Suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois Ele satisfaz a alma sedenta, e enche de bens a alma faminta.” (Salmos 107:8-9). Louvamos a Deus porque Ele pode transformar o nosso desprazer em felicidade: “Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de alegria; para que a minha alma Te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu Te louvarei para sempre.” (Salmos 30:11-12) Outrossim, podemos louvar a Deus porque Ele é poderoso: “Exalta-Te, Senhor, na Tua força; então cantaremos e louvaremos o Teu poder.” (Salmos 21:13)

Particularmente, creio que uma das formas mais agradáveis de louvar a Deus é através da música. O Salmo 33:1-3 declara: “Regozijai-vos no Senhor, vós justos, pois aos retos fica bem o louvor. Louvai ao Senhor com harpa, cantai-Lhe louvores com saltério de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.” É mister que louvemos a Deus ainda que o nosso coração esteja sofrendo, pois cremos do poder libertador do louvor ao Rei dos Reis. A Bíblia diz em Salmos 34:1-3Bendirei ao Senhor em todo o tempo; o Seu louvor estará continuamente na minha boca. No Senhor se gloria a minha alma; ouçam-no os mansos e se alegrem. Engrandeci ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome.”

Honestidade

Nossa devoção só será reconhecida perante os homens e diante dos anjos do céu, se tivermos a honestidade como marca visível de nosso caráter e nossa maneira de proceder. Nosso dia-a-dia, como cristãos, deve ser permeado por essa marca, permitindo assim, que “brilhe a nossa luz diante dos homens, para que vejam as nossas boas obras, e assim, glorifiquem ao nosso Pai que está nos Céus.” (Mateus 5:16). Deus requer e merece honestidade. A Bíblia diz no Salmo 51:6: “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma.
.
A desonestidade causa dor e dura tanto quanto a ferida física. (Provérbios 25:18). O Senhor Deus é um Deus Santo e zeloso, e não aprova que Seus filhos pratiquem toda e qualquer forma de desonestidade em transações de negócios, ou em qualquer outra área de nossas vidas. (Provérbios 20:23). O conselho da palavra de Deus é que sejamos honestos e abertos: “Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.” (II Coríntios 8:21). Sigamos, pois, os caminhos de Deus. A Bíblia diz em Provérbios 11:1: “A balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer.”
.
Honestidade é parte de dois dentre os Dez Mandamentos: “Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êxodo 20:15-16) Dizer sempre a verdade sem dúvida nenhuma é uma das formas em que a honestidade se revela mais eficazmente. A verdade é mais valiosa que os elogios: “O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.” (Provérbios 28:23) Até mesmo os filhos colhem os frutos que advém da honestidade dos seus pais: “O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” (Provérbios 20:7) Outrossim, Deus prefere que sejamos honestos de que demos ofertas: “Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício.” (Provérbios 21:3)

Sem dúvida, honrar os nossos pais também faz parte do procedimento honesto do cristão, e é o primeiro mandamento com promessa: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20:12) A benção da longevidade é advinda da prática deste mandamento. Conheço muitos testemunhos de cristãos que viveram muitos anos, e atribuíram esta benção ao fato de terem sido bons filhos. Embora não seja uma regra, podemos sem dúvida declarar que muitos que agora ostentam em boa saúde os seus noventa, cem anos ou mais foram bons filhos, que honraram seus pais até o leito de morte.
.
A honestidade está intrinsecamente associada à lealdade. A lealdade é um sinal de uma verdadeira amizade. A Bíblia diz em Provérbios 17:17: “O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.” Tal como a lealdade de Davi e Jônatas nos tempos bíblicos, a nossa lealdade a Deus nos dias de hoje não pode ser dividida com ninguém (Mateus 6:24). Nada pode ocupar o lugar de Jesus em nosso coração.
.
Sola Gratia!