sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Músicos Cristãos aprovados por Deus

André de Araújo Neves

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15)

microfoneDesde cedo nas nossas igrejas, é fácil perceber que uma das áreas que mais atrai a atenção dos crentes e visitantes, é o louvor congregacional. As igrejas contemporâneas há algum tempo vêm abandonando os tradicionais corais e hinos orquestrados, nos quais havia a necessidade de envolver uma enorme quantidade de pessoas nos serviços religiosos, ensaios e demais eventos, e optado por uma simplificação da sua estrutura musical. Algumas igrejas ainda mantêm os coros e bandas de música, porém é fácil perceber que a ênfase maior recai sobre as equipes de música, comumente denominadas de ministérios de louvor. Essas equipes geralmente são formadas por uma pequena banda de base, constituídas por um tecladista, um baterista, um contrabaixista e um violonista, um pequeno backing vocal, com três até seis integrantes divididos em três naipes, e sendo dirigida e conduzida por um líder de louvor. É geralmente papel do líder de louvor selecionar os cânticos para o repertório, conduzir os ensaios e ministrações, além de zelar pela parte espiritual da equipe, sendo para tanto acompanhado pelo pastor ou por um conselheiro por ele designado.

Descrevemos a princípio como é o funcionamento dos ministérios de louvor das igrejas locais, sendo que a estes elementos podem ser acrescidos mais alguns, como instrumentistas do naipe de metais, e até de cordas ou de percussão ou, ainda, uma maior quantidade de backing vocals, possibilitando dessa forma a elaboração de escalas de serviço, de forma a dar oportunidade a mais pessoas da igreja local, ao mesmo tempo em que possibilita evitar o sobrecarregamento dos membros da equipe. Numa igreja local com muitos cultos semanais, ou que eventualmente precise atender uma congregação próxima, toda essa divisão de tarefas pode ser vista com bons olhos. No entanto, se há poucos trabalhos semanais, há de se repensar a necessidade de se ter uma equipe muito grande, em que podem eventualmente ocorrer desgastes de ordem emocional ou até mesmo espiritual.

Por conseguinte, devemos ter em mente que o momento de louvor no culto é um dos mais importantes em nossa vida cristã, pois nos dá a oportunidade de agradecer ao Senhor por Suas tão valiosas bênçãos, além de nos predispor a ouvir a pregação da Palavra que virá em seguida com um coração muito mais receptivo e alegre (1 Tessalonicenses 1:6), desde que ministrada sob a unção sobrenatural do Espírito. A música devocional nos ajuda, ainda, a enfrentar momentos de aflição e angústia (Mateus 26:30), ainda que acompanhado da oração (Tiago 5:13) e do acolhimento dos irmãos, sendo assim, inegável o seu efeito terapêutico no indivíduo. O louvor a Deus é, também, naturalmente uma parte intrínseca de notórios momentos de vitórias do povo de Deus: “E cantavam juntos por grupo, louvando e rendendo graças ao Senhor, dizendo: ‘porque Ele é bom; porque a Sua benignidade dura para sempre sobre Israel’. E todo o povo jubilou com altas vozes, quando louvaram ao Senhor, pela fundação da casa do Senhor” (Esdras 3:11).

Uma relevante pergunta que deve ser feita constantemente em nossos grupos de louvor é: será que o que temos realizado tem agradado o coração de Deus? Será que temos conseguido crescer como uma equipe coesa, que goza de plena comunhão com Deus e uns com os outros, e que por isso tem conseguido alcançar seus objetivos, quais sejam:

(1) adorar a Deus em espírito e em verdade (João 4:23) e influenciado positivamente a congregação a fazer o mesmo;

(2) executar arranjos de qualidade e com destreza musical, ainda que após exaustivos ensaios e, ainda, com unção e júbilo (Salmo 33:3b);

(3) incentivar os seus integrantes, uma vez que são chamados a meditar na Palavra do Senhor de dia e de noite (Salmo 1:2), a buscar uma constante capacitação bíblica e doutrinária;

(4) exercer o dom da criatividade e inteligência musical que Deus lhes outorgou para compor cânticos que exaltem ao Senhor na beleza da Sua santidade (1 Crônicas 16:29), com letras bíblicas e cristocêntricas;

(5) contribuir para a formação teológica e musical dos crentes, através de cânticos coerentes com as Escrituras (Salmo 119:54) e de fácil memorização, facilitando a participação de todos no momento do louvor congregacional;

(6) exercer o espírito cristão de mútua edificação, exortação e consolação, gerando entre os integrantes da equipe um sincero amor não movido por interesses egoístas (1 Coríntios 13:5), mas motivado pelo bem-estar do seu companheiro de ministério; etc.?

É importante salientar que a finalidade última em alcançar estes objetivos é a glorificação do Senhor, e não a nossa (2 Coríntios 4:5-7). Destarte, devemos nós como cristãos nos posicionar em relação a nosso papel enquanto integrantes de uma equipe de louvor da nossa comunidade cristã, sendo de suma importância nos conscientizar do importante papel que desempenhamos na vida litúrgica da igreja. Dessa forma, é necessário incentivar cada componente a buscar uma constante melhoria no seu labor ministerial, seja através dos ensaios, do preparo de novos arranjos musicais, da prática constante de exercícios vocais ou de exercícios no seu respectivo instrumento, e ainda, a participação em cursos e oficinas de capacitação musical, visando a busca da excelência ministerial. Não esquecendo ainda que o aspecto espiritual é preponderante sobre o aspecto teórico-musical, embora aquele não substitua a importância deste. É necessária uma busca constante da unção do Espírito Santo de Deus, buscando um enchimento diário de Sua presença e da manutenção da comunhão com Ele, visando a sua capacitação sobrenatural para o exercício do ministério. Dessa forma, teremos a aprovação do Senhor, ao reconhecer que sem Ele nada podemos fazer (João 15:5), e por este motivo, jamais devemos nos esquecer de que os nossos dons e talentos, quer sejam eles naturais ou sobrenaturais, têm o Senhor como a sua fonte, uma vez que “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17).

Soli Deo Gloria.


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 17ª Edição (página 14), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

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