sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Verdadeiro Natal

Porque um Menino nos nasceu, e um Filho se nos deu, e o reino está sobre os Seus ombros, e o Seu nome será: ‘Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz’.” (Isaías 9:6)

Ao se aproximar o final do ano, começam os preparativos para a celebração alusiva ao nascimento do Salvador do mundo. A origem dessa festividade é polêmica, e muitos cristãos enxergam nela elementos do paganismo e da cultura romana pré-cristã; alguns vão ainda mais longe e enxergam em alguns de seus símbolos verdadeira transgressão ao segundo Mandamento. Observamos ainda que, para alguns, não se trata de simples ressalva à comemoração natalina, e sim a uma completa rejeição à sua celebração, sob o mais astuto dos argumentos: Cristo não nos teria ordenado comemorar o Seu nascimento, e sim, apenas a Sua morte e ressurreição (através da instituição da Santa Ceia). Tal argumento não merece grande consideração, uma vez que as Escrituras também não prescrevem explicitamente uma série de coisas, e não obstante nós as fazemos e temos como tais coisas boas e agradáveis, e dignas de louvor, sendo portanto lícitas de acordo com os princípios bíblicos (Filipenses 4:8).

Feita essa consideração inicial, entendemos que a celebração do Natal como importante festa no calendário cristão faz parte da vida comunitária na maioria das igrejas cristãs da atualidade. É comum em muitas igrejas a realização de várias programações alusivas a esta data, variando conforme a identidade confessional de cada denominação. De qualquer forma, essa data é marcada anualmente pela alegria e confraternização das famílias e amigos, que geralmente se reúnem na véspera de Natal para um jantar especial seguido de trocas de presentes e de muitos abraços. Esta certamente tem sido uma alegria memorável para muitos seguidores de Jesus de Nazaré em todas as gerações.

Mas temos que nos perguntar qual tem sido o principal motivador para esta festa? É certo que para muitos se trata de mera tradição, e para outros um simples catalisador comercial. Nessa época, certamente acontece um grande aquecimento nas vendas, onde muitas vezes o foco da celebração se perde em meio ao interesse insensato de obtenção de lucros e de vantagens indevidas. Nem por isso devemos deixar de comemorar essa tão importante data, e nosso dever como cristãos é o de realinhá-la ao seu propósito primordial de anunciar ao mundo que o Salvador veio, veio em carne, andou por onde nós andamos, se vestiu e viveu como um dos nossos, e não maculou-se com a corrupção desse mundo, antes veio servir de modelo de perfeita dignidade perante Deus.

Há uma rica tradição protestante de se oferecer à comunidade nessa época as centenárias peças musicais natalinas, e que a cada ano vêm com novos arranjos musicais, e eventualmente acompanhadas de encenações teatrais e coreográficas retratando os acontecimentos que culminaram no nascimento de Cristo, há mais de dois mil anos atrás. As cantatas de Natal são riquíssimas oportunidades de se enriquecer a comunhão entre os membros da igreja local, pois estão lado a lado às apresentações dos solistas, dos corais, todos os que dedicam os seus dons e talentos especiais, quer sejam na elaboração dos textos, de figurinos, cenários, na iluminação ou na sonoplastia, e é certamente que na união de todos que se viabiliza uma apresentação de musical natalino que se tornará inesquecível a todos. Além disso, trata-se de uma importantíssima ferramenta evangelizadora. Através das cantatas muitas pessoas têm se encontrado com Cristo, aceitando-O como Seu Salvador pessoal, e devotando-lhe completamente a sua vida e a sua existência.

O texto de Isaías 9:6 que citamos no início vem como uma forte inspiração a tudo isso. Afinal de contas, é porque Ele nasceu, é porque Ele veio ao mundo, ainda como um Bebê, humilde, nascido num estábulo, que nós hoje podemos celebrar a vida nova que temos através da fé no Filho de Deus. E não nos importa nenhum pouco que esta data não seja precisamente a data do Seu nascimento, pois é certo que Ele nasceu, em algum dia do ano, e é porque Ele nasceu, cresceu, exerceu Seu ministério, curou enfermos e expulsou demônios, morreu na Cruz e ressuscitou ao terceiro dia, ascendeu aos céus e enviou em seguida o Seu Espírito Santo sobre a Sua igreja, que hoje nós podemos nos alegrar em sermos Cristãos. E é essa alegria que devemos partilhar com as demais pessoas, quer seja através do nosso testemunho, quer seja pela pregação do Evangelho, quer seja pela música ou qualquer outra forma de arte.

Que a lembrança da “Noite Feliz” nos faça meditar sobre o verdadeiro sentido do Natal, que o Natal é o próprio Senhor Jesus Cristo, nascendo Homem! Que o glorioso mistério da Encarnação nos envolva, desperte em nós verdadeira paixão evangelizadora e nos impulsione mais ainda a bradar aos habitantes da Terra:

♪ “Povos, cantai: nasceu Jesus / Saudai o grande Rei! / Sim, todo ser que respirar, / Alegres adorai, alegres adorai / Rendei louvor ao nosso Rei!” ♫

Soli Deo Gloria.


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 19ª Edição (página 14), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.