segunda-feira, 10 de março de 2008

DEVOÇÃO

A palavra “Devoção” vem do latim devotióne, e tem como significado o ato de dedicar-se ou consagrar-se a alguém; sentimento religioso de dedicação e veneração; dedicação ao culto divino; piedade; afeto. No contexto cristão, a palavra devoção tem um significado um pouco mais amplo, pois vai além de um simples “sentimento religioso” (que está presente em outros credos), mas expressa a vida íntima de comunhão e de relacionamento sincero entre a criatura e Seu Criador. Assim, nossas práticas devocionais são aquelas onde o objetivo não é o encontro com o sagrado através do desenvolvimento do próprio potencial ou poderes internos (como ocorre em algumas religiões), mas sim apenas através da fé em Deus e em Sua ajuda para se alcançar as bençãos que necessitamos (Hebreus 11:6). Assim, nós podemos afirmar que a nossa devoção trata-se de verdadeira reverência e gratidão ante o poder do nosso Deus!

Intimidade

Que devoção é esta, então, que devemos ter para com Deus? O primeiro ponto que eu gostaria de destacar aqui acerca da devoção cristã é o da intimidade. Creio que a verdadeira devoção é aquela em que nos reportamos a Deus como ao nosso melhor amigo. A Bíblia diz em Êxodo 33:12-13: “E Moisés disse ao Senhor: Eis que Tu me dizes: Faze subir a este povo; porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo. Disseste também: Conheço-te por teu nome, e achaste graça aos Meus olhos. Se eu, pois, tenho achado graça aos Teus olhos, rogo-Te que agora me mostres os Teus caminhos, para que eu Te conheça, a fim de que ache graça aos Teus olhos; e considera que esta nação é Teu povo.” Por conseguinte, a verdadeira intimidade em um relacionamento nasce através do conhecimento interpessoal, e todo conhecimento interpessoal é progressivo. O profeta Oséias declarou: “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor (...)”. (Oséias 6:3a) Nosso Deus é um Deus que Se deixa conhecer, e que deseja um relacionamento íntimo com Seus filhos baseado neste conhecimento!

Nossa devoção deve ser de todo o coração, isto é, com inteireza de sentimentos e emoções, intelecto e vontade. O rei Davi assim aconselhou seu filho e sucessor ao trono: “E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-O com coração perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se O buscares, será achado de ti; porém, se O deixares, rejeitar-te-á para sempre.” (1 Crônicas 28:9). Também o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento (...)”. (Lucas 10:27a). Há uma promessa bíblica para aqueles que assim colocam o ensinamento do Divino Mestre em prática: os que buscam ao Senhor com todo o seu coração são chamados ‘bem-aventurados’, ou seja, carregam a marca da verdadeira felicidade nesta vida e na vindoura. A Bíblia diz em Salmos 119:2: “Bem-aventurados os que guardam os Teus testemunhos, que Te buscam de todo o coração.”

Louvor

Uma das formas de expressarmos a nossa devoção é através do louvor, tanto individualmente, no dia-a-dia, quanto coletivamente, nas reuniões de adoração em nossos templos. A Palavra de Deus, nos declara que toda a criação é como uma sinfonia de louvor a Deus pelo que Ele fez e faz por nós. O Salmo 148 proclama:
“Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor desde o céu, louvai-O nas alturas!
Louvai-O, todos os Seus anjos; louvai-O, todas as Suas hostes!
Louvai-O, sol e lua; louvai-O, todas as estrelas luzentes!
Louvai-O, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus!
Louvem eles o nome do Senhor; pois Ele deu ordem, e logo foram criados.
Também Ele os estabeleceu para todo sempre;
E lhes fixou um limite que nenhum deles ultrapassará.
Louvai ao Senhor desde a terra, vós, monstros marinhos e todos os abismos;
Fogo e saraiva, neve e vapor; vento tempestuoso que executa a Sua Palavra;
Montes e todos os outeiros; árvores frutíferas e todos os cedros;
Feras e todo o gado; répteis e aves voadoras; reis da terra e todos os povos;
Príncipes e todos os juízes da terra; mancebos e donzelas; velhos e crianças!
Louvem eles o nome do Senhor, pois só o Seu nome é excelso;
A Sua glória é acima da terra e do céu. Ele também exalta o poder do Seu povo,
O louvor de todos os Seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado.
Louvai ao Senhor!”
Surpreendo-me com o simples fato de que os Salmos nos incentivam a louvar a Deus com uma enorme variedade de instrumentos musicais, danças e festas solenes (enquanto algumas igrejas nos nossos dias insistem que apenas o órgão ou piano devem ser usados no Culto ao Senhor). Isso nos mostra que o nosso Deus é um Deus alegre, um Deus de festejos e celebrações. Gostaria ainda de destacar um ponto importante: a criatividade como um fator impulsionador e catalisador do louvor ao nosso Pai celestial (Salmo 150):
“Louvai ao Senhor! Louvai a Deus no Seu santuário; louvai-O no firmamento do Seu poder!
Louvai-O pelos Seus atos poderosos; louvai-O conforme a excelência da Sua grandeza!
Louvai-O ao som de trombeta; louvai-O com saltério e com harpa!
Louvai-O com adufe e com danças; louvai-O com instrumentos de cordas e com flauta!
Louvai-O com címbalos sonoros; louvai-O com címbalos altissonantes!
Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor!"
Se até mesmo toda a Criação louva ao Senhor, muito mais nós, criaturas racionais, criadas à Sua própria imagem e semelhança, devemos louvá-lO com todo o nosso coração! Devemos acrescentar, ainda, que o louvor é uma oferta espiritual: “Por Ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome.” (Hebreus 13:15). Louvar significa também agradecer a Deus pelas suas muitas dádivas. A Bíblia diz em Salmos 103:2: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos Seus benefícios.” Devemos louvar a Deus todos os dias, sem cessar: “Assim cantarei louvores ao Teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia.” (Salmos 61:8)

Mas por que devemos louvar a Deus? Não será difícil trazer à memória as razões para fazê-lo: louvamos a Deus pelo Seu perdão e por responder às nossas orações. A Bíblia nos diz no Salmo 65:1-3A Ti, ó Deus, é devido o louvor em Sião; e a Ti se pagará o voto. Ó Tu que ouves a oração! A Ti virá toda a carne. Prevalecem as iniqüidades contra mim; mas as nossas transgressões, Tu as perdoarás.” Louvamos a Deus pela Sua bondade: “Dêem graças ao Senhor pela Sua benignidade, e pelas Suas maravilhas para com os filhos dos homens! Pois Ele satisfaz a alma sedenta, e enche de bens a alma faminta.” (Salmos 107:8-9). Louvamos a Deus porque Ele pode transformar o nosso desprazer em felicidade: “Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de alegria; para que a minha alma Te cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu Te louvarei para sempre.” (Salmos 30:11-12) Outrossim, podemos louvar a Deus porque Ele é poderoso: “Exalta-Te, Senhor, na Tua força; então cantaremos e louvaremos o Teu poder.” (Salmos 21:13)

Particularmente, creio que uma das formas mais agradáveis de louvar a Deus é através da música. O Salmo 33:1-3 declara: “Regozijai-vos no Senhor, vós justos, pois aos retos fica bem o louvor. Louvai ao Senhor com harpa, cantai-Lhe louvores com saltério de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.” É mister que louvemos a Deus ainda que o nosso coração esteja sofrendo, pois cremos do poder libertador do louvor ao Rei dos Reis. A Bíblia diz em Salmos 34:1-3Bendirei ao Senhor em todo o tempo; o Seu louvor estará continuamente na minha boca. No Senhor se gloria a minha alma; ouçam-no os mansos e se alegrem. Engrandeci ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome.”

Honestidade

Nossa devoção só será reconhecida perante os homens e diante dos anjos do céu, se tivermos a honestidade como marca visível de nosso caráter e nossa maneira de proceder. Nosso dia-a-dia, como cristãos, deve ser permeado por essa marca, permitindo assim, que “brilhe a nossa luz diante dos homens, para que vejam as nossas boas obras, e assim, glorifiquem ao nosso Pai que está nos Céus.” (Mateus 5:16). Deus requer e merece honestidade. A Bíblia diz no Salmo 51:6: “Eis que desejas que a verdade esteja no íntimo; faze-me, pois, conhecer a sabedoria no secreto da minha alma.
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A desonestidade causa dor e dura tanto quanto a ferida física. (Provérbios 25:18). O Senhor Deus é um Deus Santo e zeloso, e não aprova que Seus filhos pratiquem toda e qualquer forma de desonestidade em transações de negócios, ou em qualquer outra área de nossas vidas. (Provérbios 20:23). O conselho da palavra de Deus é que sejamos honestos e abertos: “Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.” (II Coríntios 8:21). Sigamos, pois, os caminhos de Deus. A Bíblia diz em Provérbios 11:1: “A balança enganosa é abominação para o Senhor; mas o peso justo é o seu prazer.”
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Honestidade é parte de dois dentre os Dez Mandamentos: “Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êxodo 20:15-16) Dizer sempre a verdade sem dúvida nenhuma é uma das formas em que a honestidade se revela mais eficazmente. A verdade é mais valiosa que os elogios: “O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.” (Provérbios 28:23) Até mesmo os filhos colhem os frutos que advém da honestidade dos seus pais: “O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” (Provérbios 20:7) Outrossim, Deus prefere que sejamos honestos de que demos ofertas: “Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício.” (Provérbios 21:3)

Sem dúvida, honrar os nossos pais também faz parte do procedimento honesto do cristão, e é o primeiro mandamento com promessa: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20:12) A benção da longevidade é advinda da prática deste mandamento. Conheço muitos testemunhos de cristãos que viveram muitos anos, e atribuíram esta benção ao fato de terem sido bons filhos. Embora não seja uma regra, podemos sem dúvida declarar que muitos que agora ostentam em boa saúde os seus noventa, cem anos ou mais foram bons filhos, que honraram seus pais até o leito de morte.
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A honestidade está intrinsecamente associada à lealdade. A lealdade é um sinal de uma verdadeira amizade. A Bíblia diz em Provérbios 17:17: “O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.” Tal como a lealdade de Davi e Jônatas nos tempos bíblicos, a nossa lealdade a Deus nos dias de hoje não pode ser dividida com ninguém (Mateus 6:24). Nada pode ocupar o lugar de Jesus em nosso coração.
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Sola Gratia!

2 comentários:

  1. Cara... Fui muito edificado com este artigo! Pensei que devoção fosse algo do tipo religioso, mas agora vejo que é um mandamento bíblico, e que faz parte do processo natural de crescimento na vida cristã. Tenho 2 anos de convertido, e com certeza o seu texto me ajudou a compreeder a devoção da perspectiva bíblica, e que eu devo então me dedicar mais a Deus e ao Seu reino, pois as outras coisas nos serão acrescentadas... Mal posso esperar pela Parte 02 do estudo!!! Oro para que DEUS continue te inspirando a escrever esses textos tão abençoados, e que tanto edifcam a vida da gente!!!
    Paz e Vida, só nEle!!!

    Marcos.

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  2. Marcos, fico contente se saber que estas palavras tocaram seu coração, e que te despertaram para uma realidade que na vida de muitos cristãos tem sido esquecida. A devoção é a ceiva que leva os nutrientes necessários ao bom fucionamento da vida espiritual do crente; não basta só o culto de domingo a noite, por exemplo, onde adoramos coletivamente. É necessário um TSD ("tempo a sós com Deus"), como diz um amigão nosso, pastor Mauro. Que possamos ter em mente que é Cristo quem opera tudo em todos nós, que somos dependentes d'Ele para viver, para trabalhar, para estudar, para realizar a contento as tarefas do nosso dia-a-dia, porque é "Nele que nos movemos e existimos"! (Atos 17:28) Muito obrigado pela visita, volte sempre! Em Cristo, André!

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