terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ainda Quero Ser Evangélico…

Pr. Magdiel G. Anselmo1
“Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para a edificação. Porque Cristo não se agradou a si mesmo, antes, esta escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. Pois tudo que outrora foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” [Romanos 15: 1-7]
De uns tempos pra cá, ser evangélico tornou-se sinal de status. Muitas pessoas se dizem evangélicas e pertencerem a uma igreja evangélica sem, contudo, ter uma vida coerente com esse título. Houve uma banalização do nome evangélico e até das próprias denominações evangélicas históricas existentes.

A busca por uma nova forma e filosofia de vida que caracteriza o indivíduo inconstante e confuso dessa sociedade pós-moderna trouxe ao meio evangélico muitos que equivocadamente pensavam que ser um evangélico era simplesmente adquirir o título e ostentá-lo como fazem tantos nas religiões diversas existentes. Artistas, desportistas, celebridades, filósofos de ocasião, teólogos ímpios e até políticos se tornaram “evangélicos” e alguns, depois de um tempo, desistiram. Mas, alguns permaneceram sendo assim chamados, para desapontamento da Igreja.

Favorecendo esta atitude, o assombroso crescimento das igrejas neo-pentecostais trouxe uma multidão de pessoas “convertidas” que freqüentavam templos ditos “evangélicos” por todo nosso país.

Alguns destes pseudo-conversos conseguiram até alcançar o título de ministros, de pastores, bispos, apóstolos e formaram discípulos. E com o carisma característico do manipulador e a facilidade em convencer multidões, iludiram muitos com “teologias” sem sentido e com graves incoerências (até o aborto era apoiado) e inconsistências que pareciam admiráveis a primeira vista, mas que não suportavam uma confrontação séria com as doutrinas bíblicas fundamentais do Cristianismo.

Diante de tamanha falsidade e falta de seriedade com o verdadeiro Evangelho de Cristo, era natural que os verdadeiros evangélicos reagissem, tentando alertar as pessoas dessa insensatez e mentira.

Mas, qual não foi a surpresa.

Como é próprio dos imaturos e inconstantes espiritualmente (Romanos 15), muitos cristãos não perceberam a astúcia maligna dessa crescente onda de novos evangélicos e se juntaram a eles contra atacando aqueles que defendiam a verdadeira Igreja e o verdadeiro Evangelho. E mais, afirmavam que não eram imaturos. Os imaturos eram os seus opositores.

Os que mostravam incansavelmente e biblicamente os equívocos e erros doutrinários dos pseudoevangélicos eram tidos como “fariseus”, “religiosos”, “tradicionalistas”, “fundamentalistas” e alguns até os denominavam de “hiper-calvinistas”, como se o calvinismo tivesse alguma coisa a ver com essa questão. Calvino e Arminius tiveram seu tempo para argumentar, debater e servir a Deus. Os deixemos descansar em paz. Já temos nossos problemas, não acrescentemos os do passado.

A defesa da fé não é uma doutrina calvinista ou arminiana, é uma orientação bíblica (Judas 1). Interessante que os irmãos que deveriam estar cerrando fileiras contra os falsos ensinos e doutrinas de demônios acusavam os defensores da fé evangélica de se posicionarem em seus “pedestais de donos da verdade” e ainda de pronunciar vãos discursos fervorosos sobre questões teológicas. Demonstrando um total desconhecimento do que é teologia e para que ela serve.

Mesmo quando estes tais discursos e debates teológicos eram comprovadamente respaldados e fundamentados no texto bíblico, continuavam a negar estes princípios, justificando essa intransigência pelo uso do amor cristão e da evangelização. Como se o amor e evangelização legitimamente cristã fosse totalmente desvinculada do ensino bíblico. Como se o pecado pudesse habitar tranquilamente com a santidade. Como se o erro encontrasse apoio para sua preservação nas Escrituras. Como se a omissão em dizer a Verdade Bíblica fosse um comportamento digno de um cristão.

A omissão da verdade era quase que uma ordem. Confrontar o erro era desrespeitoso e aconselhavam (como se tivessem condições e base bíblica para isso) os fiéis a Palavra de Deus que tivessem cuidado com o que falavam ou escreviam. Tudo em prol de uma falsa e pretensa maturidade, unidade e comunhão.

Como os que defendiam uma postura bíblica diante do engano não se acovardassem com as provocações e os insultos, e de uma pressão e desconforto com a situação e por não possuírem argumentos bíblicos consistentes para defenderem suas atitudes e posicionamentos ao lado de opositores do Cristianismo, alguns movidos pela emoção, erradamente e precipitadamente resolveram abdicar do seu título de evangélico e decidiram que não queriam ser mais chamados assim. Desprezando a própria definição do termo “evangélico” (que significa seguidor do Evangelho de Cristo, das Boas Novas de Salvação), em tom de desabafo não o queriam mais associados a esse termo.

E com isso, os enganados e os enganadores passeavam no meio evangélico tendo o apoio de grupos de outras religiões frontalmente contrárias ao Cristianismo. Os que defendiam um evangelho antropocêntrico, o sincretismo religioso e o liberalismo teológico aplaudiam de pé. E o nome “evangélico” era a cada dia mais banalizado e motivo de chacota a ímpios escarnecedores.

Os que sempre defenderam a fidelidade às Escrituras e a sua correta interpretação e pregação ficavam perplexos com tamanha insanidade e desprovimento de conhecimento bíblico e conseqüentemente discernimento espiritual de irmãos que outrora estavam com eles.

Diante disso tudo, uma atitude iracunda, implacável e vingativa seria natural consequência de nossa parte. Porém, não somos assim. Nossa vida foi transformada. Somos nova criatura em Cristo Jesus. E, por isso, mesmo com toda a dureza dos corações daqueles que não se conformam com a orientação bíblica, conseguimos vislumbrar o mover e a presença de Deus nisso tudo.

Porque são nessas circusntâncias  e situações que aprendemos suportar provações e obter a aprovação de Deus. A separação daqueles que mesmo com dano próprio não se retratam por afirmar a verdade daqueles que não entendem inteiramente o que é seguir a Cristo e se juntam aos difamadores e inimigos da fé cristã têm suas vantagens. Faz com que nossa lista de oração cresça e nossa intercessão seja mais produtiva. Faz com que exercitemos nossa fé e paciência e nos apliquemos ainda mais no estudo profundo da Bíblia. Faz com que vigiemos ainda com mais diligência para também não errarmos. Faz com que amemos mais, pois alertar do erro um irmão é umas das maiores expressões de amor que existe. Quem não ama não se importa. Quem ama, por sua vez, se compromete e se envolve, mesmo que não seja compreendido e mesmo que seja ofendido.

Os que amam realmente, devem suportar estas atitudes imaturas e prosseguir em propagar o que é bom para edificação. Acolher com paciência aos irmãos confusos, na esperança que sejam iluminados para entender.

Os que realmente amam, devem comunicar e advertir insistente e firmemente a verdade bíblica, mas até o limite do bom senso. Não devem se envolver em discussões inúteis que só trazem discórdia e inimizades e não produzem edificação. Os realmente experimentados conseguem discernir isso com sabedoria vinda dos céus. Fazem a sua parte como bons atalaias e em Deus depositam toda a sua confiança e esperança. Suplicam a Deus que em Sua graça e misericórdia faça os discordantes entender e retornar ao bom caminho da verdade de Cristo. Não se omitem em falar a verdade, não se escondem, porém, nunca deixam de amar e de deixar sempre aberto o caminho da reconciliação e do perdão.

Saber que ainda existem cristãos que se importam com a sã doutrina e que batalham pela fé que foi entregue aos santos e que ao mesmo tempo conseguem amar sem ser amados são motivos de alegria e satisfação. Saber que ainda existem muitos que não se dobram a baal e que pelejam diariamente pela fé e amor evangélicos é motivador e incentivador.

Por isso, apesar de tudo, desejo sim ser chamado de evangélico. Desejo sim ter meu nome associado a este termo.

Desta forma, busco mostrar a diferença entre o falso e o verdadeiro. Entre o santo e o profano. Entre o vil e o precioso.

Sou falho, claro. Sou pecador, é óbvio. Mas luto diariamente contra o pecado. Desejo sempre ser melhor cristão do que fui ontem.

Estou aberto à santificação e sei que esse processo em mim é constante.

Amo a Igreja. Amo ao meu Deus.

Creio na Palavra de Deus. Creio que Ele está comigo.

Sou com muita alegria, evangélico, graças a Deus.

Fonte: http://igrejinha.org.br/blog/?p=5217

1 Pastor da Igreja Nova Aliança em Cristo. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sudeste do Brasil e pela Universidade Presbiteriana de Guarulhos, é pós-graduado em Exegese e Interpretação bíblica e mestre em Educação Cristã pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É ainda técnico em suporte na área de informática e professor de Teologia no Seminário Evangélico Nova Vida nas cadeiras de Hermenêutica e Educação Cristã.

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