quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os malignos profissionais da fé

[Maurício Zágari]1

Eu sugiro que você não leia este post. É sério. Não continue lendo, pois ele vai machucar seu coração. Ele é muito mais um desabafo de mim para mim aqui dentro do meu mosteiro virtual do que uma comunicação com alguém. E vou usar palavras pesadas, muito pesadas, pois não há palavras leves que exprimam o que vou dizer. O assunto de que vou tratar não tem nada de agradável, nao traz edificação direta, não vai trazer alento a sua alma. Na verdade, vou falar de uma abominação. Esta reflexão tem a ver com ganância, com impureza de alma: o uso de dinheiro sagrado para fins que não sejam a obra de Deus. É um assunto sórdido. Um tema que eu gostaria muito, muito, muito que não existisse, mas que infelizmente existe. Se você já leu a seção Por que esse blog existe? do APENAS sabe que eu criei este blog como modo de pôr para fora da minha mente coisas que me incomodam, que o criei para ser um mosteiro onde me fecharia e poria para fora pensamentos que envenenam minha alma. Então por favor não continue lendo, pode ser que um pouco desse veneno respingue em você. Siga por sua conta e risco, pois o que você lerá adiante não é nada bonito.

A verdade é que estou farto de ver pessoas que usam o Evangelho Santo e Sagrado de Jesus Cristo como desculpa para obter ganho financeiro. Muitas e muitas vezes ilícito, falemos a verdade. A Bíblia nos relata que Judas roubava do dinheiro que viabilizava a subsistência dos apóstolos e de Jesus: os séculos se passaram e hoje parece que, em vez de aprender com o que aconteceu com Judas, que terminou sua vida em desgraça, muitos repetem seu exemplo e continuam metendo a mão na bolsa onde está o dinheiro sagrado da obra de Deus. Os Judas, na verdade, se multiplicaram.

Evidentemente que, do mesmo modo que dos doze apenas um era bandido, hoje a maioria dos que atuam e trabalham em igrejas, em ministérios ou instituições religiosas são pessoas sérias, tementes a Deus, verdadeiras servas do Senhor, para quem dinheiro não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio de viabilizar uma vida digna enquanto não chega a hora de partir para a eternidade. Que isso fique claro. Mas não é essa maioria santa que me incomoda, quem mexe com minhas entranhas são a minoria, aqueles calhordas que buscam atuar na obra de Deus para faturar. Palavras pesadas? Ainda dá tempo de parar de ler
este post, não foi falta de aviso, mas são palavras que definem exatamente o tipo de gente que estou descrevendo, não consigo achar outras que explicitem melhor aquilo que descrevem. Se lhe soar agressivo, por favor pare de ler agora, pois não quero ofender ninguém – é uma mera constatação. Mas essas pessoas são inimigas da Igreja que eu amo e, logo, são inimigas do Cristo que eu amo. E contra isso não há meias-palavras. Assim. serei incisivo e firme no que escreverei – ainda há tempo de ir ler um blog bonitinho que fala sobre coisas cor-de-rosa.

O que mais me enoja são aqueles que enxergam o sagrado ministério pastoral como um “emprego estável”. Esses dão-me ânsias de vômito. São indivíduos que veem no pastoreio um caminho fácil de ganhar a vida, que não estão verdadeiramente preocupados com as ovelhas machucadas do Senhor, que não buscam cuidar das feridas dos soldados da batalha: querem saber como lucrar com a guerra. Esses são abomináveis, pois transformam em emprego algo sacrossanto. Gente despreparada para cuidar até de um cachorro, mas que sobe a púlpitos dizendo estar cuidando do rebanho de Cristo. Hipócritas que fingem ter vocação e chamado pastoral para poder ter acesso livre a dizimos e ofertas e assim levar uma vida materialmente tranquila. É por causa de canalhas como esses que o nome da Igreja de Jesus Cristo foi tão enlameada nas últimas décadas.

E se você acha que estou falando apenas de igrejas neopentecostais que apregoam a satânica Teologia da Prosperidade, saiba que não são apenas os lideres dessas igrejas-empresas que fazem isso. Essa corja você encontra em todo tipo de igreja: tradicional, pentecostal, católica, emergente, igrejas nos lares, na internet… Os bandidos da fé estão em toda parte.

Mas não é só nos púlpitos, na TV e na internet que você os encontra. É aquele diácono que mete a mão na salva, o líder de jovens que surrupia dinheiro de campanhas feitas pela mocidade para arrecadar fundos com esse ou aquele propósito, o tesoureiro que manipula o balancete das igrejas para escorregar uma graninha pro bolso. Esses malignos profissionais da fé podem ser encontrados em qualquer departamento de qualquer modelo de igreja ou comunidade cristã. Judas está bem e vive entre nós.

Na área da música, então, nem se fala. Quantos não são os músicos, cantores, instrumentistas, letristas, produtores, gravadoras, marketeiros e bandos de outros profissionais envolvidos na teoricamente chamada área de “louvor e adoração” que louvam e adoram sim, mas Mamon. Que compõem, tocam e interpretam lindas canções mas de olho na bilheteria, no cachê, nos contratos das gravadoras, nas ofertas… Jesus? É só um tema de música. Um argumento. Uma mera desculpa. Alguém cujo nome rima com Cruz, a gente faz uma musiquinha e vamos faturar. Abominação.

A indústria fonógrafica fisgou de jeito os cristãos, que consomem avidamente CDs e DVDs de músicos que muitas vezes vivem vidas devassas. Mas que cantam tão lindo! São milhões de reais movimentados todos os anos, ao ponto de empresas seculares fecharem contrato com músicos ditos “evangélicos”, que, assim, começam a aparecer por força de cláusulas de contrato em programas como o do Faustão. E o povo de Deus acha que isso é um grande avanço do Evangelho!  Escute isso: não é! São apenas artistas fazendo propaganda de seus CDs e DVDs num programa mundano, tendo ao fundo bailarinas dançando seminuas ao som de músicas que usam o nome do Cordeiro de Deus, do Santo dos Santos. Mas essa divulgação vai gerar milhões de reais em vendas, divididos avidamente entre todos os envolvidos como urubus disputam carniça. E nós, crentes, claro, achamos isso sinal da benção de Deus. Um enorme avanco do Evangelho! Não é. Senão Xitãozinho e Xororó cantando meia hora no Faustão seria avanço de quê?! Acorda, minha gente, é só business e nada mais! Claro, usando o Sagrado nome de Jesus. Abominável.

Sem falar dos políticos, que usam aquele ridículo slogan “irmão vota em irmão” para angariar votos. Seria leviano dizer que todo político é ladrão. Não serei leviano. Há homens sérios que ingressam na vida político-partidária com o real intento de ajudar a sociedade. Mas se você consegue acompanhar o desempenho da maioria dos nossos “irmãos” nas instâncias do poder verá que há muita imundície nas chamadas “bancadas evangélicas”. Irmão vota em irmão? Ok. Mas primeiro prove que você é meu irmão. Gere frutos dignos. Não aceite propina. Não faça negociatas. Não entre em esquemas de desvio de dinheiro. Aí sim quem sabe o cidadão Mauricio Zágari vai votar no cidadão probo e ilibado que você é e que por acaso frequenta uma igreja. E não porque você usa o discurso anticasamento gay como bandeira de campanha ou porque diz que é membro de uma igreja. Igrejas estão cheias de joio e a sua carteirinha de membro não me diz absolutamente nada. Seus atos dizem.

Cansei. Cansei de ver alpinistas sociais usando o nome de Cristo para ganhar uma grana. Isso é usar o nome de Deus em vão e vai contra os mandamentos. É pecado e é blasfêmia. O trabalhador é digno do seu salário e é justo que aqueles que labutam com seriedade na obra de Deus recebam uma remuneração digna por isso. A Igreja (como um todo, desde aqueles que se reúnem em lares até os que celebram em catedrais) vive num mundo material e precisa de dinheiro para manter-se. Jesus precisou, tanto que Judas carregava uma bolsa com o dinheiro que mantinha os doze apóstolos e o Mestre em seu ministério. Um pastor de tempo integral precisa de dinheiro para pagar a escola de seus filhos. Um editor de livros cristãos precisa de dinheiro para pagar o almoço. A faxineira que varre o chão da sala ao final de um culto num lar precisa pagar suas contas de gás e luz. Não há mal algum nisso e é bíblico que quem viva para a obra viva da obra. Leia o que Paulo escreveu. É para isso que servem os tão malfalados – porém totalmente bíblicos – dízimos e ofertas: manter uma estrutura material que tenha condições de propagar as Boas-Novas espirituais do Evangelho.

Deus deu aos homens a atribuição de proclamar Sua Palavra, embora a Biblia diga que era algo que os anjos anelavam fazer. Mas coube ao homem essa tarefa. E homens precisam comer, se vestir, ir ao médico, pagar o ônibus. Por isso necessitam do vil metal: mesmo os que dedicam suas vidas à obra de Deus. Em nenhum lugar da Biblia você vê quem quer que seja dizer que é preciso virar um mendigo para pregar Jesus. Ou viver comendo mel com gafanhotos.  Então é licito e bíblico quem se devota 24 horas por dia à causa do Evangelho ser dignamente remunerado por isso.

Mas a grande diferença está em um coisa chamada MOTIVAÇAO.

E é daqueles que são motivados não por Cristo, mas pelas benesses proporcionadas pelo dinheiro que vem do Evangelho que estou com a paciência esgotada. Aquela trupe de sanguessugas que fazem contrabando de dinheiro dentro de bíblias e cuecas para comprar mansões em Miami. A corja que articula e manipula seus superiores para ser ordenada pastor e assim ter um “emprego estável”. A canalha que sobe em púlpitos para vender o máximo possível de seus livros, DVDs ou CDs. Os calhordas que só “louvam a Deus” mediante um cachê vergonhosamente elevado ou a obrigação de que o pastor local adquira tantos de seus CDs. O político apóstata, eleito com slogans biblicos, que faz conluios para levar propinas saídas do dinheiro público. O vendedor de CDs evangélicos piratas. O empresário travestido de pastor que engana os humildes inventando “unções financeiras”. E por aí vai.

Meu consolo é que o juízo virá. E a coisa vai ficar feia para o lado daqueles que amaram mais as riquezas que a Deus. Pior: aqueles que  usaram o nome de Deus para adquirir riquezas.

Peço perdão. Peço perdão a você por minhas palavras duras. Você que acompanha o APENAS sabe que não costumo ser assim. Mas esse assunto me tira do sério e preciso pôr para fora aquilo que esmaga meu coração como uma bigorna. Não quis ofender ninguém. Mas uma consciência tranquila não se ofende com acusações que não lhe ferem. Se você se sentiu mal por eu ter chamado os supostos “cristãos” que usam o nome do Senhor como um meio de faturar de canalhas, calhordas, corja, abomináveis, sórdidos, gananciosos, bandidos e sanguessugas… conforme-se, lamento. Pois desgraçadamente é isso mesmo o que eles são. Não respeitam a santidade absoluta do Rei dos Reis e roubam ou armam para levar um a  mais do dinheiro doado por pessoas sinceras para ser usado em prol do Reino. E isso entala na minha goela, pois é o que há de mais sujo. Pegam dinheiro abençoado e transformam em dinheiro imundo.

Ainda há tempo de mudar de atitude. Se você tem metido a mão na bolsa, arrependa-se agora. Não hoje: agora. Caia de joelhos e clame o perdão de Deus. É impossível servir a Deus e a Mamon. Impossível. Ou seu tesouro está no Céu ou no cofre do banco. Se você tem sido servo dos cifrões, ainda há tempo de dobrar seus joelhos ante o Nazareno e entender que nu você morrerá. E se você tem feito qualquer coisa em nome de Jesus – eu disse qual-quer coi-sa – tendo em vista não o Reino de Deus e sua justiça mas sim seu lucro pessoal… eu choro por você. Por saber que na frente só lhe resta uma interjeição: “ai”.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Fonte: http://apenas1.wordpress.com/2011/12/12/os-malignos-profissionais-da-fe/

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1 Maurício Zágari é jornalista; membro da Igreja Cristã Nova Vida de Copacabana, RJ; formado em Teologia pelo Instituto Bispo Roberto Mcalister de Estudos Cristãos e pelo Instituto Bíblico da Assembléia de Deus na Ilha do Governador; diretor Editorial da editora Anno Domini. Autor dos livros: O Enigma da Bíblia de Gutemberg, 7 Enigmas e um Tesouro e O Mistério de Cruz das Almas; editor e locutor do programa de rádio Mosaico Cristão (Rádio 93 FM – RJ).

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Talvez eu queira ser religioso…

{Héber Lima}

j_0029A curta, porém maravilhosa, Epístola de Tiago, é bem conhecida pela "polêmica" em torno do assunto de fé e obras. Porém, hoje, enquanto lia, atentei para algo um pouco diferente.

"Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo."             [Tiago 1:26-27]

O texto fala sobre religião. Ora, qualquer "cristão" atento para as "atualidades" pode perceber que há um claro movimento "antirreligiosidade". Eu mesmo sou um dos defensores de tal "causa".

Devido à hipocrisia ou legalismo de uns e de outros, é normal ver gente apontando para tudo que é coisa e condenando como "religiosidade" ou "farisaísmo" (se é que essa palavra existe). Tão normal quanto ver gente apontando para tudo quanto é gente e condenando como herege ou desviado by the way.

E assim, temos tentando abolir a religião.

"Menos religião, mais Jesus!"

Um "grito de guerra" comum. Mas, talvez... Talvez estejamos abordando o assunto de forma errada, ou, ao menos, incompleta. A Palavra não condena religião em si. A Palavra condena a vã religiosidade. Mas, há espaço para religião na Palavra de Deus... Uma pura e imaculada religião.

No texto em questão, essa religião é descrita como "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo". Antes de prosseguir, quero destacar uma curiosidade.

Apesar de entendermos religião como um conjunto de crenças e práticas, ninguém sabe ao certo de onde veio o termo. A palavra religião é derivada do Latim "religio", e tem-se atribuido a este termo significados diversos, como por exemplo "reeleição".

Uma das visões mais interessantes entretanto é a que foi inicialmente exposta por Lactâncio, e posteriormente apoiada por Agostinho.

Religião seria religare. Religião, seria reconexão. Religião, talvez, seja a reconciliação do homem com Deus. Isso tem perfeito sentido num contexto Cristão. Cristo nasceu, viveu, e morreu pra isso. Para dar ao homem uma oportunidade de se reconcliar com Deus. Para dar sopro de vida ao espírito que estava morto. Para oferecer redenção.

Cristo pregava o nascer da àgua e do Espírito. Cristo pegava o arrependimento seguido de um novo nascimento em conciliação com o Pai. E o que é arrependimento se não... voltar?

Cristo veio para religar o homem a Deus. Cristo, é o nosso religare. Cristo, é a religião da Palavra. Voltemos então ao texto de Tiago...

"Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo".

Lendo de forma literal, parece algo simples... Talvez até bobo. Alguns talvez se perguntem...

"É só isso?"

Mas, qual a essência desse texto? Se me permitem, o que eu enchergo aí é exatamente Cristo. A essência dessa passagem é o amor ao próximo, a santidade, a submissão à Deus. E quem amou mais do que Ele, que praticou o amor até suas últimas consequências... Morte.

E quem, foi mais santo e submisso do que Ele, que não teve pecado, e, sendo humano, não desejava a morte, mas para cumprir a vontade do Pai, se entregou a mesma? Cristo.

A "religião pura e imaculada para com Deus" é... "Ser Cristo". Ser "Cristão". Que, por um acaso conveniente, o Cristo em questão afirmava o seguinte...

João 13:35
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."

É, bem "conveniente". "Ah, mas quando atacamos religião estamos nos referindo ao rolé das crenças e costumes e etc. e tal". Tudo bem. Mas...

E se eu creio naquilo que Cristo cria, e faço da imitação à Cristo meu costume? Isso também seria "religião". Talvez a questão não seja abolir a religião. Talvez, a questão não seja ser rebelde. Talvez, eu seja apenas "tolo, cego e nú" e tenha uma carência de entendimento.

Mas este tolo, dá graças à Deus por Sua misericordia. Este tolo, agradece ao Pai por tirar as escamas de seus olhos a cada dia que passa. Este tolo, agradece ao Pai por dar liberalmente sabedoria...

E... Este tolo talvez queira ser religioso. Este tolo talvez queira ser um firme defensor da religião. Quero menos rebelião, menos revolta... Quero mais entendimento...

Quero ir à essência das "palavras de vida eterna"... Quero mais é esse religare. Quero mais é essa religião "pura e imaculada para com Deus"! Não quero menos religião e mais Jesus. Por querer mais Jesus é que eu quero mais religião.


Mais religião, mais Jesus!

Soli Deo Gloria.

Fonte: http://falaidedeus.blogspot.com/2009/03/talvez-eu-queira-ser-religioso.html

domingo, 30 de outubro de 2011

Precisamos de uma nova Reforma?

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Título Original: Reforma protestante: diga não para a festa!1

Texto: Atos 20:17-35

 

1. Que tenho eu feito pelo Reino de Deus? Amanhã a Igreja Cristã celebra os 494 anos da Reforma Protestante. Mas há, de fato, motivos para celebrar? Na verdade, a Reforma nos lança o desafio de sermos nós, hoje, reformadores. Diante dos cinco princípios norteadores da Reforma, cabe a nós sermos uma resposta aos desafios de nosso tempo. Admirar a coragem de Lutero, o zelo de João Calvino e a ousadia do Arcebispo Thomas Cranmer não fará a diferença que Deus quer que nós façamos hoje. E, para isso, precisamos URGENTEMENTE buscar as raízes, as veredas antigas de nossa fé.

2. Os desafios continuam os mesmos. Precisamos continuar pregando só a graça, só a fé, só Cristo, só as Escrituras, só a Deus a Glória. Estes princípios ainda são fonte de incompreensão. Muitos querem saber apenas de um Deus que é um despenseiro de bênçãos. Hoje, prega-se excessivamente auto-ajuda, mas não se fala de arrependimento e nova vida em Cristo, não se fala do Senhorio de Jesus Cristo, não se fala da glória futura reservada aos eleitos. O falso-evangelho pregado hoje é baseado em concepções mundanas, mercadológicas e humanistas.

Criam os protestantes no livre-exame das Escrituras e no sacerdócio universal de todos os crentes. Criam os protestantes na liberdade de pensamento e expressão, na liberdade de opinião.

3. O Mundo hoje é dominado pelo secularismo e pelo hedonismo e a Igreja Cristã tem sido seduzida por muitas práticas que não condizem com o verdadeiro Evangelho. O mundo grita e exige respostas urgentes. E a resposta de Deus, somos nós.

Hoje, ao invés de Sola Gratia, muitos têm pregado uma doutrina conhecida como “maldição hereditária” ou ainda a chamada “Teologia da Prosperidade” que afastam o homem de Jesus Cristo porque não são doutrinas de salvação, mas de medo, de angústia, de superstição e de desejo desenfreado pelas coisas dessa vida.

Hoje, ao invés da Sola Fide, muitos têm buscado determinar as coisas para Deus como se ele fosse o nosso empregado e fizesse apenas o que nós queremos que seja feito. E se ele não responde como ele quer, ficamos frustrados. A Bíblia afirma a Soberania de Deus e afirma que é pela fé que nós nos relacionamos com ele.

Hoje, ao invés de Solo Christus, muitos tem buscado fazer parte da Igreja do Pastor fulano de tal, vão atrás de pregadores e operadores de milagres, vão atrás de curas e maravilhas e desviam o olhar de Cristo, aquele que pode fazer tudo isso e muito mais. Querem participar de mega-eventos que promovem denominações ou pessoas em vez de glorificarem o Nome de Cristo.

Hoje, em vez de Sola Scriptura, muito vão pelo que eu acho, pelo que eu penso, pelo que eu concordo ou não concordo... eu, eu, eu... Aliás, livre-exame tem sido considerado como livre-interpretação, ou seja, eu entendo do jeito que eu quero. Por isso muitos têm se afastado da Escola Dominical e dos cultos porque se consideram donos da verdade e não tem nada mais a aprender com ninguém. Afastam-se do convívio da comunidade. A postura da pós-modernidade é a de questionamento das verdades fundamentais da fé como por exemplo do nascimento virginal de Cristo ou a ressurreição do Mestre. Cientistas e historiadores têm negado até mesmo a existência de nosso Salvador.

O Sacerdócio Universal de todos os crentes para muitos tem cedido espaço para que pastores inescrupulosos usurpem da sua condição, determinando quem os jovens da comunidade devem namorar, abusando de sua autoridade pastoral de “ungidos do Senhor” para usurpar de seus gordos salários e escravizarem o povo de Deus segundo as suas conveniências.

4. Precisamos sempre estar em constante Reforma. Reformar não é destruir, reformar é dar nova vida, novo ânimo. Lutero não fundou uma nova Igreja, nem Calvino, nem Cranmer. Parece que para muitos a Igreja começou no século XVI, mas ela se inicia no Pentecostes, em Atos 2. A situação espiritual e moral da Igreja está em péssimas condições (bancada evangélica, escândalos financeiros, redes de TV, escolas, universidades...).

Precisamos urgentemente de :

a) Testemunho da fé: em todo o tempo (Atos 20:18);

b) Humildade (Atos 20:19);

c) Lágrimas e provações (Atos 2:19);

d) Pregar publicamente (Atos 20:20) – Lloyd-Jones: “Aos coríntios e a outros ele diz: ‘Uma dispensação do evangelho me foi confiada’. Esta era sua posição, e deve ser a nossa. Esta é a Palavra de Deus! É a Revelação! É infalível porque é de Deus! Esta é a primeira arma para a nossa guerra. Ela deve ser proclamada; não é para ser defendida, mas proclamada; para ser anunciada com santa ousadia; para ser ‘declarada’ aos homens. Não precisamos de ‘diálogos’; precisamos de ‘declarações’.

e) única mensagem: arrependimento e fé em Jesus (Atos 20:21);

f) Entrega total da vida a Deus, para o que der e vier (Atos 20:22,23), porque o único objetivo de nossas vidas tem que ser a glória de Deus!

5. A resposta é: precisamos de avivamento! O desejo de Deus é levantar um povo santo e zeloso de boas obras, comprometido com o Reino de Deus. Deus não precisa de meros religiosos (lembrai-vos dos fariseus!), Deus quer pessoas comprometidas com o seu Reino que é maior que qualquer instituição humana.

6. Para isso é necessário:

a) uma vida de oração;

b) leitura e meditação diária das Escrituras;

c) Paixão pelas almas / zelo evangelístico.

7. Chega de blasfemarmos o nome do Senhor. Que Ele nos conceda o seu Espírito Santo para que a nossa vida seja um canal para abençoar este mundo tão carente de Jesus Cristo.  Amém.

1 Sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Franca – SP, no dia 30 de outubro de 2011.

Fonte: http://anglicanosreformados.blogspot.com/2011/10/reforma-protestante-diga-nao-para-festa.html

domingo, 2 de outubro de 2011

Refletindo sobre as músicas tocadas nos nossos Cultos

Renato Vargens1

aaaaHá pouco participei de um culto onde o momento de louvor  com música foi uma pulação só. Depois de  mais de uma hora de muitos gritos, saltos e urros espirituais, o pastor embuido de uma espiritualidade opaca me avisou que o sermão não deveria passar de  30 minutos, isto porque, a hora havia passado e já estava tarde demais.

Pois é, ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliás, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus. Para piorar a situação, as músicas cantadas pelos denominados artistas gospel, nem o nome de Cristo mencionam mais. Veja por exemplo a canção "Tire os pés do chão" do ministério Toque no Altar, que incentiva o crente a festejar, dançar e tirar os pés do chão.

Quem me viu dizia
Não poderá alcançar
Mas sou irresistível
Não vou mais parar
Este é um novo dia
A nova casa é maior
É tempo de alegria posso festejar
Por tudo o que vi, E o que virá.
Vou tirar os pés do chão, E festejar, festejar!!!
O impossível se rendeu. Eu posso dançar, dançar!!!
Diante das muralhas, Eu vou gritar.
Sobre os portões do inimigo, Vou saltar...

Caro leitor, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade, toca no altar, pede chuva, canta mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo. 

Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.
Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração cristocêntrica extirpando das nossas liturgias essa pulação inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.

Soli Deo Gloria!

1 Renato Vargens é Pastor, conferencista internacional, plantador de Igrejas e escritor  com doze livros livros publicados e dois no prelo. É também Diretor da Scrittura Produções, colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes, editor do site http://www.renatovargens.com.br e pastor presidente da Igreja Cristã da Aliança em Niterói.

Fonte: http://renatovargens.blogspot.com/2011/10/tira-o-pe-do-chao.html

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma parábola dos nossos dias

cara depauUm certo parlamentar, cristão-evangélico, eleito com o voto dos evangélicos, após vários mandatos parlamentares, vem ao público evangélico com uma "bomba": se dizendo arrependido, confessa que roubou milhões aos cofres públicos, por mais de dez anos, em todos os mandatos aos quais foi eleito pelo voto dos crentes, que sabia que estava fazendo coisas erradas (incluindo desvios de verbas públicas que deveriam ir para áreas essenciais como a Saúde da população, que aos montes ainda costuma morrer nas filas dos hospitais públicos, por falta de atendimento médico, bem como de medicamentos, etc.), mas que "sempre" teve um problema com a questão da honestidade, desde criança, e que precisava ser "tratado" nesta área da vida dele (eita desculpa esfarrapada). Pedia mil perdões, a Deus e ao mundo, em especial aos evangélicos que os elegeram.

Gravou um vídeo, e postou no CrenteTube, prometendo que traria à tona todas as falcatruas que praticou, e diz estar disposto a submeter-se às consequências de sua conduta, que incluía a ‘disciplina’ de sua igreja local, e de seu pastor, que, inocente nisto tudo, desde o início de sua carreira política fora seu grande incentivador, dando a "cara a tapa" pelo Brasil afora, ao acompanhar o parlamentar por várias igrejas, sempre atestando a sua honestidade e exemplariedade de fé aos crentes. Ele mesmo (o pastor) foi apenas um de milhares de pessoas que se sentiram enganadas pelas armações do político em questão; entretando, lá estava ele novamente, envergonhado, mas ainda assim dando a cara a tapa mais uma vez, acompanhando de perto o caso do irmão, para que o mesmo não viesse a desviar-se e perder a sua salvação.

Mas veja, passando-se alguns meses (isso mesmo, eu disse meses!), ‘cansado’ da disciplina pastoral em sua igreja local, o poítico sai de sua igreja de origem, e é recebido em outra comunidade, já de olho, provavelmente, em sua influência política. O outro pastor, ciente de que aquele parlamentar não cumpriu com sua palavra de trazer a público maiores esclarecimentos de sua conduta irregular, não obastante passa a dá-lo respaldo para retornar à vida política, passando a dizer que o dito-cujo já passou pela disciplina, e que para todos os efeitos Deus já o perdoara, e que as pessoas deverão também perdoá-lo, e já nas próximas eleições, elegê-lo novamente para o cargo no qual ele, por mais de dez anos, mentiu, roubou, e praticou toda a sorte de corrupção.

Agora, eu pergunto: você votaria em um candidato como este novamente? Veja bem, não votar na pessoa significa não perdoá-lo (uma vez que, como cristãos, devemos perdoar nosso próximo)? Claro que não, significa apenas que estamos a preservá-lo de uma futura oportunidade de cometer novamente aquele mesmo pecado que o levou a cair. Afinal, ele mostrou-se inapto ao exercício daquela função pública, e como cristãos, devemos dar o suporte para que o irmão não caia novamente!

Enfim, você votaria nele?

Hoje, exatamente no dia de hoje, vejo que MUITOS crentes votariam dele sim (e isso no pleno conhecimento do passado do irmão, e com a desculpa de que estão crentes em sua plena ‘restauração’), infelizmente.

E quem lê, que entenda.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Os evangélicos e a revolução moral gay

Albert Mohler Jr.1

A igreja cristã tem enfrentado muitos desafios na sua história de 2000 anos. Mas agora está enfrentando um desafio que  sacode seus alicerces: o homossexualismo.

Para muitos observadores, isso parece estranho e até mesmo trágico. Por que os cristãos não podem simplesmente unir-se à revolução?

E não se enganem, é uma revolução moral. Como o filósofo Kwame Anthony Appiah da Universidade de Princeton demonstrou em seu recente livro, "The Honor Code" (O Código de Honra), as revoluções morais geralmente permanecem por longos períodos. Mas isso é difícil de acontecer com o que temos testemunhado na questão do homossexualismo.

Em menos de uma simples geração, o homossexualismo passou de uma coisa que era quase universalmente entendida como pecado, para outra  que está sendo declarada equivalente à moral da heterossexualidade — e merece tanto a proteção legal quanto o encorajamento público. Theo Hobson, um teólogo britânico, argumenta que isto não é exatamente o enfraquecimento de um tabu. Pelo contrário, é uma inversão moral que acusa aqueles que defendem a antiga moralidade de nada menos que "deficiência moral".

As igrejas e denominações liberais facilmente escaparam dessa situação desagradável. Simplesmente se acomodaram à nova realidade moral. Agora o padrão está estabelecido. Essas igrejas discutem o assunto com os conservadores argumentando que mantêm a antiga moral e os liberais defendendo que a igreja deve se adaptar ao que é novo. Finalmente, os liberais ganharam e os conservadores perderam. A seguir, a denominação consagra abertamente os candidatos gays ou decide abençoar as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Esse é um caminho pelo qual os cristãos evangélicos comprometidos com toda a autoridade da Bíblia não podem tomar. Uma vez que cremos que a Bíblia é a palavra de Deus revelada, não podemos nos acomodar com essa nova moralidade. Não podemos fazer de conta que não sabemos o que a Bíblia ensina explicitamente, que todos os atos homossexuais constituem pecado, o que acontece em todo o comportamento sexual humano fora da aliança do casamento. Cremos que Deus revelou um padrão para a sexualidade humana que além de apontar para o caminho da santidade, também indica a verdadeira felicidade.

Portanto não podemos aceitar os sedutores argumentos que as igrejas liberais adotaram tão rapidamente. O fato de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo agora é uma realidade legal em diversos estados significa que devemos futuramente estipular que seguimos as Escrituras para definir o casamento como a união de um homem e uma mulher — e nada mais.

Fazemos isso sabedores de que antes, em nossa sociedade, muitos  partilhavam das mesmas pressuposições morais, mas agora um novo mundo está surgindo rapidamente. Não precisamos ler  as pesquisas e as avaliações, tudo o que temos de fazer é conversar com os nossos vizinhos ou assistir a entrevistas culturais.

Nesta situação cultural muito desagradável, os evangélicos devem se declarar dolorosamente explícitos de que não falamos sobre o pecado da homossexualidade como se nós não tivéssemos pecado. Na verdade, é exatamente porque nos reconhecemos pecadores e sabemos da necessidade de um salvador é que viemos a crer em Jesus Cristo. Nosso maior temor não é que a homossexualidade seja normatizada e aceita, mas que os homossexuais não reconheçam sua própria necessidade de Cristo e do perdão dos seus pecados.

Esta não é uma preocupação que seja facilmente expressa aos poucos. É no que verdadeiramente acreditamos.

Ficou abundantemente esclarecido que os evangélicos falharam de tantas maneiras na solução deste desafio. Temos com freqüência falado sobre a homossexualidade de maneira crua e simplista. Falhamos em reconhecer que a sexualidade define claramente que somos seres humanos. Falhamos em reconhecer o desafio da homossexualidade como questão evangélica. Somos aqueles, afinal, que supomos saber que o Evangelho de Jesus Cristo é o único remédio para o pecado, a começar do nosso próprio.

Minha esperança é que os evangélicos estejam agora prontos para assumir este desafio de uma maneira nova e significativa. Realmente não temos escolha, pois estamos falando de nossos próprios irmãos e irmãs, nossos próprios amigos e vizinhos, ou talvez os jovens nos bancos ao lado.

Não podemos escapar do fato de que estamos vivendo no meio de uma revolução moral. Entretanto, não é apenas o mundo que nos rodeia que está sendo testado, mas também a igreja cristã. Precisamos descobrir quanto cremos no Evangelho que tão impetuosamente pregamos.

Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin
Copyright:
© R. Albert Mohler Jr.
© 2011 Editora Fiel

Traduzido do original em inglês: Evangelicals and the Gay moral Revolution. Publicado originalmente no site: www.albertmohler.com

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e/ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.


1 Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.

Fonte: http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=371

Blog [Reflexões Bíblicas] agora está disponível para dispositivos móveis

Agora o blog [Reflexões Bíblicas] está disponível para dispositivos móveis. Se você possui um smartphone ou celular com acesso a internet já pode conferir as postagens do blog de qualquer lugar que esteja.

Com essa nova possibilidade, o acesso a textos que divulgam o Evangelho, as Boas Novas de Deus ficam mais acessíveis a muitas pessoas, além de facilitar nossa trabalho na formação do pensamento dos que aqui visitam.

Portanto, não deixe de visitar o blog sempre que puder.

Acesse: http://reflexoes-biblicas.blogspot.com/?m=1

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Faça-me uma pergunta no Formspring

formspring_logo-280Assuntos teológicos, sobre política, religião, sociedade, assuntos da atualidade, assuntos jurídicos, ou quem sabe simples curiosidade a respeito das postagens aqui do blog, ou dos tweets que postei recentemente, ou sobre qualquer outro assunto sobre o qual você deseje perguntar-me algo, poderá fazê-lo agora através do Formspring, uma ferramenta que conheci recentemente e que estou curtindo bastante!

É só acessar o link abaixo, se cadastrar e perguntar à vontade.

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O BEBÊ CRENTE E O BEBÊ ATEU


ilustrações, esboços, bebê crente, bebê ateu, féNo ventre de uma mulher grávida, dois bebês estão tendo uma conversa. Um deles é crente e outro ateu.

O Ateu: Você acredita na vida após o nascimento?

O Crente: Claro que sim. Todo mundo sabe que existe vida após o nascimento. Nós estamos aqui para crescer fortes o suficiente e nos preparar para o que nos espera depois.

O Ateu: Bobagem! Não pode haver vida após o nascimento! Você pode imaginar como seria essa vida?

O Crente: Eu não sei todos os detalhes, mas acredito que exista mais luz, e talvez a gente caminhe e se alimente lá.

O Ateu: Besteira! É impossível andarmos e nos alimentarmos! É ridículo! Nós temos o cordão umbilical que nos alimenta. Eu só quero mostrar isso para você: a vida após o nascimento não pode existir, porque a nossa vida, o cordão, já é demasiado curta.

O Crente: Eu estou certo de que é possível. Ela será um pouco diferente. Eu posso imaginá-la.

O Ateu: Mas não há ninguém que tenha voltado de lá! A vida simplesmente acaba com o nascimento. E, francamente, a vida é apenas um grande sofrimento no escuro.

O Crente: Não, não! Eu não sei como a vida após o nascimento será exatamente, mas em todo caso, nós encontraremos nossa mãe e ela cuidará de nós!

O Ateu: Mãe? Você acha que tem uma mãe? Então, onde ela está?

O Crente: Ela está em toda parte à nossa volta, e nós estamos nela! Nós nos movemos por causa dela e graças a ela, nós nos movemos e vivemos! Sem ela, nós não existiríamos .

O Ateu: Bobagem! Eu não vi nenhuma mãe semelhante; portanto, não existe nenhuma.

O Crente: Eu não posso concordar com você. Na verdade, às vezes, quando tudo se acalma, nós podemos ouvi-la cantar e sentir como ela acaricia o nosso mundo. Eu acredito fortemente que a nossa vida real começará somente após o nascimento. Eu creio!

Autor desconhecido


Fonte: http://www.esbocandoideias.com/2011/07/esbocos-e-ilustracoes-o-bebe-crente-e-o-bebe-ateu.html

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Todo dia é dia de domingo


Stephanie Zuma Lacerda1
Há uma implicância minha com o dia de domingo. Aliás, há uma implicância minha em tudo que deveria ser espontâneo e se tornou uma mera formalidade ritual. A ceia, a conversão, o culto e… O domingo.
Fora das teorias conspiratórias sobre o porquê é o domingo o dia adotado por quase todos os cristãos para se realizar o culto, que é capaz de alguns até dizerem agora que isso também tem a ver com ‘os illuminatti’… Deve-se refletir sobre qualquer coisa presente na nossa religião, aliás, deve-se refletir sobre qualquer religião tendo como base seu fundador e primeiros seguidores, para assim manter, adaptando-a as características contemporâneas, a religião dentro de seu foco.
Cristianismo então, deve se voltar a Cristo para discutir qualquer assunto. Domingo do Cristo. Quando pensamos em domingo e em Jesus, pensamos na nossa tradição de que Jesus ressuscitou no domingo. Logo, de acordo com a tradição o domingo deveria ser o dia de celebração, pois se alguém conhece uma celebração maior do que a graça de Deus sendo manifestada através de sua encarnação e morte como expiação de pecados… Bem, não existe maior celebração que essa!
O problema se trata da perda dos significados primeiros da nossa religião. O culto, depois de Jesus passa a ser diário, todo o dia, em cada situação. O domingo perdeu o significado a partir do momento em que se limitou a comunhão com o outro e com Deus a este dia. Se você não fez isso, parabéns, no entanto assim caminha nossa espiritualidade. A espiritualidade do cristão não pode se resumir a um dia na semana. Jesus nos apresentou algo bem diferente.
A espiritualidade de Jesus envolvia relacionamento diário com as pessoas que precisam conversar, ouvir, ser ouvidas, tocar, serem tocadas por alguém. Temos tido pouco contato com o mundo do lado de fora e nos dias além do domingo.
Se você não puder fazer do seu domingo apenas mais um dia de comunhão com Deus e com o próximo, faça de todos os dias um domingo.

_____________________

1Bacharelanda em Teologia, membro da Primeira Igreja Batista de Córrego do Ouro, Macaé-RJ. Líder de adolescentes, professora da EBD, blogueira, escritora e poetiza nas horas ocupadas. Contato: tephizuma@gmail.com.

Fonte: http://lombel.com.br/bereiablog/?p=2372

domingo, 10 de julho de 2011

MUSICAL “CORRA PARA A CRUZ!”


André de Araújo Neves 1

“Então Samuel tomou uma pedra, e a pôs entre Mizpá e Sem, e lhe chamou Ebenézer, e disse: ‘Até aqui nos ajudou o Senhor’.” (I Samuel 7:12)

imageNa noite do último dia 29 de Maio, o Templo Central sediou mais um grande evento para a glória do Deus: o Musical “Corra para a Cruz!”, alusivo à Páscoa cristã, apresentado pelo nosso Coral Maranata, em parceria com o coral Milagres, da Igreja Metodista Wesleyana do bairro Nova Floresta, na zona sul da cidade. Além dos corais, abrilhantou também o Musical a participação do ministério de dança IADA (também da IMW), e do grupo de teatro Yeshua (da Congregação Jardim Primavera, dirigida pelo Pastor Sóstenes Rodrigues). Louvamos a Deus pelo trabalho realizado de forma integrada, pois como diz a Palavra de Deus, “quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (Salmo 133:1).

imageNa apresentação que durou aproximadamente uma hora e meia, os dois corais, os vários solistas e o dueto, sob a regência do Maestro Samuel Tecchio, entoaram belos hinos de louvor ao Senhor. Foi disponibilizado um telão na área externa, por meio do qual várias pessoas puderam acompanhar todo o culto, ainda que não tenham conseguido adentrar à nave do Templo, pois esta já se encontrava repleta, tanto de crentes quanto de pessoas convidadas para ouvir a Palavra de Deus ministrada através do louvor naquela noite. Foi montado um grande palco especialmente para o evento, no qual foram apresentadas as coreografias, e retratadas algumas das cenas mais importantes da vida, ministério, morte e ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo, tais como estão narradas nos Evangelhos: o encontro da Mulher Pecadora (Maria Madalena) com Jesus, a Última Ceia, o julgamento de Cristo perante Pilatos, a Via Dolorosa, a Paixão do Senhor e a Sua gloriosa Ressurreição, etc.

imageHouve ainda um momento de adoração congregacional, em que os Corais, acompanhados por músicos da Orquestra Filarmônica Asafe, e juntamente com toda a igreja, cantaram “A Ele a glória”. No momento do apelo, feito pelo pastor presidente do Campo, Pastor Antônio Baltazar, por obra e graça do Espírito Santo, que sempre Se faz presente, houve salvação de almas. Somos mui agradecidos ao Senhor ressurreto, que tem abençoado sobremaneira o nosso Coral Maranata, nestes 28 anos de história na Música Sacra em nossa cidade. Podemos, tal como o salmista, declarar que “Grandes coisas fez o SENHOR por nós, e por isto estamos alegres” (Salmo 126:3). Toda a honra e glória ao Senhor nosso Deus! Aleluia!


Fonte: Jornal “AD Porto Velho News” – Edição de Julho/2011. www.adportovelho.com.br

1 Membro da igreja Assembleia de Deus Central de Porto Velho, Ministério de Madureira. Graduado em Matemática, atualmente exercendo o cargo de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça, e Acadêmico de Direito da Unir. Email: teacher.neves@gmail.com. Twitter: http://www.twitter.com/andreneves1.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A "Marcha Para Jesus": Uma Avaliação Crítica*

Augustus Nicodemus Lopes**
Introdução

A "Marcha para Jesus" é um evento que acontece em muitas cidades do Brasil, patrocinado pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, e consiste basicamente numa grande passeata de evangélicos com shows gospel. O evento ocorre desde 1993 no Brasil e costumava dividir opiniões tanto na mídia secular quanto evangélica. Hoje, já mais arrefecida, a "Marcha" continua chamando a atenção, embora com menos intensidade. O presente artigo visa apresentar uma análise crítica, não do evento propriamente dito, mas das razões e argumentos apresentados para justificar o evento. Estas razões e argumentos, bem como informações institucionais e históricas sobre a Marcha estão disponíveis no site www.marchaparajesus.com.br (em 12/01/2005).

Histórico da Marcha para Jesus

Conforme informações do referido site, a primeira Marcha para Jesus aconteceu em 1987 na cidade de Londres (Inglaterra), e foi fundada pelo pastor Roger Forster, pelo cantor e compositor Graham Kendrick, Gerald Coates e Lynn Green. Portanto, não é uma invenção da Igreja Renascer do Brasil. Ela simplesmente importou a idéia para nossa pátria. No início da década de 90, a Marcha se tornara um evento de proporções continentais, ocorrendo em toda Europa. Em 1992 a Marcha para Jesus já se tornava em um movimento mundial, chegando a outros países da América, África e Ásia. No ano de 1993, chega a vez do Brasil realizar a sua primeira edição do evento, sob a orientação da Renascer. A partir daí, a cada ano, o evento toma mais e mais aspecto de show gospel, apresentação de artistas evangélicos e desfiles, sempre com muita dança ao som de pagode e axé ditos evangélicos. Em alguns locais, não sabemos se de acordo com a coordenação da Marcha ou não, políticos evangélicos têm aproveitado a oportunidade.

A ideologia por detrás da Marcha

Existe uma justificativa teológica elaborada para a Marcha, que procura abonar o evento à luz da Bíblia. Os pontos abaixo foram retirados do site Marcha para Jesus (www.marchaparajesus.com.br) e se constituem na "teologia da Marcha". Aliás, a maior parte deles se encontra exatamente debaixo do tópico "teologia" no site da Marcha. Segue um resumo dos principais argumentos, entre outros, seguidos de um breve comentário.

1. A ordem de "marchar" aparentemente foi dada mediante revelação do Espírito Santo. Diz o site: A visão inicial da Marcha para Jesus, como qualquer outra ação em que os cristãos empreendem para Deus, está baseado [sic!] no conhecimento e na obediência. Nós acreditamos que Deus diz para nós marcharmos, e esta obediência precede uma revelação. O Espírito Santo de Deus nos conduz em toda a verdade (João 16:13) e a teologia do ato de marcharmos para Jesus emerge quando nós nos engajamos em ouvir o que o Espírito Santo está dizendo para uma Igreja atuante e batalhadora nesta terra.

Comentário: O parágrafo acima não é claro, mas dá a entender que a visão inicial foi mediante uma revelação de Deus, seguida da obediência da Renascer, em cumprir a visão. Líderes da Renascer negam que a visão inicial foi dada por revelação. Contudo, o parágrafo acima sugere que a visão da Marcha foi dada pelo Espírito para a Renascer. Quando nos lembramos que a Renascer tem um "apóstolo" (uso o termo entre aspas, não por qualquer desrespeito ao líder da Renascer, mas porque não creio que existam apóstolos hoje à semelhança dos Doze e de Paulo), imagino que "revelações" (uso o termo entre aspas não por desrespeito às práticas da Renascer, mas porque não creio que existam novas revelações da parte de Deus hoje) devam ser frequentes.

2. Segundo a Renascer, a Marcha é uma declaração teológica: a Igreja está em movimento e está viva! É o meio pelo qual os cristãos querem ser conhecidos publicamente como discípulos de Jesus.

Comentário: Se esta é a forma bíblica dos cristãos mostrarem que estão vivos e que são seguidores de Jesus, é no mínimo estranho que não encontremos o menor traço de marchas para Jesus no Novo Testamento, ou para Deus no Antigo.

3. A Marcha é entendida como uma celebração semelhante às do Antigo Testamento, possuindo uma qualidade extremamente espontânea e alegre. Participam da Marcha jovens de caras pintadas, cartazes, roupas coloridas e canções vivazes. Isto é visto como uma celebração do amor extravagante de Deus para o mundo.

Comentário: Na minha avaliação, o ponto acima dificilmente pode ser tomado como um argumento bíblico ou teológico para justificar o evento. As "marchas" de Israel no Antigo Testamento, não tinham como alvo evangelizar os povos - ao contrário, eram marchas de guerra, para conquistá-los ou exterminá-los, conforme o próprio Deus mandou naquela época. Fica difícil imaginar os israelitas organizando uma marcha através de Canaã, com os levitas tocando seus instrumentos e dando shows, para ganhar os cananeus para a fé no Deus de Israel!

4. Marchar para Jesus é visto também como um ato profético que dá consciência espiritual às pessoas. Josué mobilizou as pessoas de Israel para marchar ao redor das paredes de Jericó. Josafá marchou no deserto entoando louvores a Deus. Quando os cristãos marcham, estão agindo profeticamente, diz a Renascer.

Comentário: Entendo que se trata de um uso errado das Escrituras. Por exemplo: se vamos tomar o texto de Josué como uma ordem para que os cristãos marchem, por que então somente marchar? Por que não tocar trombetas? E por que só marchar uma vez, e não sete ao redor da cidade inteira? E por que não mandar uma arca com as tábuas da lei na frente? E por que não ficar silencioso as seis primeiras vezes e só gritar na sétima?

5. Marchar para Jesus traz uma sensação natural de estar reivindicando o lugar no qual os participantes caminham. Acredita-se que assim libera-se no mundo espiritual a oportunidade desejada por Deus: "Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, eu a darei..." (Josué 1.3).

Comentário: Será esta uma interpretação correta das Escrituras? Podemos tomar esta promessa de Deus a Josué e ao povo de Israel como sendo uma ordem para que os cristãos de todas as épocas marquem o terreno de Deus através de marchas? Que evangelizem, conquistem, e ganhem povos e nações para Jesus através de marchar no território deles? Que estratégia é esta, que nunca foi revelada antes aos apóstolos, Pais da Igreja, missionários, reformadores, evangelistas, de todas as épocas e terras, e da qual não encontramos o menor traço na Bíblia?

6. A Marcha destrói as fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas das cidades e regiões onde ela acontece, declarando com fé que Jesus Cristo é o Senhor do Brasil.

Comentário: Onde está a fundamentação bíblica para tal? Na verdade, este ponto é baseado em conceitos do movimento de batalha espiritual, especialmente o conceito de espíritos territoriais, e em conceitos da confissão positiva, que afirmam que criamos realidades espirituais pelo poder das nossas declarações e palavras.

7. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.

Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.

8. Os defensores da Marcha dizem que ela projeta a presença dos evangélicos na mídia de todo o Brasil.

Comentário: É verdade, só que a projeção nem sempre tem sido positiva. Além de provocar polêmica entre os próprios evangélicos, a mídia secular tem tido por vezes avaliação irônica e negativa.

9. Os defensores da Marcha dizem que pessoas se convertem no evento.

Comentário: Não nos é dito qual é o critério usado para identificar as verdadeiras conversões. Se for levantar a mão ou vir à frente durante os shows e as pregações da Marcha, é um critério bastante questionável. As estatísticas que temos nos dizem que apenas 10% das pessoas que atendem a um apelo em cruzadas de evangelização em massa, como aquelas de Billy Graham, permanecem nas igrejas. Mas, mesmo considerando as conversões reais, ainda não justificaria, pois não raras vezes Deus utiliza meios para converter pessoas, meios estes que não se tornam legítimos somente porque Deus os usou. Por exemplo, o fato de que maridos descrentes se convertem através da esposa crente não quer dizer que Deus aprova o casamento misto e nem que namorar descrentes para converte-los seja estratégia evangelística adequada.

10. Os defensores dizem ainda que a Marcha promove a unidade entre os cristãos. Em alguns lugares do mundo, a Marcha é concluída com um "pacto" entre as denominações, confissões e indivíduos, exigindo que cada um deles não faça mais discriminação por razões doutrinárias.

Comentário: Sou favorável à unidade entre os verdadeiros cristãos. Mas não a qualquer preço e não qualquer tipo de união. A unidade promovida pela Marcha, sob as condições mencionadas acima, tem o efeito de relegar a doutrina bíblica a uma condição secundária. O resultado é que se deixa de dar atenção à doutrina. Em nome da unidade, abandona-se a exatidão doutrinária. Deixa-se de denunciar os erros doutrinários grosseiros que estão presentes em muitas denominações, erros sobre o ser de Deus, sobre a pessoa de Jesus Cristo, a pessoa e atuação do Espírito, o caminho da salvação pela fé somente, etc. Unidade entre os cristãos é boa e bíblica somente se for em torno da verdade. Jamais devemos sacrificar a verdade em nome de uma pretensa unidade. A unidade que a Marcha mostra ao mundo não corresponde à realidade. Ela acaba escondendo as divisões internas, os rachas doutrinários, as brigas pelo poder e as divisões que existem entre os evangélicos. Se queremos de fato unidade, vamos encarar nossas diferenças de frente e procurar discuti-las e resolve-las em concílios, reuniões, na mesa de discussão - e não marchando.

11. Os defensores da Marcha dizem que ela é uma forma de proclamação do Evangelho ao mundo.

Comentário: A resposta que damos é que a proclamação feita na Marcha vem misturada com apresentações de artistas gospel profissionais, ambiente de folia e danceteria, a ponto de perder-se no meio destas outras coisas. Além do mais, a mensagem proclamada é aquela da Renascer em Cristo, com a qual naturalmente as igrejas evangélicas históricas não concordariam, pois é influenciada pela teologia da prosperidade e pela batalha espiritual.

É evidente que, analisada de perto, a "teologia da Marcha" não se constitui em teologia propriamente dita. Os argumentos acima não provam que há uma revelação para que se marche, e não justificam a necessidade de os cristãos obedecerem organizando marchas. Não há qualquer justificativa bíblica para que os cristãos façam marchas, nem qualquer sustentação bíblica para a idéia de "dar a Deus a oportunidade" mediante uma marcha, ou ainda de que, marchando e declarando, se conquistam regiões e cidades para Cristo. Se há fundamento bíblico, por que os primeiros cristãos não o fizeram? Por que historicamente a Igreja Cristã nunca fez?

Pelos motivos acima, entendo que os argumentos bíblicos e teológicos apresentados para justificar a Marcha para Jesus não procedem. Nada tenho contra que cristãos organizem uma Marcha para Jesus. Apenas acho que não deveriam procurar justificar bíblica e teologicamente como se fosse um ato de obediência à Palavra de Deus. Neste caso, estão condenando como desobedientes todos os cristãos do passado, que nunca marcharam, e os que, no presente, também não marcham.


* Publicado originalmente no site da Igreja Presbiteriana do Brasil em 17/01/2005.

** O autor é paraibano, casado com Minka, pai de Hendrika (19), Samuel (16), David (15), Anna (13). Pastor presbiteriano (IPB), mestre e doutor em Interpretação Bíblica (África do Sul, Estados Unidos e Holanda), chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de exegese, Bíblia, pregação expositiva no Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, da IPB, autor de vários livros.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nunca ganharemos o Brasil para Cristo!

Maurício Zágari1

Ouço frequentemente uma conclamação feita nos mais variados recônditos do universo evangélico: Vamos ganhar o Brasil para Cristo!!! Bem, lamento informar, mas nós nunca vamos ganhar o Brasil para Cristo. E antes que você, espantadíssimo com minha falta de fé, me acuse de derrotismo ou mesmo de estar a serviço do mal, deixe-me explicar.

Como não acredito na doutrina da confissão positiva (o hábito antibíblico de “decretar a vitória”, “profetizar a bênção” e “tomar posse pela fé” que, se você não sabe, foi incorporado ao cristianismo a partir de práticas de religiões pagãs da Nova Era – mas essa é outra conversa) nao vejo dolo em fazer essa afirmação, que é fruto de uma observação bíblica, histórica e contextual. E justifico minha posição, apresentando aqui as razões pelas quais não creio que o Brasil será ganho para Cristo:

1. Aspectos bíblicos:

A Bíblia nunca promete que nações inteiras se converteriam ao Senhor em nossos dias. Ela fala: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14) mas em momento algum promete que isso resultaria em conversões em nível nacional. Anunciar o Evangelho é uma coisa. Ele resultar em conversões é algo bem diferente. Pelo contrário. Como já abordei no post Louvados e glorificados sejam os números, a Palavra de Deus é clara ao afirmar que a minoria herdaria o Reino dos Céus:

–> “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mt 7.13,14).

–> “Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?’. Ele lhes disse: ‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta’. ‘Ele, porém, responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês’. “Então vocês dirão: ‘Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas’. “Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!’.”. (Lucas 13.23-27).

–> “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino” (Lucas 12.32).

–> “Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14).

Ou seja: não há na Bíblia nenhuma promessa ou sugestão de que haverá multidões de salvos entrando em nível nacional pelos portões do Céu. Não: a salvação é para poucos. Repare que na parábola do semeador (Mt 13) a maioria das sementes não frutifica, apenas uma pequena parte delas germina e dá frutos.

Gostaria eu que fosse diferente. E temos sempre que fazer de tudo e empreender todos os nossos esforços para que o máximo de pessoas receba a mensagem da Salvação. Temos que pregar o Evangelho a toda criatura. Mas no que tange à Biblia não posso afirmar o que ela não afirma só porque me faria sentir melhor. A verdade é o que é.

2. Aspectos históricos.

Fala-se muito de avivamento, de pátrias que foram sacudidas pelo poder do Espírito e que se transformaram em nações cristãs de fato, com milhares de conversões e manifestações inefáveis do poder de Deus. Isso é verdade. Moveres sobrenaturais de Deus levaram alguns países, em períodos determinados da História, a buscar coletivamente uma aproximação maior de Cristo e uma vida de santidade. Foi assim no Primeiro e no Segundo Grande Despertamentos dos séculos 18 e 19, por exemplo. Mas minha pergunta é: como estão essas nações hoje?

A verdade nua e crua? Espiritualmente falidas.

Os Estados Unidos, avivados pela pregação de bastiões como Jonathan Edwards e George Whitefield, são hoje um país cristão não-praticante, pérfido, devasso e sem nenhum tônus espiritual, que fez o que fez no Oriente Médio sob a direção de um presidente supostamente evangélico. Um país onde a Igreja tem aceito a ordenação de bispos cuja orientação sexual em outras épocas jamais seria aceita e que inventou a Teologia da Prosperidade. Um país espiritualmemte e moralmente em bancarrota, que exporta para o mundo filmes, programas de TV e músicas abomináveis pela moral bíblica.

Já a Inglaterra, país que na época de John Wesley se viu renovado espiritualmemte, hoje mal se lembra que há um Cristo. No restante da Europa, encontramos países como Espanha e Portugal, com menos de 1% de cristãos reformados. Nos berços da Reforma Protestante, Alemanha e Suíça, a Igreja evangélica tornou-se uma entidade fantasma, com igrejas vazias e nenhuma influência sobre a vida da sociedade.

E isso falando de nações que estão debaixo de nossos olhos. Se voltarmos alguns séculos no passado encontraremos os países do Oriente Médio com quase toda a população cristã. Você talvez não saiba disso, mas até o século VI d.C. regiões que hoje compõem países como Turquia, Irã, Iraque, Marrocos e Arábia Saudita, atualmente considerados não-alcançados pelo Evangelho, tinham suas populações quase que totalmente cristãs. Até que veio o islamismo e tomou esses países,  transformando-os em nações muçulmanas.

O resumo da ópera é que para se “ganhar uma nação para Cristo” é preciso um milagre. Não só um milagre de  conquista, mas um milagre de preservação. Ou seja: reconquista diária. E milagres são a exceção, não a regra.

3. Aspectos contextuais (atuais)

Este é o ponto principal desta reflexão. Para que se pregue o Evangelho a uma pessoa pecadora, mais do que proclamar a Verdade é preciso viver a Verdade. Se eu sou um homem notoriamente devasso, mentiroso, pérfido e sem caráter, de nada adiantará eu chegar para alguém e pregar o Evangelho. Pois ele dirá “ser cristão é isso aí? Tou fora, fala sério!”. E essa mesma realidade se aplica a uma nação. Para que a Igreja de Jesus evangelize uma nação e a “ganhe para Cristo”, ela tem que dar o exemplo. Isso é imperativo. Mais do que pregar a Verdade, tem que viver a Verdade. E é com muita dor no coração que constato que nós não temos feito isso. Não temos sido exemplo. Compartilho alguns sintomas que me mostram que a Igreja brasileira não está capacitada para ganhar a nação para Cristo:

●  A maior parte da Igreja visível no Brasil de hoje é espiritualmemte flácida e complacente com o pecado: o comportamento visível dos cristãos diante da sociedade não tem sido muito diferente do comportamento dos não-cristãos. Em geral, somos agressivos, arrogantes, vingativos, mentirosos e egocêntricos. Fraudamos impostos, passamos cheques sem fundos, não honramos nossa palavra. Nossos seminaristas colam nas provas. Não cedemos lugar no ônibus para o idoso, fingimos que não vemos o mendigo, jamais emprestamos o ombro a um órfão sequer e muito menos a uma viúva. Articulamos dentro das igrejas para conseguir ocupar cargos de destaque. Usamos a sexualidade de modo tão mundano como qualquer personagem da novela das oito. Nossas conversas são torpes, falamos mal dos outros pelas costas, jogamos irmãos contra irmãos, contamos anedotas pesadas e fazemos piada com a manifestação dos dons do Espírito Santo. E por aí vai. Uma Igreja assim não tem a menor moral de pregar o arrependimento de pecados para o mundo: primeiro ela própria tem de se arrepender.

● O modelo de igreja predominante no Brasil não forma cristãos sólidos. Como afirmou este ano em uma de suas palestras na Conferência da Sepal o Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister, o modelo de igreja-show não forma discípulos de Cristo. Enquanto formos aos cultos apenas para assistir a algo que se passa num palco e não para participar; enquanto não nos submetermos a um discipulado radical; enquanto não resgatarmos o papel de família de fé das nossas igrejas, nunca conseguiremos formar cristãos minimamente capazes de viver e compartilhar com eficiência sua fé com uma pessoa, que dirá com uma nação.

● O evangélico brasileiro não gosta de ler. Lidos sob o poder e a iluminação de Deus, livros são o alicerce da transformação. Mas nossos jovens preferem videogames, televisão, internet e no máximo inutilidades como a série “Crepúsculo” do que livros essenciais para a formação de um caráter cristão. E sem uma mente bem formada nos tornamos incapazes de pensar uma nação. Quanto mais transformá-la. O poder de Deus age, mas age por intermédio de seres humanos – que precisam ter bagagem intelectual para explicar e transmitir. E ainda lemos muito menos do que deveríamos. E a qualidade do que lemos, em geral, deixa muito a desejar.

● Somos analfabetos bíblicos. Uma pesquisa recente feita entre os líderes de jovens de certa denominação mostrou que menos de 30% deles tinham lido a Bíblia toda. Repare: estamos falando de líderes! Aqueles que deveriam ensinar os outros! Se não lemos, não conhecemos, e se não conhecemos… o que vamos pregar? Nossa teologia é formada a partir daquilo que ouvimos em corinhos, assistimos em péssimos programas evangélicos de TV, lemos em frasezinhas soltas no twitter e em adesivos de automóveis. Mas são poucos os que realmente se dedicam ao estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. Então vamos ganhar o Brasil pra Cristo, mas… que Cristo? Se não conhecemos o Cristo segundo as Escrituras o apresentam, que Cristo é esse que estamos pregando? Se não entendemos a Palavra por não conhecê-la, que Palavra é essa que estamos pregando? Sem conhecer a Bíblia não temos absolutamente nada a oferecer em termos espirituais à nação.

● Grande parte da Igreja evangélica brasileira é egocêntrica. Ora por si e pelos seus. Pede bens materiais, emprego, carro e casa própria em suas orações. Quer a cura de suas enfermidades. Mas não se dedica muito a interceder pelo próximo, orar pelo arrependimento dos pecados e buscar sanar os males da sociedade. Não ora pelos pobres. Não estende a mão ao faminto. Não olha para o próximo. Não se devota. Não considera o outro superior a si em honra. E ganhar uma nação para Cristo exige olhar, antes de tudo e antes de si mesmo… para a nação.

● A Igreja está hedonista. Quer prazer. Quer alegria. Quer ser feliz da vida. Quer emoção. Que louvores vazios mas emocionantes. Quer cantores carismáticos, mesmo que pouco espirituais. Quer shows e não momentos de intimidade com Deus. Quer se sentir bem. Quer cultos que atendam às suas necessidades. Quer pregações que a faça sorrir. Quer enriquecer e ter uma vida abastada. Só que antes de ganhar uma nação para Cristo temos que chorar muito, nos humilhar, esquecer o que nos faz bem e buscar o que faz bem à nação. E orar. Orar! A Igreja hoje celebra muito, canta muito… mas ora de forma mirrada, esquelética. Só que pouca oração e muita celebração não farão nação alguma se converter. Se ganharmos o país para esse modelo de cristianismo o que faremos é transformar o Brasil numa grande rave gospel, com festa atrás de festa, celebração após celebração e pouca ou quase nenhuma vida íntima com Cristo.

● Grande parte da Igreja tem pregado um evangelho mentiroso.  O que se tem divulgado é um Jesus fictício, complacente, eternamente alegre e exultante, que nos garante “plenitude de alegria, todo dia”. Mas o Cristo de verdade quer que tomemos nossa cruz para segui-lo. Que morramos para nós mesmos. Que deixemos pai e mãe para ir após Ele. Mas a nação não quer fazer nada disso. E para ganhar a nação para Cristo ela tem que saber que terá de abrir mão de muita coisa, de esvaziar-se de suas vontades e desejos e seguir um caminho de renúncia e muitas vezes de sofrimento. Ganhar a nação para Cristo significa propor a ela: tome sua Cruz e siga-me. Arrependa-se de seus pecados, abra mão de seu eu e mude de vida. Honestamente: é isso que temos pregado?

● A Igreja está dividida. A Palavra nos diz que “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir” (Mc 3.24). Mas deixamos nossas paixões denominacionais suplantarem a unidade. Nós, pentecostais, fazemos piada com os tradicionais. Os tradicionais ridicularizam os pentecostais.  Todos menosprezamos os neopentecostais. Nos tornamos “anti” qualquer coisa que não sejamos nós mesmos. Nas tentativas de unir a Igreja perde-se tempo com discussões inócuas e vaidosas. Esquartejamos o Corpo de Cristo. E ainda assim queremos acrescentar uma nação inteira a esse Corpo? Como? Se não depusermos as hostilidades e buscarmos a unidade – verdadeira e sincera – uma nação ganha para Cristo sob esses moldes de igreja desunida seria um grande frankenstein.

● Nossas motivações são equivocadas. Queremos ganhar o Brasil pra Cristo não por amor às almas perdidas, mas sim para garantir nosso galardão no céu ou para finalmente fazermos parte do clube que representa a maioria e não a minoria. Queremos é estar por cima. Falta-nos, mais do que amor pelo Brasil, amor por cada brasileiro.

● Estamos tentando avançar na sociedade utilizando cargos políticos e legislações. Queremos ganhar o Brasil não para Cristo, mas para projetos de poder mascarados de cristianismo. E isso elegendo políticos supostamente comprometido com o Evangelho, fazendo marchas e protestos, usando de politicagens e chantagens políticas e organizando lobby no Planalto. E nada disso são armas espirituais. Nada disso nunca vai, de modo algum, glorificar o Senhor. Apenas cumprirá uma agenda política e nada mais.

Haveria muitos outros problemas que poderíamos desenvolver aqui, mas não quero me alongar mais. Não quero parecer um profeta do apocalipse, pintando um cenário pessimista. Minha intenção não é essa. Mas me atreveria a perguntar: será que os problemas que apontei acima são fruto da minha imaginação ou você consegue enxergá-los ao seu redor? Alguns poderiam dizer que o que escrevi não é nada edificante, mas… Há algo mais edificante que reconhecer nossos pecados para que possamos refletir sobre eles, arrepender-nos e consertar os erros? Não é isso que significa edificar? Construir? E, se preciso for, reconstruir? Parar de varrer a sujeira para baixo do tapete e acertar as coisas?

Há focos de resistência. Pequenos grupos que buscam viver uma espiritualidade real, profunda, desinteressada. Mas são grupos desconhecidos, pequenas igrejas escondidas, pastores que pregam para poucos e que proclamam o Evangelho como ele é, sem o desejo de agradar mais ao homem que a Deus. Cristãos que se abraçam e se amam de modo entregue e que se devotam à causa de Cristo e ao próximo. Esses são o remanescente fiel. São o último alento. Mas estão longe das câmeras de TV, das grandes gravadoras, dos eventos faraônicos, reunidos em silêncio, buscando a face de Deus sem fazer balbúrdia, sob as sombras do bem-aventurado anonimato. Eles são a semente da minha esperança.

Acredite: eu gostaria de que o Brasil fosse ganho para Cristo. Gostaria imensamente. Gostaria de viver numa pátria onde o Evangelho ditasse o procedimento das pessoas. Gostaria de poder afirmar: “Feliz é a minha nação, pois seu Deus é o Senhor”. Mas o que vejo ao meu redor não me permite fingir que está tudo bem. Não está. A Igreja de Cristo precisa se repensar e se acertar antes de empreender projetos de conquista. E isso urgentemente. Um exército desorganizado, desunido e despreparado não conquistaria nem um vilarejo, quanto mais uma nação.

Precisamos de um milagre. É caso de vida ou morte. E morte eterna. Precisamos nos arrepender dos caminhos pop e egoístas que estamos trilhando. Precisamos voltar a orar com um coração generoso. Precisamos nos humilhar. Precisamos clamar por misericórdia. Precisamos parar de tentar vencer o mundo no peito e na raça e tentar vencer, antes de qualquer outra coisa, nossas próprias concupiscências com o rosto no pó e os joelhos calejados. Essa luta não se vence com gritos, protestos, marchas, lobbies políticos e partidarismos, mas com lágrimas. Até caírem as escamas de nossos olhos e enxergarmos a dimensão espiritual que existe por trás da cortina da matéria continuaremos agindo como o servo de Eliseu, que não via o exército celestial do lado de fora de sua casa e desejava agir segundo os métodos do mundo e não os do Espírito.

Até lá, antes de pensarmos em ganhar o Brasil para Cristo, deveríamos nos preocupar em ganhar a nós mesmos para Ele. E isso diariamente. Pois é mediante a  transformação pessoal, de um a um, alma a alma, no campo do micro, que alcançaremos o macro. Caráter. Espiritualidade. Intimidade com Deus. Estudo aprofundado das Escrituras. Leitura de autores sérios. Menos exultações e mais contrição. Amor ao próximo de fato, comprovado em atos. Sem atitudes como essas, ganhar a nação para Cristo é um sonho distante. E, honestamente, impossível.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

1 Mauricio Zágari é um peregrino em terra estranha. Sonha (acordado) com uma Igreja sólida, bíblica e piedosa. Editor do blog: http://www.apenas1.wordpress.com/

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os limites da lógica humana


Anísio Renato de Andrade 1

Até onde vai nossa capacidade de raciocínio e compreensão?

A razão é uma importante faculdade humana, mas, colocada como orientadora da espiritualidade, pode se tornar perigosa, criando laços teológicos e bloqueios contra a fé.

A razão trabalha com base na lógica, que consiste no encadeamento de fatos, princípios e conceitos que se encaixam de modo coerente, conduzindo a conclusões compreensíveis ou resultados previsíveis e naturais. A lógica é formada por um conjunto de regras baseadas na observação e na experiência. Aquilo que nunca aconteceu (ou não testemunhamos) pode parecer ilógico. Aquilo que nunca experimentamos pode parecer impossível. Nossa lógica está limitada ao passado, condicionada por nosso conhecimento e experiências, e tudo isso está delimitado pelos sentidos físicos e por nossa capacidade de raciocínio.

O homem natural vive limitado pela lógica e acha que sempre está com a razão. O homem espiritual vive pela fé naquilo que Deus falou (I Co 2.14-15).

A razão, com sua lógica intrínseca, é de importância extraordinária em nossas vidas. Contudo, há muitas coisas além do limite racional. Por exemplo: a existência da vida no planeta terra é algo que está além da lógica. O racionalismo não explica a vida, embora não a possa negar.

A lógica trabalha muito bem com dados para chegar a diversas conclusões. Porém, não temos todos os dados sobre Deus e sua obra (Ec 3.11; 8.17; 11.5).

O homem erra ao pensar que sua razão é infalível e totalmente eficaz na análise de todas as coisas e de todos os temas. Este erro é mais freqüente por parte das pessoas mais “sábias”, mais instruídas, mais inteligentes, do ponto de vista humano. Um “doutor em qualquer coisa” corre o risco de ser “sábio aos seus próprios olhos” e achar que está em condições de julgar todas as coisas, rotulando como falso o que lhe parece logicamente incompreensível. Era o problema de algumas pessoas em Corinto que, estando no berço da filosofia, desprezavam a mensagem do evangelho, pois ela não lhes parecia razoável. Chegavam a considerá-la loucura. Paulo toma emprestada essa idéia e diz que devemos então ser loucos mesmo, pois a loucura de Deus é mais sábia que os homens (I Co 1.18-2.16; 3.18; 8.2).

Quando a razão se encontra com a questão da divindade, podemos tomar um dos caminhos abaixo:

1 – O ateu: nega a existência de Deus pelo fato de não poder vê-lo nem compreendê-lo.

2 – O teólogo liberal: coloca a razão acima da fé. Tenta decifrar Deus e recusa o que não pode ser compreendido. Tal atitude leva a um bloqueio em relação às experiências sobrenaturais e pode conduzir ao ateísmo.

3 – O cristão equilibrado: compreenderá apenas o que Deus colocou ao seu alcance e deixará que a fé o leve além da razão.

Dúvidas e questionamentos

Entender Deus é um alvo impossível. Por exemplo, Paulo disse que o Senhor nos dá a paz que excede todo entendimento (Fp.4.7). Aliás, todos os seus atributos divinos e muitas de suas ações estão além do nosso entendimento. Quem pode compreendê-lo ou explicar as suas obras?

Deuteronômio 29.29 diz que “as coisas reveladas são para nós e nossos filhos”. Estas podemos compreender, mas “as coisas ocultas pertencem ao Senhor nosso Deus”, ou seja, não estão ao alcance das nossas mentes. Algumas dessas coisas podem ser experimentadas, mas não explicadas.

Precisamos ler a bíblia e estudá-la. O estudo envolve questionamentos e esclarecimentos. Entretanto, o estudante precisa encontrar um limite para suas questões. Na medida em que conhecemos as Escrituras, temos muitas dúvidas e encontramos também muitas respostas, de modo que o nosso conhecimento vai aumentando. Se, em determinado assunto, não encontrarmos esclarecimento dentro da bíblia, pode ser que estejamos diante de um mistério de Deus (ITm.3.9,16; IITss.2.7; ICo.15.51). Devemos então encerrar o nosso questionamento, aceitando pela fé o fato que a bíblia nos mostra. A razão encontrou então o seu limite. Esta afirmação não é aceita pelo filósofo ímpio, pois seu propósito é questionar sempre. Por isso, a filosofia tende para o ateísmo. Ela nos serve como instrumento cultural, mas não pode dominar o pensamento cristão nem servir de bússola para a nossa espiritualidade.

Vejamos alguns exemplos de questões que a Bíblia não responde: De onde Deus veio? Ele criou a Si mesmo? Como Deus pode ser três Pessoas numa só? O que Deus usou para fazer o mundo? Por que Deus não destruiu Satanás quando ele pecou? Por que Deus permitiu a existência do mal?

Quando fazemos estas e outras perguntas, podemos ser tentados a aceitar explicações anti-bíblicas. O ateísmo e o espiritismo oferecem muitas explicações perniciosas. O melhor é aceitarmos o fato como a bíblia diz, desistindo de encontrar respostas em outra fonte. Corremos o risco de aceitar dados oferecidos por meio de teorias, como a da evolução, de modo que a nossa fé seja influenciada ou mesmo danificada.

Não troque a palavra de Deus por teorias chamadas “científicas” nem por argumentos lógicos, o certo pelo duvidoso. Teoria é algo que não foi provado, por mais lógica que seja. Ser lógico não significa ser correto ou errado, mas apenas coerente com um conjunto de idéias ou dados (que podem ser incompletos ou até mesmo forjados).

Os questionamentos podem ser positivos em muitos casos, mas precisamos colocar a fé acima das questões. Não há porque questionar uma ordem de Deus ou querer entender sem obedecer ou como condição para a obediência. Por exemplo, podemos não ter pleno entendimento sobre o batismo e a ceia do Senhor, mas isso não deve ser impedimento para a sua realização. É claro que não podemos ser negligentes com o que está ao nosso alcance para ser aprendido.

A revelação de Deus para nós é algo limitado, embora bastante amplo: “O que de Deus se pode conhecer...” (Rm 1.19). Existe, portanto, um limite para o nosso conhecimento e compreensão. O próprio Daniel não entendeu todas as visões que teve (Dn.12.8-9).

Alguns questionamentos dos discípulos não foram respondidos por Jesus, como o exemplo que lemos em Atos. Eles perguntaram: “Restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”. O Mestre respondeu: “Não vos pertence saber os tempos e as épocas que o Pai determinou pelo seu próprio poder” (At 1.6-7).

Precisamos reconhecer os limites da nossa compreensão. Caso contrário, na ânsia de racionalizar todas as coisas, poderemos inventar ou adotar teorias anti-bíblicas. Por exemplo, a bíblia diz que a virgem concebeu e deu à luz um filho: Jesus. A lógica humana não acompanha tão afirmação. Quem insiste em satisfazer a razão, tentará encontrar alguma explicação para o nascimento virginal e poderá construir proposições que, no fundo, vão dizer que a bíblia está mentindo. O melhor a se fazer, em casos assim, é aceitar pela fé o que a bíblia disse e encerrar o questionamento.

Não procure explicações naturais para o sobrenatural. Não procure explicações “científicas” ou “psicológicas” para os milagres de Jesus. Observe que os judeus, não podendo admitir nem explicar a ressurreição de Jesus, inventaram uma “história” mais razoável, dizendo que os discípulos haviam roubado o corpo do Mestre.

Tentações racionais

Satanás usa a lógica como instrumento de tentação.

O que nos parece razoável pode ser tentador, pois tem aspecto de algo correto, ainda que não o seja. Em Gênesis 3, percebemos a lógica de Satanás ao dizer: “É certo que não morrereis”. Para Eva, tratava-se de um raciocínio lógico, com base na experiência até aquele momento. Afinal, ninguém tinha morrido antes. Contudo, a Palavra de Deus afirmava que o pecado traria a morte. Aparentemente, podia não ser lógico, mas era garantido.

Quando Jesus disse que importava ir a Jerusalém e morrer, Pedro lhe disse: “De modo nenhum te acontecerá isso” (Mt 16). Aquele discípulo tinha todas as razões para chegar a essa conclusão. Afinal, o Mestre que tinha libertado tantas pessoas, não haveria de ser preso. Jesus, então, lhe retrucou: “Para trás de mim, Satanás”.

O que é lógico nem sempre está correto. As tentações satânicas são sutis, contendo argumentos razoáveis. Seguindo o seu raciocínio podemos ser levados a concordar com ele.

A vingança, por exemplo, é algo lógico, mas não é correto. O perdão não é lógico, mas é o que Deus deseja. Amar os inimigos vai contra qualquer raciocínio, mas foi a ordem de Cristo.

A verdade usada para o mal

O diabo é mentiroso, mas fala algumas verdades, e estas se tornam mais perigosas do que suas mentiras. Ele usa a lógica para nos enredar. Ele diz: “se você pecar terá ganhos, vantagens, prazeres, poder e dinheiro”. Pode ser verdade. Ele só não diz o preço de tudo isso.

Quando ele nos acusa de pecado, pode estar falando a verdade (Zc 3). Então isso nos constrange e nos deixa abalados. Este é um dos seus ataques mais eficazes. Contudo, devemos vencê-lo pela proclamação do perdão que temos em Cristo.

Na tentação, o inimigo disse ao Senhor: “Se tu és o filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4). Aquela frase continha várias verdades: Jesus é o filho de Deus; havia pedras diante dele; Ele tinha todo poder para transformá-las em pães e estes seriam úteis para saciar sua fome. Isto era perfeitamente possível para Jesus. Por trás daquela sugestão havia vários pressupostos lógicos, verdadeiros, e, por trás deles, um propósito maligno.

Quando Maria derramou um vaso de nardo sobre Jesus, Judas disse: “Que desperdicio! Poder-se-ia vender este perfume e dar o dinheiro aos pobres”. Seu argumento parecia lógico e bondoso, mas seu íntimo desejo era se apropriar do dinheiro (João 12.4-6). O inimigo diz: “Faça o bem! Deixe de dar o dinheiro a Jesus e dê aos pobres”. Isto parece razoável. É a lógica do Anticristo.

Esta artimanha tem sido usada em muitas religiões que praticam a caridade, mas afastam as pessoas de Jesus; usam a bíblia, a verdade, mas estão conduzindo os homens ao inferno.

O lugar da razão na experiência espiritual

Não estamos descartando o valor do raciocício e da inteligência, mas precisamos manter a fé acima de tudo isso. Nossa crença não é irracional, mas extrapola os limites da razão, assim como acontece com o amor.

Minha razão é fundamental para mim, mas minha espiritualidade não pode ficar restrita àquilo que eu compreendo.

Vamos comparar nossas experiências com Deus a um trem, ampliando a ilustração proposta na literatura da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo.

Tudo o que existe no universo começou com a palavra de Deus (Heb.11.3). Assim também é na nossa experiência espiritual. A palavra de Deus é o motivo primordial. Ela produz fé em nós (Rm 10.17). Palavra + fé = resultados, fatos, milagres. “Estes sinais seguirão aos que crêem...” (Mc.16.17). Depois vem nossa compreensão parcial. A razão acompanha a fé de longe. Jamais a alcançará, embora sempre a esteja seguindo. A emoção, tão volúvel, fica por último na ordem de importância. Nossa vida com Deus não pode depender da emoção. Ela é boa e desejável, mas não pode nos controlar. Nossa vida espiritual está baseada na palavra de Deus, sobre a qual depositamos nossa fé. Deus falou, eu creio, e acabou. Não importa o que eu sinto. Os sentimentos virão depois. A alegria, por exemplo, é algo maravilhoso, mas eu não posso depender dela para servir a Deus. Eu dependo da fé, que depende da Palavra. O justo viverá pela fé (Hb 10.38).

A fé e a razão têm um ponto de contato na experiência concreta. Os sinais são produzidos pela fé e observados pela razão.

Quando vi um tumor saindo pelo meu nariz enquanto recebia uma oração, minha razão registrou a realidade da existência de Deus, embora eu já acreditasse nisso muito tempo antes.

Não vamos entender tudo sobre Deus e sobre a bíblia. A razão não pode tomar o lugar da fé. Se invertermos as posições no nosso “trem”, ele poderá parar ou até retroceder.

A razão pode parecer um ótimo filtro para a fé. Alguns só querem crer naquilo que possam compreender claramente. Entretanto, o que seria um filtro torna-se um bloqueio. A verdadeira fonte e filtro da fé é a bíblia. Não vamos sair por aí crendo em qualquer coisa, em qualquer deus ou em qualquer espírito. A nossa fé é regulamentada pela bíblia.

O conhecimento intelectual alimenta a razão. O conhecimento espiritual através da bíblia e da experiência com Deus alimenta a fé.

O racionalismo de alguns personagens bíblicos

O uso do verbo “arrazoar”: Em muitas situações, Jesus estava na contra-mão da razão humana e, principalmente, farisaica. As pessoas que o rodeavam sempre arrazoavam sobre suas palavras e ações, isto é, tentavam entendê-las apenas com a razão e, geralmente, chegavam a conclusões erradas. Vemos o uso do verbo arrazoar nos seguintes textos: Mt 16.7-8, 21.25; Mc 2.6-9, 8.15-21, 11.30-31; Lc 12.17, 20.14.

Os fariseus, saduceus, escribas e doutores da lei eram os principais arrazoadores, tornando-se muito críticos e questionadores em relação a Jesus. Os discípulos, com melhores intenções, também viviam arrazoando, raciocinando, tirando conclusões lógicas a respeito do que Cristo falava. Contudo, o Mestre queria levá-los a um novo tipo de entendimento, baseado na fé. “Pela fé entendemos...” (Hb 11.3).

Os “teólogos liberais” na época do Novo Testamento

A existência de demônios, por exemplo, não é algo lógico para nós. Algumas pessoas afirmam que a possessão demoníaca nada mais é do que uma doença neurológica, ou seja, loucura.

Esse tipo de raciocínio combina com o de alguns contemporâneos de Cristo. Os saduceus não criam em anjos, espíritos e ressurreição (Mt 22.23; Mc 12.18; Lc 20.27; At 23.6-8). Eles eram inteligentes, “sábios”, doutores da lei, sacerdotes, elite religiosa. Talvez se considerassem “à frente do seu tempo”. Contudo, estavam errados .

A quem interessa que não se acredite em demônios? Interessa aos próprios demônios para que continuem agindo livremente.

O Velho Testamento que os saduceus liam já mencionava aquelas realidades espirituais, mas parece que tais referências bíblicas eram por eles descartadas ou “interpretadas” de modo “mais racional” (Gn 16.7; Dt 32.17; II Cr 11.15; Sl 106.37; IIRs 8.1; Dn 12.2). Talvez eles tenham lido estas passagens como “figuras de linguagem” quando, de fato, eram literais.

Nem Jesus conseguiu convencê-los. O tempo passou e lá em Atos 23.6-8 eles continuavam parados no tempo. Não avançaram na fé porque foram detidos pela razão. Não estavam convertidos, nem salvos, nem cheios do Espírito Santo.

Em Corinto, Paulo teve problemas com aqueles que negavam a ressurreição (I Co 15). Eles eram inteligentes e estavam muito bem alinhados com a razão e a lógica. Um morto voltar? A razão nos diz que é impossível. Logo, o cristianismo não cabe dentro da lógica humana e os que quiserem ficar restritos a ela rejeitarão a Cristo, pois a sua ressurreição é o fato mais importante a ser aceito e declarado para que alguém seja salvo (Rm 10.9).

Em nosso estudo teológico, precisamos nos lembrar de o "teo" [Deus] é infinitamente maior do que o "lógico". Deus não cabe nos moldes da lógica. Isto não significa rejeição à teologia, mas apenas o reconhecimento de seus limites. Devemos usar a lógica como instrumento e não como freio para a nossa fé. Deus me deu olhos, mas eu não posso ser limitado pelo que vejo. Não quero perder a visão física, mas quero ir além através da fé. Da mesma forma, não quero perder a razão nem ficar preso por ela.

Não se deseja uma fé ignorante, sem entendimento (Rm 10.2), nem tampouco uma fé amarrada pelo intelecto.

Podemos estudar sociologia, antropologia e filosofia, pois são matérias úteis, mas não podemos ser dominados por seus conceitos, muitos dos quais elaborados por ímpios e ateus. Seus axiomas podem conduzir o estudante desavisado ao ecumenismo ou ao ateísmo, na medida em que as manifestações religiosas, incluindo o cristianismo, são indevidamente reduzidas a denominadores comuns, como se tudo isso fosse apenas produção humana. O mau uso de tais disciplinas inclui um processo de racionalização, com tendência apóstata, que passa pela pretensa demitização de fatos bíblicos, bem como pela atenuação da noção bíblica do pecado e da condenação eterna.

Em nome da razão e do modernismo, muitos querem usar as Escrituras, removendo, porém, seus fundamentos sobrenaturais e divinos. Os argumentos dessas tendências são lógicos, mas sua essência é maligna.

A renovação do entendimento

A razão está contaminada pelo pecado. Por isso precisamos da renovação da nossa mente, pela ação da palavra de Deus e do Espírito Santo, para que tenhamos a mente de Cristo (Rm 12.1-2; I Co 2.16).

Deus tem sua própria lógica. Andando com ele vamos aprendendo a pensar como ele pensa. Percebemos que Ezequiel estava nesse processo. Diante do vale de ossos secos, Deus lhe perguntou: “Poderão viver estes ossos?” Ele disse: “Senhor, tu o sabes” (Ez 37). Já foi um progresso. Se ele respondesse de acordo com a lógica humana, diria: “Senhor, de jeito nenhum”.

Na medida em que crescemos espiritualmente e conhecemos a palavra de Deus, desenvolvemos uma “mentalidade espiritual” ou “entendimento espiritual” (Cl 1.9).

Indo além da razão

Só a fé nos faz experimentar o poder de Deus. "A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." (I Co 2.4-5). A vida cristã tem diversos aspectos e poderíamos abordá-la de tantas formas, mas vamos visualizá-la dividindo-a em duas partes: conhecimento e poder. A lógica é muito útil enquanto estamos na área do conhecimento teórico. Daí em diante, só podemos avançar pela fé. O poder de Deus não se manifesta com base na lógica, embora não precise sempre contrariá-la.

Não podemos permitir que o nosso relacionamento com Deus fique travado por questões de lógica.

Quando Deus disse que Sara teria um filho, ela riu. Afinal, não era lógico uma mulher idosa e estéril ter um filho. Pois Deus cumpriu sua promessa e o nome do menino foi Isaque, que significa "riso".

Quando Jesus disse a Nicodemos que ele precisava nascer de novo, aquele doutor da lei viu toda a sua lógica ser lançada por terra.

Para acompanharmos Jesus, precisamos andar pela fé, não dependendo de entender tudo o que ele diz e realiza. Assim, não haverá limites para nossas experiências espirituais. Experimentaremos milagres sem fim, pois cremos em um Deus ilimitado, Todo-poderoso.

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Fonte: http://www.anisiorenato.com/logica.htm

1 Bacharel em Teologia. Twitter: http://www.twitter.com/anisiorenato. Site pessoal: http://www.anisiorenato.com. Email: anisiorenato@ig.com.br.