segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Uma ardente expectativa

O ser humano sempre esteve em busca de um sentido para a sua existência, e desde os primórdios da civilização empreende esforços para formular perguntas e investigar as possíveis respostas. A filosofia grega ofereceu pistas às grandes questões existenciais tais como: de onde viemos, quem somos e para onde iremos; porém tais pistas acabam por se mostrar insuficientes, tanto que a cada nova resposta que é ofertada, uma nova pergunta é formulada, num ciclo sem fim. Também a Ciência acaba por oferecer algumas respostas às grandes inquietações humanas, oferecendo explicações racionais a certos fenômenos antes entendidos apenas sob o manto do mistério. No entanto, nem a filosofia nem a Ciência, nem qualquer outra tentativa humana, tem-se revelado capaz de saciar de uma vez por todas a sede humana por conhecer-se a si mesmo e ao universo que o cerca.

O Cristianismo oferta ao homem não apenas as respostas existenciais como também aponta para a necessidade do ser humano buscar no Ser Supremo a sua própria redenção, uma vez que esta cosmovisão faz uma acusação ao homem quanto ao seu estado pecaminoso e depravado. Uma vez que essa acusação é feita, ao mesmo tempo a Cruz é evidenciada; e por isto o cristão encontra Sua paz interior ao recepcionar a mensagem do Salvador como a sua maior e mais importante proposta de vida. Os valores proclamados por Cristo passam a ser os seus valores. Evidentemente, tais mudanças não costumam ocorrer do dia para a noite, pois como preleciona o Apóstolo Paulo, o “velho” homem empreende uma guerra a todo momento contra o novo homem (Efésios 4:22).

Neste mister, entendemos que essa tensão entre a antiga e a nova natureza da qual o cristão é revestido no momento do seu novo nascimento (João 3:7), gera no âmago do seu ser uma ardente expectativa por sua plena e total redenção. O Senhor Jesus, no seu célebre Sermão da Montanha, nos ensinou: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:6). Essa justiça a qual o Mestre se refere, e pela qual nós devemos ter sede e fome, não é outra senão aquela do Reino de Deus, perfeita, cujo ápice de sua consumação é na Cruz do Calvário, no qual o Filho de Deus satisfaz plenamente a justiça divina. Devemos nós, cristãos, portando, ter sede por esta justiça divina, muito mais do que pela “justiça” humana, que inúmeras vezes se revela débil e ineficaz. Porque “a ardente expectação da criação espera a manifestação dos filhos de Deus” (Romanos 8:19).

A cosmovisão cristã apresenta uma maneira bíblica de enxergar a realidade que nos cerca, de tal forma que a interpretamos conforme a Revelação divina que nos foi ofertada em Cristo, a Palavra viva de Deus, e Sua verbalização nas Escrituras. Daí a necessidade de o cristão amoldar sua própria vida e existência ao prumo das Sagradas Letras, buscando evidenciar na sua pregação de vida os valores do Reino de Deus. Não há cristianismo autêntico sem a proclamação das virtudes do Evangelho, uma vez que somos chamados de “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

Nesse sentido, a música cristã passa a ter um papel preponderante na proclamação das virtudes do Salvador. Precisamos cantar mais canções que O exaltem como o Supremo Criador e Redentor, deixando de lado os cânticos que foram introduzidos no nosso meio cuja temática não remete aos valores do Cristianismo bíblico. O cristão deve exercer o discernimento corretamente apurado pelo conhecimento bíblico-teológico de que dispõe através das obras de grandes servos de Deus do passado e do presente, bem como do próprio Espírito do Senhor que nele habita, a fim de examinar todas as coisas, reter o que é bom (I Tessalonicenses 5:21), e dessa maneira glorificar o Pai que está nos céus.

O cristão encontra a plena satisfação de sua sede de justiça nAquele que é o Justo Juiz, e em quem não há mudança e nem sombra de variação. O salmista Davi declara: “Ó Deus, Tu és o meu Deus, eu Te busco intensamente; a minha alma tem sede de Ti! Todo o meu ser anseia por Ti, numa terra seca, exausta e sem água” (Salmo 63:1). Embora tenhamos que empreender por todos os dias de nossas vidas terrenas a batalha contra a natureza pecaminosa que ainda nos prende a este mundo, a nossa sede é expressa pela Oração do Pai-Nosso que declara: “Venha o Teu Reino”. Que a nossa vida, que a nossa música, que a nossa pregação, que a nossa celebração comunitária, enfim, que toda a nossa vida eclesial venham a ser uma expressão dessa ardente expectativa. Que o Senhor da Igreja continue nos guiando às Suas águas tranquilas (Salmo 23:2), nos apascentando em Seus pastos verdejantes. E que, ao aprendermos a descansar nEle e em Suas promessas, possamos saciar completamente a nossa fome e sede de justiça.  

Soli Deo Gloria.

*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 18ª Edição (página 14), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

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