domingo, 30 de outubro de 2011

Precisamos de uma nova Reforma?

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Título Original: Reforma protestante: diga não para a festa!1

Texto: Atos 20:17-35

 

1. Que tenho eu feito pelo Reino de Deus? Amanhã a Igreja Cristã celebra os 494 anos da Reforma Protestante. Mas há, de fato, motivos para celebrar? Na verdade, a Reforma nos lança o desafio de sermos nós, hoje, reformadores. Diante dos cinco princípios norteadores da Reforma, cabe a nós sermos uma resposta aos desafios de nosso tempo. Admirar a coragem de Lutero, o zelo de João Calvino e a ousadia do Arcebispo Thomas Cranmer não fará a diferença que Deus quer que nós façamos hoje. E, para isso, precisamos URGENTEMENTE buscar as raízes, as veredas antigas de nossa fé.

2. Os desafios continuam os mesmos. Precisamos continuar pregando só a graça, só a fé, só Cristo, só as Escrituras, só a Deus a Glória. Estes princípios ainda são fonte de incompreensão. Muitos querem saber apenas de um Deus que é um despenseiro de bênçãos. Hoje, prega-se excessivamente auto-ajuda, mas não se fala de arrependimento e nova vida em Cristo, não se fala do Senhorio de Jesus Cristo, não se fala da glória futura reservada aos eleitos. O falso-evangelho pregado hoje é baseado em concepções mundanas, mercadológicas e humanistas.

Criam os protestantes no livre-exame das Escrituras e no sacerdócio universal de todos os crentes. Criam os protestantes na liberdade de pensamento e expressão, na liberdade de opinião.

3. O Mundo hoje é dominado pelo secularismo e pelo hedonismo e a Igreja Cristã tem sido seduzida por muitas práticas que não condizem com o verdadeiro Evangelho. O mundo grita e exige respostas urgentes. E a resposta de Deus, somos nós.

Hoje, ao invés de Sola Gratia, muitos têm pregado uma doutrina conhecida como “maldição hereditária” ou ainda a chamada “Teologia da Prosperidade” que afastam o homem de Jesus Cristo porque não são doutrinas de salvação, mas de medo, de angústia, de superstição e de desejo desenfreado pelas coisas dessa vida.

Hoje, ao invés da Sola Fide, muitos têm buscado determinar as coisas para Deus como se ele fosse o nosso empregado e fizesse apenas o que nós queremos que seja feito. E se ele não responde como ele quer, ficamos frustrados. A Bíblia afirma a Soberania de Deus e afirma que é pela fé que nós nos relacionamos com ele.

Hoje, ao invés de Solo Christus, muitos tem buscado fazer parte da Igreja do Pastor fulano de tal, vão atrás de pregadores e operadores de milagres, vão atrás de curas e maravilhas e desviam o olhar de Cristo, aquele que pode fazer tudo isso e muito mais. Querem participar de mega-eventos que promovem denominações ou pessoas em vez de glorificarem o Nome de Cristo.

Hoje, em vez de Sola Scriptura, muito vão pelo que eu acho, pelo que eu penso, pelo que eu concordo ou não concordo... eu, eu, eu... Aliás, livre-exame tem sido considerado como livre-interpretação, ou seja, eu entendo do jeito que eu quero. Por isso muitos têm se afastado da Escola Dominical e dos cultos porque se consideram donos da verdade e não tem nada mais a aprender com ninguém. Afastam-se do convívio da comunidade. A postura da pós-modernidade é a de questionamento das verdades fundamentais da fé como por exemplo do nascimento virginal de Cristo ou a ressurreição do Mestre. Cientistas e historiadores têm negado até mesmo a existência de nosso Salvador.

O Sacerdócio Universal de todos os crentes para muitos tem cedido espaço para que pastores inescrupulosos usurpem da sua condição, determinando quem os jovens da comunidade devem namorar, abusando de sua autoridade pastoral de “ungidos do Senhor” para usurpar de seus gordos salários e escravizarem o povo de Deus segundo as suas conveniências.

4. Precisamos sempre estar em constante Reforma. Reformar não é destruir, reformar é dar nova vida, novo ânimo. Lutero não fundou uma nova Igreja, nem Calvino, nem Cranmer. Parece que para muitos a Igreja começou no século XVI, mas ela se inicia no Pentecostes, em Atos 2. A situação espiritual e moral da Igreja está em péssimas condições (bancada evangélica, escândalos financeiros, redes de TV, escolas, universidades...).

Precisamos urgentemente de :

a) Testemunho da fé: em todo o tempo (Atos 20:18);

b) Humildade (Atos 20:19);

c) Lágrimas e provações (Atos 2:19);

d) Pregar publicamente (Atos 20:20) – Lloyd-Jones: “Aos coríntios e a outros ele diz: ‘Uma dispensação do evangelho me foi confiada’. Esta era sua posição, e deve ser a nossa. Esta é a Palavra de Deus! É a Revelação! É infalível porque é de Deus! Esta é a primeira arma para a nossa guerra. Ela deve ser proclamada; não é para ser defendida, mas proclamada; para ser anunciada com santa ousadia; para ser ‘declarada’ aos homens. Não precisamos de ‘diálogos’; precisamos de ‘declarações’.

e) única mensagem: arrependimento e fé em Jesus (Atos 20:21);

f) Entrega total da vida a Deus, para o que der e vier (Atos 20:22,23), porque o único objetivo de nossas vidas tem que ser a glória de Deus!

5. A resposta é: precisamos de avivamento! O desejo de Deus é levantar um povo santo e zeloso de boas obras, comprometido com o Reino de Deus. Deus não precisa de meros religiosos (lembrai-vos dos fariseus!), Deus quer pessoas comprometidas com o seu Reino que é maior que qualquer instituição humana.

6. Para isso é necessário:

a) uma vida de oração;

b) leitura e meditação diária das Escrituras;

c) Paixão pelas almas / zelo evangelístico.

7. Chega de blasfemarmos o nome do Senhor. Que Ele nos conceda o seu Espírito Santo para que a nossa vida seja um canal para abençoar este mundo tão carente de Jesus Cristo.  Amém.

1 Sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Franca – SP, no dia 30 de outubro de 2011.

Fonte: http://anglicanosreformados.blogspot.com/2011/10/reforma-protestante-diga-nao-para-festa.html

domingo, 2 de outubro de 2011

Refletindo sobre as músicas tocadas nos nossos Cultos

Renato Vargens1

aaaaHá pouco participei de um culto onde o momento de louvor  com música foi uma pulação só. Depois de  mais de uma hora de muitos gritos, saltos e urros espirituais, o pastor embuido de uma espiritualidade opaca me avisou que o sermão não deveria passar de  30 minutos, isto porque, a hora havia passado e já estava tarde demais.

Pois é, ultimamente tenho pensado nas canções cantadas em nossas igrejas. Aliás, vale a pena ressaltar que a esmagadora maioria dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus. Para piorar a situação, as músicas cantadas pelos denominados artistas gospel, nem o nome de Cristo mencionam mais. Veja por exemplo a canção "Tire os pés do chão" do ministério Toque no Altar, que incentiva o crente a festejar, dançar e tirar os pés do chão.

Quem me viu dizia
Não poderá alcançar
Mas sou irresistível
Não vou mais parar
Este é um novo dia
A nova casa é maior
É tempo de alegria posso festejar
Por tudo o que vi, E o que virá.
Vou tirar os pés do chão, E festejar, festejar!!!
O impossível se rendeu. Eu posso dançar, dançar!!!
Diante das muralhas, Eu vou gritar.
Sobre os portões do inimigo, Vou saltar...

Caro leitor, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade, toca no altar, pede chuva, canta mantras repetitivos erotizando sua relação com Deus, desejando da parte do Criador, beijos, abraços e colo. 

Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.
Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração cristocêntrica extirpando das nossas liturgias essa pulação inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.

Soli Deo Gloria!

1 Renato Vargens é Pastor, conferencista internacional, plantador de Igrejas e escritor  com doze livros livros publicados e dois no prelo. É também Diretor da Scrittura Produções, colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes, editor do site http://www.renatovargens.com.br e pastor presidente da Igreja Cristã da Aliança em Niterói.

Fonte: http://renatovargens.blogspot.com/2011/10/tira-o-pe-do-chao.html