segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PREDESTINAÇÃO

PREDES~1“Na Sua onisciência, Deus predestinaria um número exato de pessoas para ser condenado e outro para descansar eternamente? Teria cada homem seu destino traçado?”

Acreditamos que Deus, na Sua onisciência, por meio de leis científicas e matemáticas, sabe quantos vão vencer a batalha da fé e terminar triunfantes na eterna glória, porém, isso nada tem a ver com a predestinação fatalista (João 17:5).

No que tange à predestinação, ela se baseia, em essência, no “conhecimento anterior” de Deus, no sentido de que o Seu “amor eterno” e preocupação e interesse pelos crentes é que está em foco. Aqueles sobre quem fixou Seu coração de antemão, portanto, são aqueles que se tornaram o alvo de seu decreto determinador.

Este decreto determinador não é um mero pronunciamento judicial, mas é indubitavelmente acompanhado por um poder orientador e criador, através do Espírito Santo, que garante o cumprimento do propósito de Deus.

O grande alvo da predestinação é a chamada dos crentes dentro do tempo, e o resultado de ambas as coisas é a transformação do crente segundo a imagem de Cristo, tanto moral (no que tange à participação do crente na própria santidade de Deus, tal como Cristo dela participa), como metafísica (no que convence a natureza essencial de Cristo).

Não existe, portanto, predestinação para a condenação. Por exemplo: O caso do endurecimento do coração de Faraó, por dez vezes consecutivas, a Bíblia diz que ele mesmo de endureceu contra a ordem de Deus (Êxodo 7:13; 8:15,19,32; 9:7,34,35; 13:15; 14:22), e dez vezes lemos que Deus o endureceu (Êxodo 4:21; 7:3; 9:12; 10:20,27; 11:10: 14:4,8,17).

Theodoret assim explica o caso: “O sol, pelo seu calor, torna a cera mole e o barro duro, endurecendo um, amolecendo outro, produzindo pela mesma ação resultados contrários. Assim, a longanimidade de Deus faz bem a alguns e mal a outros; alguns são amolecidos e outros endurecidos”. Contudo, cremos que este amolecimento ou esse endurecimento vem daquilo que o homem apresenta a Deus: um coração contrito, ou orgulhoso.

Deus não endurece o coração de um indivíduo, necessariamente com uma intervenção sobrenatural; o endurecimento pode ser produzido pelas experiências normais da vida, operando através dos princípios e do caráter da natureza humana, que são determinados por Ele. Esta verdade é profundamente hebraica. Um exemplo semelhante desta forma hebraica de pensamento encontra-se em Marcos 4:12, onde Jesus apresenta sua razão para ensinar a verdade sob a forma de parábolas.

Em outras palavras, apesar de a Bíblia declarar que Deus predestina para a vida, para a transformação segundo a imagem de Cristo e para a santidade, isto não quer dizer que Ele predestine algumas pessoas para a condenação conforme os teólogos calvinistas mais radicais tem imaginado. Deus predestina segundo a Sua presciência (I Pedro 1:2).

As Escrituras denominam tão-somente os crentes de eleitos, chamados, escolhidos e predestinados, mas sempre relacionados com a sua posição em Cristo, como as varas na videira. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17). Todo aquele que crê em Jesus, e pela fé permanece n’Ele, tem a vida eterna e não entrará em condenação (João 15; Romanos 8.28-30).

O fatalismo e a predestinação absoluta nunca fizeram parte da doutrina e tradição apostólica, e são comuns às seitas heréticas que se consideram favoritas da Divindade e responsáveis pelo desinteresse, frustração e  miséria de muitos indivíduos, povos e igrejas.

Analisando a idéia do destino na linguagem popular, vemos que significa uma forma sobrenatural, indomável e irresistível, da qual não podemos fugir e que limita a nossa liberdade e vontade.

Por ser uma maneira muito cômoda de pensar e agir, é ela perfilhada por várias religiões e filosofias (fatalismo) e até por confissões religiosas (predestinação absoluta), mas sem base no ensino das Sagradas Escrituras.

Desde épocas imemoriais o homem tem tido o hábito de acumular na lembrança, através de sua agitada existência, pequenos fracassos, desventuras e fatalidades, e com elas construiu um monstro a que deu o nome de “destino”, que compreende como uma determinação imutável, esquecendo as inúmeras bênçãos, vantagens e vitórias alcançadas na adversidade.

Sendo o destino o fim para que tende qualquer ação, o lugar a que se dirige a pessoa ou objetivo em causa, ele está sujeito às leis espirituais e materiais que regem o Universo.

Assim, a vida é composta de bons e maus sucessos, em conformidade com o tempo, o local, o ambiente, a experiência e a atitude do indivíduo em relação a estes elementos. Cada homem tem, pois, que procurar, na prática de uma boa consciência, o caminho da verdade e do dever, sejam quais forem as consequências de sua determinação.

Está escrito na Bíblia que só Deus é realmente bom, não pode ser melhor do que é visto ser a personificação do Amor (Lucas 18:19. I João 4:8). Como pessoa livre, perfeita e justa, criou o homem à Sua imagem e tornou-se o alvo de toda a dedicação (Gênesis 1:26,27; Salmo 8). Como podia Deus fazer acepção dentre as suas criaturas e determinar-lhes destinos diferentes, senão aqueles que eles próprios como seres livres e feitos à semelhança da mesma Divindade, desejarem de “motu próprio” trilhar (Romanos 2:11-16; 10:12-17)?

Deus não apenas seria imperfeito, mas também a encarnação da matéria e maldade, se nos induzisse a acreditar no Evangelho para nossa salvação, quando afinal já determinara que nos havíamos de perder ou salvar.

Portanto, nenhum homem, grupo ou organização tem privilégios diante de Deus, a não ser aquele que voluntariamente aceita Jesus como Salvador; porque Deus não faz acepção de pessoas, e muito menos predetermina, para certos grupos, um juízo, um destino cruel na Eternidade. Sobre o assunto a Bíblia diz: “Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?” (Ezequiel 33:11) “Porque Eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11)

* Adaptado de: “A Bíblia Responde” – Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1983.

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