domingo, 31 de outubro de 2010

Martinho Lutero: "Não me envergonho do Evangelho"

Franklin Ferreira

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A época em que Lutero viveu foi de grandes mudanças e inquietações. Foi o tempo do descobrimento das Américas. Imperadores, reis, generais e papas lutavam entre si, para tentar moldar a Europa moderna. A igreja católica era espiritual, cultural e politicamente soberana, e as tentativas de Reforma de uma Igreja corrompida, como as de Wycliffe e Huss, foram esmagadas. Surgiram gênios como Erasmo de Roterdã, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, Cristóvão Colombo, Copérnico. Mas a Baixa Idade Média foi marcada por uma inquietação profunda com a morte, a culpa e a perda de sentido. A teologia de Martinho Lutero foi uma resposta às ansiedades dessa época.

A peregrinação espiritual

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Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, na Alemanha, na vila de Eisleben, filho de um minerador de prata, mas foi criado em Mansfeld, na Turíngia. Teve uma infância de grandes privações, que o marcaram profundamente. Com 14 anos, foi enviado para Magdeberg, para estudar com os Irmãos da Vida Comum, e ali iniciou-se na piedade pessoal. Foi nessa escola que Lutero viu pela primeira vez uma Bíblia. Ele ficou pouco tempo na ordem, pois uma enfermidade o obrigou a voltar para casa.

Quando Lutero tinha 18 anos, em 1501, seu pai, desejando torná-lo um jurista, o enviou para a Universidade de Erfurt. Ele adquiriu um grande conhecimento de gramática, lógica, metafísica e música. Mas logo se interessou pela teologia escolástica de William de Ockham e especialmente pela de Gabriel Biel, que afirmava que Deus não haveria de negar sua graça ao homem que fizesse tudo quanto estivesse em seu poder, e pelo humanismo, que era a redescoberta da cultura clássica. Em 1502, recebeu o grau de bacharel em artes, e em fevereiro de 1505 recebeu o título de mestre. No mesmo ano ingressou no curso de direito.

Mas uma convulsão assaltou Lutero. Filipe Melanchthon disse: "Amiúde ao pensar na ira de Deus e em seus juízos, ficava tão atemorizado que quase perdia o alento". Contra a ira de Deus, Lutero não tinha onde buscar refúgio. Na Páscoa de 1503, ele se feriu gravemente, e depois confessou: "Teria morrido, apoiando-me em Maria". O fato decisivo que o levou a ingressar, na manhã de 18 de julho de 1505, no convento dos Eremitas Agostinianos foi uma tempestade violenta que desabou perto dele, quando ia de casa para a Universidade. Tinha então 22 anos. Ao perceber sua fragilidade, a consciência clamou: "Eu, Martinho Lutero, como serei salvo?". Em suas palavras: "Eu me dizia continuamente: Oh! se pudesse ser verdadeiramente piedoso, satisfazer teu Deus, merecer a graça! Eis os pensamentos que me lançaram no convento!".

A ordem monástica que Lutero havia escolhido se distinguia ao mesmo tempo pela seriedade de seu labor teológico e pela dureza de sua regra. Em 1507, foi ordenado, na Catedral de Santa Maria. Mas, no centro de seu pensamento gravita Deus, o Deus de majestade, o Deus que tem seu trono nos altos céus, o todo-poderoso, o Juiz, o Vivo, o Santíssimo, o Senhor que odeia o pecado e condena o pecador. Lutero, na tentativa de tornar-se justo, descreveu-se:

"Eu guardei a regra da minha ordem tão estritamente que posso dizer que se algum monge fosse ao céu pelo monasticismo seria eu... Se tivesse continuado por mais tempo, teria me matado com vigílias, orações, leituras e outros trabalhos."

Ele tinha um espírito quebrantado e estava sempre triste.

O caminho da Reforma

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Por causa de sua piedade e inteligência, em 1511, ocorreu um fato que mudaria para sempre sua vida. Johann von Staupitz, o superior da ordem agostiniana na Alemanha, disse que ele precisava preparar-se para a carreira de pregador e tornar-se doutor em Teologia. Lutero, a princípio, não aceitou, mas Staupitz encerrou a questão:

"Tudo deixa entrever que dentro em pouco nosso Senhor terá muito trabalho no céu e na terra. Então, precisará de um grande número de jovens doutores laboriosos. Que vivas, pois, ou que morras, Deus tem necessidade de ti em seu conselho".

Em 19 de outubro de 1512, Lutero obteve o grau de doutor em Teologia. Em suas palavras: "Eu, dr. Martin, fui chamado e forçado a tornar-me doutor, contra a minha vontade, por pura obediência e tive de aceitar um cargo de ensino como doutor, e prometo e voto pelas Sagradas Escrituras, que tanto amo, pregar e ensiná-las fiel e sinceramente".

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No inverno de 1512, Lutero começou a se preparar para as suas preleções sobre Salmos (1513-1515), Romanos (1515-1516), Gálatas (1516-1517), Hebreus (1517) e novamente Salmos (1518-1519). Ele começou a trilhar o caminho da Reforma, como observou mais tarde: "No transcorrer desses estudos, o papado soltou-se de mim". Abandonou o método de interpretação alegórico, que era dominante, e os comentários dos teólogos escolásticos, pois não contribuíam para uma compreensão do texto. E passou a apoiar-se nos comentários de Agostinho, o grande pregador da doutrina da livre graça de Deus.

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Augustus Nicodemus Lopes disse que a hermenêutica de Lutero resgatou as Escrituras do cativeiro da exegese medieval. Qualquer estudante que conheça as obras de Lutero, especialmente os seus comentários, "percebe que o método gramático-histórico moderno de interpretação está, muitas vezes, apenas aperfeiçoando a obra do grande reformador". Através de laboriosos estudos das Escrituras, Lutero chegou a ver que a culpa que o consumia não poderia ser retirada por mais religião, e o Deus que ele tanto temia não era o Deus revelado por Cristo. Disparado de Romanos 1.17, outro relâmpago cruzou seu caminho:

Noite e dia eu ponderei, até que vi a conexão entre a justiça de Deus e a afirmação de que "o justo viverá pela fé". Então eu compreendi que a justiça de Deus era aquela pela qual, pela graça e pura misericórdia, Deus nos justifica através da fé. Com base nisso eu senti estar renascido e ter passado através de portas abertas para dentro do paraíso. Toda a Escritura teve um novo significado, e se antes a justiça me enchia de ódio, agora ela se tornou para mim inexprimivelmente doce em um maior amor. Essa passagem de Paulo se tornou para mim um portão para o céu.

Ele descobriu que na Escritura, como diz a Confissão de Augsburgo, Ensina-se também que não podemos alcançar remissão do pecado e justiça diante de Deus por mérito, obra e satisfação nossos, porém que recebemos remissão do pecado e nos tornamos justos diante de Deus pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé, quando cremos que Cristo padeceu por nós e que por sua causa os pecados nos são perdoados e nos são dadas justiça e vida eterna. Pois Deus quer considerar e atribuir essa fé como justiça diante de si, conforme diz São Paulo em Romanos 3 e 4.

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Lutero afirmou depois que a justificação pela graça é "o artigo pelo qual a igreja se mantém ou cai". E desvencilhou-se daquilo que foi chamado como "o pior erro gramatical do mundo", isto é, a idéia medieval de que o homem faz-se justo. Erroll Hulse afirmou que a única vez, no Novo Testamento, em que lemos que a expressão anátema - "seja maldito" - sendo repetida duas vezes se encontra em Gálatas 1.9. O apóstolo declara que quem quer que perverta a justificação pela fé "seja maldito". Não importa quão notório seja o ministro, mesmo que seja um anjo do céu, seja ele maldito.

Lutero também era o pastor da igreja da cidade de Wittenberg, e começou a pregar sua fé recém-descoberta para a congregação. Mas, ao mesmo tempo, um monge chamado Johann Tetzel, representante do papa Leão X, estava vendendo indulgências para levantar dinheiro para a construção da Catedral de São Pedro, em Roma. As indulgências eram cartas de absolvição que garantiam o perdão dos pecados. Tetzel afirmava: "Não vale a pena atormentar-te: podes resgatar teus pecados com dinheiro! Pagando, podes escapar dos sofrimentos do purgatório e aliviar os dos outros!", e tudo embalado pelo cântico: "A alma sai do purgatório no preciso momento em que a moeda ressoa na caixa". Para Lutero, isso era uma perversão do evangelho.

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Em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou, na porta da Igreja do Castelo, em Wittenberg, o Debate para o esclarecimento do valor das indulgências, que haveria de marcar o princípio da Reforma. Escolhe¬ra intencionalmente aquela data, pois o dia seguinte seria a festa de Todos os Santos, e o príncipe eleitor Frederico ofereceria à veneração de seu povo sua preciosa coleção de 17.443 relíquias — que incluí¬am um dente de Jerônimo, quatro partes do corpo de João Crisóstomo, quatro fios de cabelo da Virgem Maria, um retalho das fraldas de Jesus, um cabelo de sua barba, um prego de sua cruz, entre outros —, cuja veneração valia para os fiéis 127.779 anos de indulgência! O fato de afixar tese não era grande coisa, pois os eruditos naquele tempo faziam isso; mas, com a invenção da imprensa, essas teses se espalharam pela Europa, dando início à batalha. Estas são algumas das teses:

Ao dizer "Fazei penitência" [o original presenta "penitentiam agite", que é citação da Vulgata. O texto grego usa "metanoeite", que Almeida RA reproduz mais adequadamente por "arrependei-vos" (Mt 4.17)] etc, nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

Pregam doutrina humana aqueles que dizem, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório].

Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão plena de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

Vã é a confiança de salvação conferida pelas cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa dessem sua alma como garantia [por elas].

Admoestem-se os cristãos que procuram seguir seu cabeça, Cristo, através de penas, da morte e do inferno.

E assim confiem entrar no céu passando antes por muitas tribulações do que pela segurança da paz infundada.

Traduzidas para o alemão, em poucas semanas essas teses se espalharam por toda a Europa.

Diante de reis e príncipes

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Os eventos se sucedem com rapidez. Em 1518, Lutero recebe o apoio de Frederico, príncipe eleitor da Saxônia. Em 1519, partici¬pa do debate de Leipzig, contra Johann Eck. Em 1520, escreve três obras importantes: A nobreza cristã da nação alemã, contra a hierar¬quia romana, Do cativeiro babilónico da igreja, contra o sistema sa¬cramental de Roma, e Sobre a liberdade cristã, afirmando o sacerdócio de todos os crentes. Em 10 de dezembro de 1520, queima os livros de direito canónico e a bula papal que o ameaçava de excomunhão. No início de 1521, foi convocado a Worms, perante o imperador Carlos V e os príncipes da Alemanha, para prestar contas de seu ensino. Depois de dois dias de debates, no qual o que estava em jogo era a autoridade das Escrituras, ao ser instado a retratar-se e retornar à comunhão com Roma, Lutero exclama:

Já que me pede uma resposta simples, darei uma que não deixa margem a dúvidas. A não ser que alguém me convença pelo testemunho da Escritura Sagrada ou com razões decisivas, não posso retratar-me. Pois não creio nem na infalibilidade do papa, nem na dos concílios, porque émanifesto que freqüentemente se têm equivocado e contradito. Fui vencido pelos argumentos bíblicos que acabo de citar e minha consciência está presa na Palavra de Deus. Não posso e não quero revogar, porque é perigoso, e não é certo agir contra sua própria consciência. Que Deus me ajude. Amém.

Era a noite de 18 de abril de 1521, e um novo dia raiou para a cristandade. Proscrito pelo imperador, Lutero foi posto em segurança por Frederico, através de um seqüestro simulado durante sua viagem de retorno, e escondido no Castelo de Wartburgo, nas proximidades de Eisenach. Sua principal realização nesse período foi a tradução do Novo Testamento grego para um alemão fluente. Os primeiros cinco mil exemplares esgotaram-se em três meses. Em cerca de dez anos houve cinqüenta e oito edições.

200px-Hans_Holbein_d._J._047Em 1524, Erasmo entrou no debate com Lutero sobre o livre-arbítrio, escrevendo um tratado sobre o tema. Erasmo entendia a salvação como resultado da graça de Deus, mas agindo em cooperação com a vontade humana. Lutero respondeu com Da vontade cativa. "Apenas você", ele disse, "atacou a questão verdadeira, isto é, a questão inicial [...]. Apenas você percebeu o eixo ao redor do qual tudo gira, e apontou para o alvo vital". Ele afirmou que, depois da queda, a humanidade está incapacitada de optar pelo bem, confessando que a salvação é totalmente pela graça.

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Para Lutero, não podemos entender o mistério da predestinação: "Todas as objeções à predestinação procedem da sabedoria da carne!". Não se pode permitir que Deus seja julgado pela justiça humana: "Deixe Deus ser Deus!". Para ele, Da vontade cativa foi sua obra mais importante, porque o que estava em jogo era a questão da salvação e da soberania de Deus.

Em junho de 1525, Lutero casou-se com Katharina von Bora, uma jovem freira que abandonara o convento de Nimbschen. Juntos eles tiveram seis filhos e criaram quatro órfãos. Ele escreveu que "o casamento é uma escola muito melhor para o caráter do que qualquer monastério".

Expansão e consolidação

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Em 1529, os príncipes luteranos reuniram-se em torno de uma resolução que impedia a introdução da Reforma em seus territórios, mas exigia liberdade de culto romano nos territórios conquistados pela Reforma. A recusa solene dos príncipes de fé evangélica — como se chamavam — de concordar com essa imposição tornou-os conhecidos como protestantes.

Os últimos anos da vida de Lutero não foram tão dramáticos como os anos del517al525. Muitos livros e sermões continuaram sendo produzidos. De todos os livros, o favorito do próprio Lutero era o Catecismo menor, de 1529, que, com perguntas e respostas simples, explicava os Dez Mandamentos, o Credo dos Apóstolos e a Oração do Senhor, além de alguns princípios para a vida cristã à luz do seu entendimento do evangelho. No prefácio ao Catecismo maior, ele escreveu:

wartburg-lutherstube-smallFaço como criança a que se ensina o Catecismo: de manhã, e quando quer que tenha tempo, leio e profiro, palavra por palavra, o Pai-Nosso, os Dez Mandamentos, o Credo, alguns salmos etc. Tenho de continuar diariamente a ler e estudar, e, ainda assim, não me saio como quisera, e devo permanecer criança e aluno do Catecismo. Também me fico prazerosamente assim. [...] Existe multiforme proveito e fruto em ler e exercitá-lo todos os dias em pensamento e recitação. É que o Espírito Santo está presente com esse ler, recitar e meditar, e concede luz e devoção sempre nova e mais abundante, de tal forma que a coisa de dia em dia melhora em saber e é recebida com apreço cada vez maior.

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Lutero faleceu aos 62 anos de idade, em 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben. Com um grande cortejo fúnebre, e ao som de todos os sinos, ele foi sepultado sob as lajes da Igreja do Castelo de Wittenberg, onde sempre pregou o evangelho. Filipe Melanchthon celebrou o serviço fúnebre em 22 de fevereiro. Por essa época, a influência de Lutero já se havia espalhado não só pela Alemanha, mas também por partes da Holanda, Suécia, Dinamarca e Noruega. A Reforma seguia seu curso de forma poderosa.

Karl Barth, ao entender que o verdadeiro legado de Lutero residia em sua percepção da livre graça de Deus em Cristo, que alcança o homem em seu estado de rebelião, morte e idolatria, afirmou: "Que mais foi Lutero, além de um professor da igreja cristã que não se pode celebrar de outra maneira senão ouvindo-o?".

Fonte: http://www.josemarbessa.com/2010/08/martinho-lutero-nao-me-envergonho-do.html

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

História das Assembleias de Deus no Brasil

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No início do século XX, apesar da presença de imigrantes alemães e suíços de origem protestante e do valoroso trabalho de missionários de igrejas evangélicas tradicionais, nosso país era quase que totalmente católico. A origem das Assembleias de Deus no Brasil está no fogo do reavivamento que varreu o mundo por volta de 1900, início do século 20, especialmente na América do Norte. Os participantes desse reavivamento ficaram cheios do Espírito Santo da mesma forma que os discípulos e os seguidores de Jesus durante a Festa Judaica do Pentecoste, no início da Igreja Primitiva (Atos 2).

Assim eles foram chamados de "pentecostais". Exatamente como os crentes que estavam no Cenáculo, os precursores do reavivamento do século 20 falaram em línguas quando receberam o batismo no Espírito Santo. Outras manifestações sobrenaturais tais como profecia, interpretação de línguas, conversões e curas também aconteceram (Atos 2). Quando Daniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belém do Pará, em 19 de novembro de 1910, ninguém poderia imaginar que aqueles dois jovens suecos estavam para iniciar um movimento que alteraria profundamente o perfil religioso e até social do Brasil por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da Humanidade e a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais.

As igrejas existentes na época - Batista de Belém, Presbiteriana, Anglicana e Metodista, ficaram bastante incomodadas com a nova doutrina dos missionários, principalmente por causa de alguns irmãos que se mostravam abertos ao ensino pentecostal. A irmã Celina de Albuquerque, na madrugada do dia 18 de junho de 1911 foi a primeira crente a receber o batismo no Espírito Santo, o que não demorou a ocorrer também com outros irmãos. O clima ficou tenso naquela comunidade, pois um número cada vez maior de membros curiosos visitava a residência de Berg e Vingren, onde realizavam reuniões de oração. Resultado: eles e mais dezenove irmãos acabaram sendo expulsos da Igreja Batista. Convictos e resolvidos a se organizar, fundaram a Missão de Fé Apostólica em 18 de junho de 1911, que mais tarde, em 1918, ficou conhecida como Assembleia de Deus.

Em poucas décadas, a Assembleia de Deus, a partir de Belém do Pará, onde nasceu, começou a penetrar em todas as vilas e cidades até alcançar os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em virtude de seu fenomenal crescimento, os pentecostais começaram a fazer diferença no cenário religioso brasileiro. De repente, o clero católico despertou para uma possibilidade jamais imaginada: o Brasil poderia vir a tornar-se, no futuro, uma nação protestante.

A Assembleia de Deus é uma comunidade protestante, segundo os princípios da Reformada Protestante pregada por Martinho Lutero, no século 16, contra a Igreja Católica. Cremos que qualquer pessoa pode se dirigir diretamente a Deus baseada na morte de Jesus na cruz. Este é um relacionamento pessoal e significativo com Jesus. Embora sejamos menos formais em nossa adoração a Deus do que muitas denominações protestantes, a Assembleia de Deus se identifica com eles na fundamentação bíblica-doutrinária, com exceção da doutrina pentecostal (Hebreus 4.14-16; 6.20; Efésios 2.18).

A Assembleia de Deus é uma igreja evangélica pentecostal que prima pela ortodoxia doutrinária. Tendo a Bíblia como a sua única regra de fé e prática, acha-se comprometida com a evangelização do Brasil e do mundo, conformando-se plenamente com as reivindicações da Grande Comissão. A doutrina que distingue as Assembleias de Deus de outras igrejas diz respeito ao batismo no Espírito Santo. As Assembleias de Deus creem que o batismo no Espírito Santo concede aos crentes vários benefícios como estão registrados no Novo Testamento. Estes incluem poder para testemunhar e servir aos outros; uma dedicação à obra de Deus; um amor mais intenso por Cristo, sua Palavra, e pelos perdidos; e o recebimento de dons espirituais (Atos 1.4,8; 8.15-17).

As Assembleias de Deus creem que quando o Espírito Santo é derramado, ele enche o crente e fala em línguas estranhas como aconteceu com os 120 crentes no Cenáculo, no Dia de Pentecoste. Embora esta convicção pentecostal seja distintiva, a Assembleia de Deus não a tem como mais importante do que as outras doutrinas (Atos 2.4). O seu Credo de Fé realça a salvação pela fé no sacrifício vicário de Cristo, a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais e a bendita esperança na segunda vinda do Senhor Jesus.

Consciente de sua missão, a Assembleia de Deus não prevalece do fato de ter, segundo algumas estatísticas, em torno de oito milhões de membros. Apesar de sua força e penetração social, optou por agir profética e sacerdotalmente. Se por um lado, protesta contra as iniquidades sociais, por outro, não pode descurar de suas responsabilidades intercessórias.

Sendo uma comunidade de fé, serviço e adoração, a Assembleia de Deus não pode furtar-se às suas obrigações - proclamar o Evangelho de Cristo e promover espiritual, moral e socialmente o povo de Deus. Somente assim, estaremos nos firmando, definitivamente, como agência do Reino de Deus. As Assembleias de Deus não são a única igreja.

Deus está usando muitos outros para alcançar o mundo para Ele. Nos cenários brasileiro e mundial somos uma das muitas denominações comprometidas em conduzir crianças, adolescentes, jovens e adultos a Cristo. Nossa oração nas Assembleias de Deus é que sejamos usados por Deus para ajudar os perdidos e propiciar um ambiente onde o Espírito Santo possa realizar sua obra especial na vida dos que creem.

Se você ainda não pertence à uma igreja, queremos lhe convidar a adorar a Deus em Espírito e em verdade, numa de nossas igrejas (João 4.24).

Obrigado e que Deus continue abençoando a nossa Nação, e a Assembleia de Deus, levando uma Palavra autêntica de Norte a Sul e de Leste a Oeste, sendo e fazendo Discípulos de nosso Senhor JESUS CRISTO!

Fonte: http://blogs.abril.com.br/cristao/2010/04/historia-das-assembleia-deus.html