quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O “pecado” do natal...

Por Ruy Cavalvante1

Aproveitando esta data convencionada como o dia do nascimento do nosso Senhor Jesus Cristo como homem, pois sabemos que Jesus existe desde o princípio, ou melhor, “tudo que existe foi feito por Ele e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3), resolvi “teologar” a respeito das comemorações referentes ao natal, consciente de ser este um assunto um tanto controverso e polêmico, especialmente no meio evangélico.

A história nos conta que os símbolos e tradições natalinas de fato se originaram em festas pagãs geralmente ligadas a adoração de ídolos. Analisemos alguns:

A festa do Natal: A celebração do Natal antecede o cristianismo em cerca de 2000 anos. Tudo começou com um antigo festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de um ano para outro, o Zagmuk. Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise. Devido à chegada do inverno, eles acreditavam que os monstros do caos enfureciam-se e Marduk, seu principal deus, precisava derrotá-los para preservar a continuidade da vida na Terra. O festival de Ano Novo, que durava 12 dias, era realizado para ajudar Marduk em sua batalha. A tradição dizia que o rei devia morrer no fim do ano para, ao lado de Marduk, ajudá-lo em sua luta. Para poupar o rei, um criminoso era vestido com suas roupas e tratado com todos os privilégios do monarca, sendo morto e levando todos os pecados do povo consigo, restabelecendo, segundo a crença, a ordem natural das coisas. Claro que existem outras versões para a origem do natal, mas todos semelhantes a esta.

Papai noel: A crença no Papai Noel, tem origem na Igreja Católica, como uma homenagem prestada ao padre Saint Claus, que conforme relatos, em data próxima ao natal, distribuía presentes entre a população. Inclusive, nos Estados Unidos, o Papai Noel é conhecido por: “Santa Claus”. O bom velhinho, sutilmente toma para si, atributos exclusivos do Todo Poderoso, como a onisciência, pois conhece o comportamento e os pedidos de todas as crianças, e a eternidade, pois se mantém o mesmo sempre. Observo muitos pastores e evangélicos em geral se referir ao papai noel como o inimigo disfarçado o qual com a sua astúcia vem minando e destruindo espiritualmente a humanidade. Há ainda quem diga que o papai noel surgiu de uma estratégia de marketing da empresa de refrigerantes multinacional, Coca-Cola.

Árvore de Natal: A origem da árvore de Natal é mais antiga que o próprio nascimento de Jesus Cristo, ficando entre o segundo e o terceiro milênio A.C. Naquela época, uma grande variedade de povos indo-europeus que estavam se expandindo pela Europa e Ásia consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade da “Mãe Natureza”, por isso lhes rendiam culto. O carvalho foi, em muitos casos, considerado a rainha das árvores. No inverno, quando suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar diferentes enfeites nele para atrair o espírito da natureza, que se pensava que havia fugido. A árvore de Natal moderna surgiu na Alemanha e suas primeiras referências datam do século 16. Foi a partir do século 19 que a tradição chegou à Inglaterra, França, Estados Unidos, Porto Rico e depois, já no século 20, virou tradição na Espanha e na maioria da América Latina.

Existem ainda outros símbolos como os enfeites de natal e o presépio, todos extraídos de cultos ou crenças pagãs (entenda-se pagã como uma sociedade que não acredita no Deus Todo-poderoso, o Deus de Israel) e diante destes fatos, que me parecem irrefutáveis levando-se em conta as pesquisas já realizadas neste sentido, com vasta publicação pela internet ou em livros relacionados, eu sou tentado a fazer o seguinte questionamento:

E daí?

Qual o problema em festejarmos o nascimento de nosso Salvador numa data convencionada mesmo sabendo não corresponder com a data correta? Ou o que temos a ver com o fato de pessoas haverem, num determinado momento da história, utilizado alguns dos objetos presentes nas festas natalinas para adorar outros deuses? Afinal nós, os evangélicos, comemoramos nesta data o deus sol ou o nosso Eterno e Supremo Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e que por seu grande amor se entregou a morte pra nos salvar de toda condenação que tínhamos em conseqüências de um dia sermos idólatras e termos servido a outros deuses? Ou não é verdade que foi Cristo quem criou TODAS as coisas assim como afirmou João, o discípulo amado de Jesus?

O salmo 148 afirma que toda a criação deve louvar ao Senhor, pois com esse propósito todas as coisas foram criadas, desde os seres viventes até os seres inanimados. Por outro lado, o papel de satanás foi sempre “Matar, roubar e destruir” (João 10:10), e é exatamente isso que ele vem tentando fazer, tomar para si aquilo que pertence a Deus, inclusive a adoração. Foi exatamente isto que ele tentou fazer no deserto, oferecendo todos os reinos do mundo em troca da adoração de Jesus e isso é o que ele tem conseguido fazer com aqueles que não conhecem a Cristo. Porém nós o conhecemos e o natal é para nós muito mais do que a comemoração do nascimento do homem Jesus, mas é a data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo em nossas vidas, nos justificando e nos redimindo do pecado e nos livrando de toda a maldição da lei, sofrendo em nosso lugar todo aquilo que deveríamos sofrer e pagando toda a dívida que era contra nós. Dessa forma não pertencemos mais a satanás e sim ao Senhor detentor de todo o poder no céu e na terra, Jesus Cristo (Mateus 28:18).

O pecado, ensina a palavra de Deus, habita na intenção do coração e a respeito disso Tito também afirma que “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados”. (Tito 1:15)

É preciso conhecer a palavra de Deus para não desviarmos da verdadeira fé e assim estarmos propensos a todo tipo de vã doutrina usada com o pretexto de tornar as pessoas mais espirituais, como um falso ascetismo, trazendo com isso o famoso fardo dos usos e costumes que, a meu ver, substituem os jugos da lei, dos quais Jesus também nos livrou. Se assim não fosse, inúmeras atitudes e costumes comuns a nossa sociedade e aos cristãos evangélicos estariam impedindo de alcançarmos a santidade exigida por Deus, afastando-nos da pureza a qual deveríamos andar (Hebreus 12:14) como por exemplo uma grande parte dos animais que completam nossa alimentação diária, pois era assim antes de Jesus nos libertar (I Timóteo 4:1-5).

Nesse sentido redijo minha conclusão, afirmando não reconhecer algum pecado nesta comemoração, salvo quando esquecemos Cristo e dedicamos o nosso dia de natal exclusivamente a nós mesmos, aos presentes e símbolos, sem lembrar Quem de fato nasceu para nos salvar. Deus seja conosco.

1Ruy Cavalcante de Oliveira Sobrinho é casado com Caren Oliveira, pai de uma princesa (Débora Oliveira), evangélico, apologeta, bacharel em Teologia e Bacharelando em Ciências Sociais.

Fonte: http://intervalocristao.blogspot.com/2006/12/o-pecado-do-natal.html

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