sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A REFORMA PROTESTANTE

Hoje, dia 31 de outubro de 2008, comemoramos o aniverário de 491 anos do início da Reforma Protestante, quando Martinho Lutero (1483-1546) fixa suas 95 Teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Uma data importantíssima para todos nós, cristãos evangélicos, mas que, infelizmente, muitas vezes não é nem se quer lembrada em nossas igrejas. Todo cristão que firma sua fé unicamente na Bíblia, a inerrante Palavra de Deus, sem recorrer a intermediários e nem a tradições humanas para controlar sua vida e sua conduta cristã, deveria saber que foi o reformador Martinho Lutero quem primeiro formulou esta doutrina fundamental da nossa fé, a qual chamou de "Sola Scriptura", ou seja, somente as Escrtituras. Sabemos que nenhum homem é perfeito, apenas Cristo é o nosso modelo de perfeição e, portanto, nossos olhos tem que estar fixos em Cristo Jesus, que é o "Autor e Consumador da nossa Fé" (Hebreus 12:2).
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Entretanto, o próprio Lutero jamais desejou fundar uma nova religião, denominada protestante ou evangélica, mas o desenrolar dos fatos históricos que sucederam às 95 Teses, sua recusa em retratar-se diante do Papa, sua desaprovação às Indulgências romanistas e sua total e irrestrita submissão às Escrituras (às quais inclusive ele traduziu para o alemão), acabaram por causar a separação definitiva com a Igreja de Roma, e diante do Tribunal Eclesiático, a Dieta de Worms, em 1521, ele declarou: "A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém!" Sua coragem e determinação, bem como seu amor à Igreja de Cristo, foram bem retratados no filme "Lutero". Postaremos a seguir dois artigos muito interessantes, o primeiro retirado do site da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, e o segundo retirado da página da Universidade Cristã Livre. Que possamos trazer à memória este grande momento da Igreja de Cristo, que foi a Reforma, e que possamos refletir se neste momento em que vivemos não precisamos também retornar a estes princípios da nossa Fé.
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Fé e Liberdade
Pr. Guilherme Lieven¹

A Reforma do século XVI, liderada por Martinho Lutero, foi um poderoso movimento de luta pela liberdade. Lutero promoveu um movimento de renovação da igreja cristã, que atingiu a vida de pessoas e de comunidades. Já em 1520 afirmou enfaticamente que "um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém - pela fé. O cristão é servidor de todas as coisas e submisso a todos - pelo amor." A fé e a graça de Deus libertam todos e todas da lei (para ser salvo deve fazer isso, deve fazer aquilo...), do pecado e da morte. Colocam todas as pessoas no mesmo nível; todos são dependentes da graça de Deus (Romanos 8). A Reforma influenciou e criou novas experiências com Deus; relativizou doutrinas e poderes eclesiásticos; e codificou teologias novas para legitimarem espiritualidades que religam a pessoa humana diretamente com Deus, tornando-a livre para participar da criação de nova vida.

Novamente é tempo de perguntar pela importância da Reforma e pela sua contribuição para as cristãs e cristãos, como movimento histórico vivo e presente nos dias de hoje. Afinal, nossa sociedade está fortemente marcada pelo conhecimento, pela automação, pela informação. Trata-se de uma nova etapa da história humana. Cresce uma consciência planetária coletiva que muda padrões de comportamento, as relações com o outro e com a natureza, que transforma os valores da subjetividade e de outras dimensões da vida humana. Neste novo momento histórico, nesta nova etapa da vida humana, somos desafiadas e desafiados a indagarem pela liberdade. Há liberdade entre nós? Os cristãos vivem como corpo vivo de Cristo, livre e atuante nesta nova etapa histórica? O pluralismo doutrinário das igrejas cristãs, marcado pelo legalismo e pelo fundamentalismo, as novas propostas espirituais e comunitárias, permitem a influência da Reforma e sua busca por liberdade?
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Em meio a estas e outras perguntas, ávidos por respostas convincentes e completas, proponho um pequeno desvio para duas passagens bíblicas em que Jesus é o protagonista. Primeiro, aquele relato de João 8.31ss. Jesus afirma aos que acreditaram nele: "Se vocês obedecerem às minhas palavras, serão de fato meus seguidores e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará." Os que cercavam Jesus responderam: "Nunca fomos escravos de ninguém. Como é que você diz que seremos livres?" O diálogo de Jesus continua. Mas, quero extrair da passagem o fato de Jesus propor a liberdade para pessoas que não tinham a consciência de escravos; entendiam-se como livres. Creio ser este o grande desafio da Igreja de Jesus Cristo, em nossos dias; qual seja: como anunciar a liberdade para quem vive a ilusão de ser livre? A procura das pessoas por Deus não privilegia o todo da sua dimensão humana como criatura de Deus e não pressupõe o seu estado de escravidão. Mas, tem a característica de uma procura para resolver problemas individuais, pessoais e casuísticos; fazendo de Jesus um mestre fundamentalista, moralista e legalista, um curandeiro barato; e do Espírito Santo um poder que sopra e batiza só onde alguns querem e preferem, um terapeuta e massagista das dores espirituais e outras da dimensão subjetiva da pessoa humana. O propósito, o alvo, então, passa a ser o prazer "espiritual", satisfação individual, ganhos econômicos e materiais, privilégios pessoais e coletivos, em detrimento a escravidão dominadora e nefasta não admitida , assumida e denunciada.
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A segunda passagem bíblica que contribui para as respostas que buscamos, é aquela em que Jesus cercado por uma grande multidão, mesmo cansado, continua sua atuação libertadora. Ali Ele percebeu que aquelas pessoas, além de famintas, "pareciam ovelhas sem pastor" (Marcos 6.30ss.). Destaco a percepção de Jesus. Como seguidores e seguidoras de Jesus Cristo somos desafiados e desafiadas a admitirem que a massa humana, as multidões famintas e escravas, vivem como ovelhas sem pastor. Mesmo reconstruindo valores e padrões de comportamento, mesmo com todas as informações, tecnologia e conhecimento estão sem rumo e caminho, sem a verdade e liberdade, sem vida.
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Corremos um grande risco nesta nova etapa histórica que sofremos e vivemos: a possibilidade de fazermos grandes e bonitas experiências espirituais, de reabilitarmos a cultura religiosa, de redescobrirmos a importância do espírito humano, de reunirmos grandes multidões maquiadas por discursos bíblicos e teológicos, porém vazios do conteúdo da fé no Cristo de Deus, longe do Jesus Cristo da cruz e da ressurreição; afastados do Deus de amor que morreu e ressuscitou para vencer a nossa escravidão e doar a liberdade, transformando os que crêem em vidas novas que participam da criação de nova vida.
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As pessoas, o povo, a igreja, toda a humanidade, necessitam de liberdade e fé. Graças a Deus a Reforma luterana canta neste tom da liberdade, com a harmonia da fé no Cristo da Cruz e da ressurreição, o Cristo de Deus.


Trago-vos à memória os 491 anos de Reforma Protestante
Rev. Ashbell Simonton Rédua²
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Nosso olhar se volta ao passado, contemplando o presente, num análise histórico que marcou a vida do povo de Deus, da Igreja Cristã, e sobretudo não somente de todos que tem sua raiz nos princípios da Reforma Protestante do século XVI, mas de toda a humanidade.
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A Reforma Protestante desencadeada pela divulgação das 95 teses de Lutero em 31 de outubro de 1517, que sobretudo restaurou a vida eclesiástica e espiritual da igreja. Renasceram assim cinco princípios fundamentais da Reforma Protestante: a Sola Scriptura, que defendia uma igreja centrada nas Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus, a Sola Gratia reconhecia a salvação e vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide evocava a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus anunciava que o próprio Cristo estava construindo Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor e a Soli Deo Gloria enfatizava que a finalidade maior da Igreja era glorificar a Deus.
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A Reforma, já fora dos limites da Alemanha, estava produzindo considerável alteração no modo de vida do povo em outras regiões da Europa. Deixou de ser um movimento de conotação simplesmente anti-papal, para tornar-se um dos maiores avivamentos religiosos da História da Igreja. Surgiram logo depois, muitos outros movimentos reformistas, paralelos, destacando-se precisamente na Suíça, França, Escócia e Inglaterra. É neste contexto que nasce e cresce aquele que seria o teólogo mais influente ao protestantismo pós-Lutero, João Calvino.
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Quando Lutero afixou as 95 Teses na Basília de Wittenberg, João Calvino estava apenas com 9 anos, 26 anos mais jovem do que Lutero. Calvino começou a escrever a primeira edição das Institutas da Religião Cristã, em 1535, com a idade de 27 anos, sua intenção era de servir grandemente aos interesses protestantes, mas sua influência deve ter excedido em muito a sua expectativa. Provou ser o teólogo mais influente da Reforma Protestante. Os protestantes de outros países, viram em Calvino, e em sua obra, um pilar de grande força para a obra iniciada.
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O luteranismo teve repercussão mais nacional, sendo também instrumentalizado por príncipes e reis. Já o calvinismo penetrando de modo eficaz em muitas regiões e mesmo suplantando o luteranismo. Penetrou na Suíça, em parte da França, nos Países Baixos, na Europa Central, sob a forma de presbiterianismo, por obra do reformador João Knox, em 1560.
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Calvino, moralizou a vida da Igreja, reavivando os sacramentos, admitindo somente os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor. Na Ceia, Calvino afirma a transignificação, isto é nela o fiel comunga, é Cristo o alimento espiritual real. O Pão não é o Corpo do Senhor, nem o vinho é o Sangue do Senhor, mas significa Sua presença, "alimento celeste" para os predestinados e somente "pão e vinho" para os condenados.
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O culto reformado (princípio do culto regulador) calvinista está centralizado na Palavra anunciada no Espírito. O homem deve evitar ao máximo qualquer sentimento que o distraia da presença gloriosa do Senhor: flores, esculturas, pinturas, instrumentos musicais. A voz humana é o instrumento suficiente e a Bíblia o livro necessário. Calvino deixou muito bem claro, que quando nos reunimos no nome de Cristo para adora-Lo, não estamos ali para nos entretermos ou divertir os espectadores, mas para que haja proveito espiritual. Para Calvino, quando não há doutrina, também não há edificação e que, se quisermos de fato honrarmos os ensinos de Cristo, devemos conhecer o conteúdo de tudo o que é usado na liturgia, saber o que significa e qual a sua finalidade, para que o seu uso seja justificado e salutar.
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Ponto central em Calvino é a glória de Deus. A grande pergunta de Lutero era: "Como podemos encontrar um Deus misericordioso?", e a de Calvino: "Como se chega ao domínio de Deus sobre a humanidade?". A criação somente tem sentido para a glória de Deus. Se Lutero nos consola dizendo que em Cristo crucificado temos a paz dos salvos, Calvino fala da certeza total da salvação dos predestinados e prega cumprimento dos propósitos Deus na criação.
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Calvino sempre fundamentou a liturgia do culto baseada em três elementos principais: a pregação da Palavra, a Oração e a administração dos Sacramentos. Calvino citando o teólogo Agostinho, dizendo que devemos ter grande cuidado para não usar, no culto, músicas que sejam levianas ou frívolas. Em vez de usar cânticos vãos e prejudiciais, ele sugere que os cristãos se acostumem a usar os Salmos, de músicas mais sóbrias, e a serem moderados, usando músicas que tenham peso e majestade, próprios para a igreja do Senhor Jesus Cristo.
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Neste movimento de olharmos para o passado podemos reavivar novamente os desafios presentes emanados da Reforma: a Sola Scriptura, nos desafia a vivermos a vida cristã centrada nas Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus; a Sola Gratia nos desafia a reconhecer a salvação e a vida cristã fundamentadas na Graça do Senhor e não nas obras humanas; a Sola Fide nos desafia a evocar a fé e o compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus; a Solus Christus nos desafia a anunciava que o próprio Cristo esta construindo a Sua Igreja na terra sendo seu único Senhor; e a Soli Deo Gloria desafiarmos a buscarmos enfatizandio que a finalidade maior da Igreja é glorificar a Deus. .

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