terça-feira, 29 de março de 2011

"Odres" novos, "vinho" velho…

Carlos Moreira1

Durante 20 anos ministrei louvor na Igreja. Sinto-me privilegiado por ter tido por referência toda uma geração de músicos e cantores que mudaram o sentido e o significado da utilização da música como meio de adoração a Deus.

Cresci ouvindo estes homens maravilhosos e suas músicas encantadoras! Guilherme Kerr, Jorge Camargo, João Alexandre, Sérgio Pimenta, Gerson Ortega, Asaph Borba, Adhemar de Campos, Benedito Carlos e Nelson Bomilcar. Com eles aprendi sobre o significado de rendição, quebrantamento, humildade, espírito sacrificial, paixão, coisas que se tornaram obsoletas quando tratamos da música em nossos dias...

Já faz oito anos que não ministro louvor na Igreja. Mas no meu entendimento, há pelo menos quinze o ministério da adoração perdeu totalmente o seu propósito e significado. Música no meio cristão tornou-se artigo de entretenimento. Músicos viraram mercadores, cobram cachê para tocar, seja onde for, seja em qualquer lugar; cantores agora são “astros pop”, saem ovacionados dos estádios, tem produção profissional, vendem milhões de cd’s e dv’s no eletrizante mercado da música “gospel”.

Tenho apenas 44 anos, mas sou do tempo em que os jovens se reuniam para ir a um ginásio assistir a um culto com a presença dos Vencedores por Cristo. Ali ouvia-se boa música, com letras que exaltavam a Deus e glorificavam a Cristo. Havia conteúdo teológico nas canções, não as baboseiras que ouço hoje. Foi cantando estas canções que aprendi sobre o Sangue, a Cruz, a Justificação, a Santificação, o Nascer de Novo. Nas músicas recitadas agora você chama Jesus para dançar, exige restituição do que é seu, declara que receberá tesouros na terra. É tanta asneira e tanta falta de entendimento que eu não sei como essa moçada consegue fazer “sucesso”.

E levaram a arca de Deus, da casa de Abinadabe, sobre um carro novo; e Uzá e Aió guiavam o carro”. 1ª. Cr. 13:7. Não sei se você conhece esta passagem. Ela trata da tentativa de Davi de levar a Arca da Aliança de Quiriate-Jearim, que estava em Judá, para Jerusalém. A intenção de Davi era boa, mas seu entendimento sobre como realizar tal feito era nenhum.

A passagem completa pode ser lida no capítulo 13 do livro de 1ª Crônicas. Davi havia acabado de ser conclamado Rei e teve o entendimento de que deveria trazer a Arca “pois nos dias de Saul não nos valemos dela”. O Rei sabia que aquele artefato era muito mais do que uma obra de artífice, mas tinha o significado da presença de Deus no meio do Seu povo. E Davi não queria começar a governar sem que o Senhor estivesse entronizado na tenda da congregação, no meio do tabernáculo.

Mas como se diz por aí, “de idéia boa o inferno está cheio”. Ao invés de consultar os Rolos Sagrados para averiguar como Deus havia ordenado que a Arca fosse levada, Davi partiu para a “inovação”. Enfeitou um carro de boi novo, colocou um bocado de penduricalhos, e depositou a Arca em cima dele. E fez mais: para dar um tom ainda mais imponente ao cortejo, pôs dois sacerdotes paramentados para comboiarem a procissão. O resultado foi trágico! O carro de boi tropeçou numa pedra quando, a caminho de Jerusalém, passava por um riacho, e Uzá, sacerdote do Deus altíssimo, tentando dar uma mãozinha a Ele, colocou a mão na Arca para que ela não se despedaçasse no chão. Foi o suficiente para acender a ira do Todo-Poderoso, o que fez com que ele fosse fulminado e morresse ali mesmo imediatamente. 

Naquele episódio funesto, houve três problemas. O primeiro é que a arca não podia ser levada num carro de boi, mesmo sendo ele novo e emperiquitado. A Arca tinha de ser levada por pessoas, alçada sobre seus ombros. O segundo problema é que a Arca não podia ser conduzida por qualquer um, mesmo que estes fossem sacerdotes, mas apenas pelos levitas, que eram os únicos qualificados e separados para tal ofício. Finalmente, o terceiro problema é que, não havendo discernimento da parte de ninguém, perdeu-se totalmente a percepção do que a Arca simbolizava, ou seja, a presença do próprio Deus! Esse foi o motivo de Uzá ter morrido, pois ele tocou não apenas num artefato religioso, mas na santidade do próprio Deus!

Há muitas lições a serem aprendidas nesta passagem. Quisera eu que os cantores e músicos de nossos dias pudessem compreendê-las. Vejo o que fizeram com o louvor e a adoração com tristeza e até pavor. Transformaram o que deveria ser um culto em um show, com direito a fumaça, luzes, som de última geração, marketing, produção, e toda a pirotecnia utilizada pelas bandas seculares. É o “carro de boi novo”, a parafernália “gospel” tentando compensar a falta de graça e unção com som estridente e plasticidade performática.

Em lugar de “levitas”, gente consagrada e separada para a adoração, ainda que não nos moldes do velho testamento, é claro, temos agora astros e estrelas de grande popularidade. Eles precisam de figurinistas, maquiadores, cabeleireiros, personal trainer, todo um aparato periférico para que possam brilhar quando subirem ao palco. Brilham mais do que Jesus! A eles, então, seja dado todo louvor e toda a adoração!
Confesso que nunca fui a um show destes. Tenho pavor de que Deus derrame fogo do céu e consuma tudo o que estiver embaixo. Tenho medo de “tocar na Arca” sem morrer. Essa gente, devo admitir, ou tem muita coragem ou é totalmente cega de entendimento. Eles banalizam o sagrado, roubam para si aquilo que não lhes pertence – pois a glória é honra para Deus, mas veneno para o homem. Quem dela se alimentar morrerá em meio a seus próprios devaneios. Aliás, o simples fato destes falsários não perceberem o que fazem já é o atestado de que há muito estão mortos em seus próprios pecados e cobiça. Talvez você me pergunte: “há exceções?”. E eu lhes digo: “há”. Mas são pouquíssimas...

Sinto saudade das “velhas” canções do MILAD e dos Vencedores por Cristo! Sinto saudade dos hinos cantados nos cultos dominicais, herança histórica da igreja. Nada contra novos ritmos, instrumentos diversos, letras contextualizadas e melodias modernas, muito pelo contrário, sempre amei o rock’n roll. Mas no fundo o que eu gostaria mesmo era de ver “vinho novo” em “odres novos”, e não “odres novos” com “vinho velho”. Aliás, para ser sincero, este “vinho” já virou vinagre faz tempo – arg! E os “odres”, Deus me livre, há muito que se tornaram vasilha vazias...

Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2011/03/odres-novos-vinho-velho.html

1 Carlos Moreira é culpado por tudo o que escreve. Cansou do que está vendo na música e adoração na Igreja. Prefere ouvir CD no carro ou ver DVD em casa. Ele escreve no Genizah e também na Nova Cristandade.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Jovens desafiados para avançar

André de Araújo Neves 1

clip_image002Os jovens cristãos precisam entender que viver para Deus é a maior empreitada à qual podem ser aventurar nesta vida. E as conseqüências dessa aventura certamente ecoarão pela eternidade. É preciso saber discernir bem as escolhas que fazemos no tempo que se chama hoje, a fim de que possamos colher amanhã frutos que glorifiquem ao nosso Deus. Mas é preciso primeiramente reconhecer que não é fácil ser jovem e cristão neste presente século, isto é, um cristão que não viva a sua fé em contradição com suas práticas habituais, um cristão genuíno, e não apenas um “crente de IBGE”. A Bíblia chama isso de integridade.

Novos tempos trazem novos desafios. Entre os desafios dos cristãos do século XXI está o de estar em constante adaptação aos novos mecanismos de comunicação, novos paradigmas do mundo do trabalho, novas tecnologias e simbioses da vida moderna, ao mesmo tempo em que se mantém afastado da corrupção do mundo, que segundo Tiago é parte da essência da religião pura e imaculada para com Deus (Tg 1:27). Com que purificará o jovem seu caminho? Observando-o conforme a Palavra de Deus (Sl 119:9).

Ninguém despreze a tua mocidade.” (I Tm 4:12) A quem o apóstolo Paulo dirige estas palavras? Ao jovem Timóteo, seu parceiro ministerial, e não a um jovem qualquer. Se alguém vive para Deus, mesmo que seja de pouca idade, sua pouca idade não deve mesmo ser desprezada. Mas se vivermos para nós mesmos, mesmo depois de velhos, não acharemos a sabedoria. A estes que não fogem das paixões da mocidade, e dão-se a “fábulas e genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé” (I Tm 1:4; cf. 2:7), certamente não é a estes que Paulo está se referindo.

Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.” (I Jo 2:14b) Estas palavras foram dirigidas apenas a um seleto grupo de jovens, pertencentes às várias igrejas às quais o apóstolo João endereçou suas epístolas. Obviamente, ele não se referia a todos os jovens, de todas as eras e de quaisquer igrejas. Entretanto, devemos nos ater a um princípio aqui: que nós, jovens, só seremos fortes caso a Palavra de Deus habite em nós, e como conseqüência disto, é que iremos vencer o Diabo. Infelizmente, alguns têm desprezado este princípio, e como conseqüência de sua negligência para com a Palavra de Deus, muitos jovens cristãos têm sucumbido diante das adversidades do nosso tempo.

Questões pessoais, morais e espirituais fervilham a todo momento na mente dos jovens das nossas igrejas. Será que devo permanecer virgem até o casamento? Devo cursar uma faculdade? Qual é o meu sonho de família? A qual carreira profissional devo me lançar? Quais atributos de caráter devo procurar no meu futuro cônjuge? Mais que respostas simplistas tais como “leia a Bíblia, nela encontrarás as respostas”, que muitas vezes ouvem dos seus líderes e conselheiros, os jovens cristãos estão sedentos por relacionamentos interpessoais saudáveis que ultrapassem o nível de meras “relações igrejeiras”, e tornem-se amizades sólidas e duradouras. A Bíblia relata algumas amizades notáveis, tais como Rute e Noemi (Rt 1:16), Davi e Jônatas (I Sm 18:3), Paulo e Barnabé (At 13:46; 15:12), e do próprio Senhor Jesus com o “discípulo amado”, João (Jo 21:7). Será que temos tido sucesso em estabelecer amizades deste naipe nos nossos dias?

Preciso confessar que nestes meus vinte e poucos anos, ainda sou um aprendiz de cristão, um discípulo tentando aprender e reaprender a andar como o Mestre. Nesta caminhada, posso afirmar que tenho tido mais do que toda a ajuda necessária, por parte dos amigos que Deus tem colocado no meu caminho, da igreja e ministério locais, e do pastoreio de homens e mulheres de Deus. Sejamos gratos a Deus, pelos ajudadores que Ele coloca ao nosso lado, e perseveremos firmes com o nosso olhar em Jesus, o autor e consumador da nossa fé (Hb 12:2). Por isso, “fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos trementes. Dizei aos turbados de coração: sede fortes, não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; Ele virá, e vos salvará.” (Is 35:3,4)

Fonte: Jornal “AD Porto Velho News” – Edição de Março/2011.


1 Membro da igreja Assembleia de Deus Central de Porto Velho, Ministério de Madureira. Graduado em Matemática, atualmente exercendo o cargo de Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça, e Acadêmico de Direito da Unir. Email: teacher.neves@gmail.com. Twitter: http://www.twitter.com/andreneves1.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Saber julgar é uma questão de sobrevivência espiritual

Pastor E. L. Bynum

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I. [POR QUE] PRATICAR O JULGAMENTO BÍBLICO É CORRETO ?

Um dos versículos mais mal interpretados na Bíblia é: “Não julgueis, para que não sejais julgados”. (Mt 7:1). Toda Escritura deve ser tomada em seu contexto, se quisermos adequadamente entender o seu verdadeiro significado. Nos versículos de 2 a 5 deste mesmo capítulo é evidente que o versículo 1 está se referindo ao julgamento hipócrita. Um irmão que tem uma trave em seu próprio olho não deve julgar o irmão que tem um argueiro no seu. A lição é clara, você não pode julgar outro por seu pecado se você é culpado do mesmo pecado.

Aqueles que se prendem ao “Não julgueis, para que não sejais julgados”, para condenar aqueles que expõem o erro devem ler o capítulo inteiro. Jesus disse: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas…” (vers. 15). Como podemos conhecer os falsos profetas se não os julgarmos pela Palavra de Deus? Se conhecermos os falsos profetas, como podemos falhar em alertar o rebanho a respeito desses “lobos devoradores”? Por toda a Bíblia encontramos provas de que devemos os identificar e os expor.

“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus”. (vers. 16,17). Será que o Senhor Jesus quis dizer que não podemos julgar a árvore (pessoa), mas somente o fruto de sua vida e doutrina? Certamente não, pois você não pode conhecer sem julgar. Todo julgamento deve ser baseado no ensino bíblico e não de acordo com caprichos ou preconceitos [pessoais].

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24). Aqui nosso Senhor ordena que devemos “julgar segundo a reta justiça”, que é o julgamento baseado na Palavra de Deus. Se o julgamento é feito sobre qualquer outra base que não a Palavra de Deus, é uma violação a Mateus 7:1. O dicionário Webster diz que um juiz é “alguém que declara a lei”. O cristão fiel deve discernir (isto é, julgar) na base da inspirada lei de Deus, a Bíblia.

Um fornicário é descrito em 1 Coríntios 5:1-13. Paulo “julgou” (v.3), o homem, embora ele estivesse ausente, e disse à igreja em Corinto que eles  deveriam “julgavar” (v.12) aqueles que estavam dentro. A palavra grega para “julgar” é a mesma aqui, como em Mateus 7:1. Paulo não viola “Não julgueis, para que não sejais julgados”, ao julgar o homem, nem ao instruir a igreja para julgar também. Toda esta decisão foi de acordo com a Palavra de Deus.

Uma pessoa que é capaz de discernir entre o bem e o mal tem pelo menos uma das grandes marcas da maturidade espiritual. “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal (Hebreus 5:14).

Aqueles que não estão dispostos ou que são incapazes de discernir ou julgar entre o bem e o mal estão desta forma revelando tanto sua desobediência quanto/ou sua imaturidade.

 

II. É CORRETO EXPOR OS FALSOS MESTRES?

Hoje, os falsos mestres estão livres para espalhar suas doutrinas venenosas porque há uma conspiração de silêncio entre muitos crentes na Bíblia. Lobos em pele de cordeiro são, assim, habilitados a assolar o rebanho, dessa maneira destruindo a muitos.

João Batista chama os fariseus e saduceus (os líderes religiosos da sua época) uma “raça de víboras” (serpentes) (Mateus 3:7). Hoje, ele seria acusado de ser sem amor, cruel, e de não ser cristão.

Jesus disse aos fariseus religiosos, “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”(Mateus 12:34). Para muitos evangélicos e alguns fundamentalistas, isso seria uma linguagem inaceitável hoje, mas é uma linguagem bíblica e veio da boca do Filho de Deus.

Ao ficar cara a cara com estes falsos mestres, Jesus Cristo, o filho de Deus, os chamou de “hipócritas”, “guias cegos”, “cegos”, “sepulcros caiados”, “serpentes” e“raça de víboras” (Mateus 23 :23-34). No entanto, somos informados de que hoje estamos em comunhão com homens cujas doutrinas são tão antibíblicas como os dos fariseus. Alguns dos que dizem que eles são cristãos bíblicos insistem em trabalhar com católicos romanos e outros vários heréticos. No entanto, segundo muitos, não devemos repreendê-los pela transigência deles.

Perto do início de seu ministério, “Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará” (João 2:13-16). Nosso Salvador é hoje apresentado como aquele que era manso, humilde, bondoso e amoroso, até mesmo para os falsos mestres, mas isso é totalmente falso. Ao lidar com falsos mestres e profetas, Suas palavras eram fortes e Suas ações simples e claras.

Perto do fim do Seu ministério público, Cristo achou necessário purificar o templo novamente. A exposição das falsas doutrinas e práticas é um trabalho sem fim. Naquela época Ele disse: “Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões” (Marcos 11:17).É diferente hoje? Os ladrões entram na casa de Deus, e roubam o povo de Deus da Bíblia e vendem suas Bíblias pervertidas. Ao mesmo tempo, esta malta de ladrões rouba o povo na doutrina da separação e na doutrina da santificação. Então você quase não pode dizer qual é o povo de Deus e o povo do mundo. Honestamente, não devem estes ladrões (falsos mestres) ser expostos?

Em nossos dias, esses falsos mestres vieram às igrejas com seus livros, literatura, filmes, psicologia e seminários, e transformaram a casa do Pai em um covil de ladrões. É tempo de homens de Deus se levantarem e exporem os seus erros para que todos os possam ver.

A BÍBLIA NOS IMPELE A DENUNCIAR O ERRO:

DEVEMOS TESTÁ-LOS [pô-los à prova]. “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1). Toda a doutrina e seus ensinadores devem ser postos à prova de acordo com a Palavra de Deus. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20). Cada mensagem, mensageiro, e método devem ser julgados de acordo com a Palavra de Deus. A igreja de Éfeso foi elogiada por terem posto “à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos” (Apocalipse 2:2). A igreja de Pérgamo foi repreendida porque seguia “a doutrina de Balaão” e “a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio”(Apocalipse 2:14,15). Nunca foi correto tolerar falsos mestres, mas eles devem ser julgados pela Palavra de Deus, e expostos. É claro que aqueles que querem desobedecer a Palavra de Deus vão procurar de todos os meios evitar esse ensino.

DEVEMOS NOTÁ-LOS E EVITÁ-LOS. “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Romanos 16:17). Aqueles que conduzem e ensinam de forma contraditória com a Palavra de Deus devem ser notados e evitados. Isto requer discernimento e decisão à luz da Bíblia. Os ecumênicos, os neo- evangélicos e os fundamentalistas transigentes e lenientes vão resistir a qualquer esforço para obedecer a Escritura. Eles não podem ser notados e evitados a menos que sejam julgados de acordo com a Palavra de Deus.

DEVEMOS REPREENDÊ-LOS. “Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (Tito 1:13). Isto foi escrito a Tito, porque havia pessoas que iam de casa em casa subvertendo famílias inteiras com a falsa doutrina (v.10-16). Oral Roberts, Robert Schuller, Jimmy Swaggart, Pat Robertson, e outros [aqui no Brasil: Edir Macedo, Valdomiro, R.R. Soares, Valnice Milhomens, e outros] estão subvertendo casas inteiras com sua falsa doutrina, hoje. Será que devemos nos sentar silenciosamente, enquanto eles fazem isso, sem repreender e admoestar as pessoas a evitar o seu ensino? Não, o fiel servo do Senhor deve reter “firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9).

NÃO DEVEMOS TER COMUNHÃO COM ELES. “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Efésios 5:11). Reprovar significa censurar, condenar, criticar, repreender e refutar. Como podemos obedecer a Escritura, a menos que os julguemos pela Palavra de Deus?

NÃO DEVEMOS TRABALHAR JUNTAMENTE COM ELES. “Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu” (2 Tessalonicenses 3:6). Devemos nos afastar daqueles cuja doutrina e conduta não estão de acordo com a Palavra de Deus. O contexto mostra claramente que a obediência à sã doutrina é o que Paulo tem em mente, pois ele diz: “se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (2 Tessalonicenses 3:14-15). Paulo admoestou Timóteo para “afastar-se” de quem “não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade” (1 Timóteo 6:3-5).

DEVEMOS NOS AFASTAR DELES. Referente aos últimos dias, Paulo diz que alguns terão “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te, pois essas pessoas são “nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 3:5,7). Como é que podemos nos afastar se não os identificarmos? E isto requer que a sua mensagem seja comparada com a Palavra de Deus. O objetivo do pregador verdadeiro é:“pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2). Isso geralmente é uma tarefa ingrata e impopular, mas é o dever do homem chamado por Deus.

NÃO DEVEMOS RECEBÊ-LOS EM NOSSA CASA. “Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 João 10,11). Não há dúvida sobre quem João está falando, é “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo …”(V.9). Por rádio, televisão e literatura, os falsos profetas são levados para as casas de muitos cristãos de hoje. Irmãos, isto não deveria acontecer!

DEVEMOS REJEITÁ-LOS COMO HERÉTICOS. “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o(Tito 3:10). Devemos rejeitar [por exemplo] aqueles que negam a redenção pelo sangue de Cristo. Há muitos que negam essa ou alguma outra doutrina da Palavra de Deus. Se eles não atenderem à admoestação, então devem ser rejeitados.

DEVEMOS ESTAR ALERTAS CONTRA AQUELES QUE PREGAM OUTRO EVANGELHO. Paulo advertiu sobre aqueles que pregavam “outro Jesus … outro espírito… outro evangelho” (2 Coríntios 11:4). Como podemos conhecê-los, a menos que avaliemos, pela Palavra de Deus, o Jesus deles, o espírito deles, e o Evangelho deles? Paulo chamou esses pregadores de falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13). Ele explica v.14-15, que estes pregadores são os ministros de Satanás. Hoje, o homem chamado por Deus deve ser exatamente tão fiel assim, em expor os ministros de Satanás.

Paulo advertiu os gálatas sobre aqueles que “transtornam o evangelho de Cristo”. Ele também disse: “Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema (Veja Gálatas 1:6-9). Multidões hoje estão pregando um evangelho pervertido. Aqueles que ensinam a salvação através do batismo, ou por obras, estão ensinando um evangelho pervertido. Aqueles que pregam uma salvação que você pode perder estão pregando um evangelho pervertido. Os carismáticos/ pentecostais, os católicos, muitos evangélicos, e muitos fundamentalistas estão pregando um evangelho pervertido. No entanto, [Deus] espera de nós que não cooperemos com eles no evangelismo e trabalho cristão, como muitos o fazem, hoje. Se não deixarmos de expor esses falsos profetas, então teremos por covardia, traído Jesus Cristo e Seu Evangelho.

DEVEMOS NOS SEPARAR DELES. “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei” (2 Coríntios 6:17). Isto é muito simples. O povo de Deus sair da apostasia e do erro religioso. Como pode um crente na Bíblia permanecer em entidades e organizações como convenções, comunhões ecumênicas e apóstatas? Como podem permanecer entre evangélicos condescendentes e fundamentalistas sem real tutano?

 

III. É CORRETO CITAR NOMES?

Muitos acreditam enganosamente que é errado denunciar o erro e citar os nomes dos culpados, mas eles estão errados de acordo com a Bíblia.

PAULO CITOU PEDRO PUBLICAMENTE. Pedro foi culpado de prática antibíblica. “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14). A questão toda gira em torno da salvação pela lei ou pela graça. Quando a integridade e a pureza do evangelho estão em jogo, então não temos escolha quando se trata da questão de expor os erros e dar nomes.

PAULO CITOU DEMAS POR AMAR O MUNDO. “Porque Demas me desamparou, amando o presente século” (2 Timóteo 4:10). Aqueles que abandonam a causa de Cristo para a vida mundana e seus prazeres devem ser expostos e seus nomes citados.

PAULO CITOU HIMENEU E ALEXANDRE. Paulo disse a Timóteo a militar “por elas boa milícia; Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar”(1 Timóteo 1:18-20). Os verdadeiros servos de Deus devem guerrear uma guerra boa, e citar os nomes daqueles que se afastaram da fé que uma vez foi entregue aos santos. Paulo não está aqui discutindo a fé da salvação, mas a fé como um sistema de doutrina. Estes homens fizeram naufrágio disto e Paulo os expôs e os chamou pelos seus nomes.

PAULO CITOU HIMENEU E FILETO. Ele disse a Timóteo “procura apresentar-te a Deus aprovado”, que ele deveria ser alguém que “maneja bem a palavra da verdade”. E continuou, dizendo: “Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2 Timóteo 2:15-18). A falsa doutrina derruba a fé de alguns, então aqueles que a estão proclamando devem ser expostos.

PAULO CITOU ALEXANDRE, O LATOEIRO. Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu,guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras” (2 Timóteo 4:14-15). É claro que este não é um problema de personalidade, mas um problema doutrinário. Alexandre tinha se posicionado contra as palavras e a doutrina de Paulo. Ele era um inimigo da verdade. Pastores piedosos enfrentam o mesmo problema todos os dias. Eles defendem e proclamam a verdade, então os seus membros vão para casa e ouvem essa verdade discutida por pregadores carismáticos/pentecostais de rádio e TV. Muitas vezes estes falsos profetas enviam suas publicações para as casas dos membros das igrejas verdadeiras. Então, de acordo com muitos, o homem de Deus deve manter sua boca fechada. Mas somente um covarde vai ficar em silêncio quando a verdade da Bíblia está sob ataque.

JOÃO CITOU DIÓTREFES. “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe(III João 9). Ele relatou como este homem tinha tagarelado contra ele “palavras maliciosas” (v.10). Ele ainda disse: “Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” (v.11). Não é errado citar os nomes daqueles cuja doutrina ou prática é contrária à Palavra de Deus.

Na verdade, toda a Bíblia está cheia de exemplos de falsos profetas sendo [publicamente] chamados pelos seus nomes e [publicamente] expostos [pública denúncia de seus erros]. Toda esta moderna conversa sobre o amor é usada como uma desculpa para não expor erro. Isto não é realmente bíblico, mas um [mero sentimentalismo- emocionalismo erroneamente chamado de] amor [que é espantosamente] fora de ordem [da Bíblia].

MOISÉS CITOU O NOME DE BALAÃO. (Ver Números 22-25). Pedro expôs o caminho de Balaão … que amou o prêmio da injustiça (2 Pedro 2:15). Balaão era um profeta que estava na obra por dinheiro, como a maioria dos falsos profetas que hoje aparecem na TV. Eles pedem dinheiro e vivem como reis, enquanto multidões de pessoas ignorantes enviam-lhes o seu dinheiro arduamente ganho. Eles estão sempre construindo escolas, hospitais, redes de televisão por satélite, parques de diversão que tem até uma lâmina d’água para Jesus. E então nós devemos manter nossa boca fechada sobre esses charlatões religiosos? Como podemos ficar em silêncio e ser fiéis a Deus?

Judas expôs “o prêmio de Balaão” (Judas 11). João expôs “a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem (Apocalipse 2:14). Isso vai direto ao cerne da questão, sobre a doutrina da separação. Balaão nunca amaldiçoou Israel, embora ele quisesse o salário que lhe foi oferecido para fazê-lo. Os homens de Israel cometeram prostituição “com as filhas dos moabitas … e inclinou-se aos seus deuses” (Números 25:1,2). Por que eles fizeram isso? Porque Balaão ensinou Balaque a botar abaixo a barreira de separação entre os moabitas e os israelitas. Sabemos que isso foi assim porque é claramente afirmado em Apocalipse 2:14 e Números 31:16. Este pecado resultou em 24 mil homens de Israel morrendo sob o julgamento de Deus.

Os falsos mestres estão botando abaixo a barreira de separação entre o povo de Deus e a falsa religião. Existe muito pouco de pregação e ensino sobre a doutrina da separação. Balaão violou a doutrina da separação pessoal fazendo com que os homens de Israel cometessem fornicação com as mulheres moabitas. E ele violou a doutrina da separação eclesiástica, fazendo com que os homens de Israel se curvassem diante de Baal. Isso trouxe uma maldição sobre Israel. Até voltarmos a ensinar a verdade sobre a separação pessoal e eclesiástica, podemos esperar que o caos continue generalizado e destruindo o que temos hoje.

Parece que muitos  acreditam que algumas pessoas são demasiadamente importantes e poderosas para serem citadas ou expostas. Homens em altas posições, pastores de grandes igrejas, e aqueles com grande audiência de rádio e TV, estão supostamente acima de qualquer crítica. O que eles possam fazer ou dizer, não importa quão contrárias à Bíblia seja, é supostamente tudo certo. Nada poderia estar mais longe da verdade.

NATÃ IDENTIFICOU O HOMEM. Havia um homem em uma posição muito alta que era um adúltero secreto. Certamente este homem que ocupou o mais alto cargo na terra não poderia ser repreendido por um profeta humilde e impopular. Natã foi direto a presença de Davi,, revelou o pecado em forma de parábola, e então disse a Davi furioso, “Tu és este homem” (2 Samuel 12:7).

HANANI CITOU O NOME DO REI JOSAFÁ. Em muitos aspectos, Josafá era um bom rei, mas erroneamente ele se esqueceu praticar a separação religiosa. Ele fez seu filho casar com a filha do ímpio rei Acabe. (Ver 2 Crônicas 18:1; 21:1-6). Ele fez uma aliança com Acabe, e foi para a batalha de Ramote-Gileade com ele (2 Crônicas 18). Hanani disse [publicamente] ao rei Josafá: “Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que odeiam ao SENHOR?” (2 Crônicas 19:2).

Sim, é correto expor o erro e citar aqueles que estão no erro. É correto “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). E como foi de uma vez para sempre entregue, nunca mais foi necessária uma revisão. É melhor tomar cuidado com “falsos profetas… que introduzirão encobertamente heresias de perdição” (2 Pedro 2:1). Mensageiros fiéis alertam as ovelhas dos hereges, e os identificam chamando-os pelos seus nomes. Não é suficiente apenas dar pistas de suas identidades , pois as jovens ovelhas não entenderão tais avisos , de modo que rebanhos serão destruídos por aqueles lobos.

Fonte: Título original: “É Correto Julgar, Expor o Erro e Citar Nomes?”, do pastor E.L. Bynum, traduzido por Edimilson de Deus Teixeira, [Hélio acrescentou alguns esclarecimentos, entre colchetes], solascripturat Yahoo grupos.

Comentário de Roberto Aguiar: Obviamente não em todos, mas na maioria dos casos em que se levanta a bandeira do “não jugueis”, tudo não passa de hipocrisia e advocacia em causa própria. Por que? Porque  todos julgam todos, e quem diz que não julga é hipócrita, porque julgar faz parte da configuração racional do homem. A capacidade de julgar é uma das características que diferenciam o homem dos outros animais. Na maioria das vezes as pessoas só levantam o clamor do “não julgueis” em defesa própria ou para a manutenção do gosto pessoal. Quando a situação vira e julgar se faz necessário para a manutenção da estabilidade pessoal, essas mesmas pessoas parecem nunca terem ouvido falar em tal coisa ”não julgueis”. A isso se dá o nome de hipocrisia e dissimulação. Portanto seria mais coerente pararmos de fingimento e encararmos as coisas como elas se apresentam, quer nos favoreçam ou não, porque as coisas não podem mudar de nome ao nosso bel prazer.

“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós”. (1 Coríntios 11:19)

Fonte: http://discernimentocristao.wordpress.com/2011/02/27/saber-julgar-e-uma-questao-de-sobrevivencia-espiritual/