segunda-feira, 30 de junho de 2014

Jesus Cristo é o Motivo da Minha Canção

“(...) E ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas. E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” (Apocalipse 14:2b-3)

Desde a era apostólica, a Igreja cristã vem traçando uma trajetória gloriosa em relação à sua hinologia.  A tradição musical cristã é riquíssima de formas, melodias, instrumentos e harmonia. Cristãos se destacaram como músicos tanto na área secular quanto na área religiosa, compondo letras e arranjos que acompanharam a cristandade em seus momentos devocionais de adoração coletiva. De confissão cristã-luterana, Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs “Jesus, alegria dos homens”, que tornou-se um destes cânticos que, por marcarem tanto a sua época, ficam registrados em lugar de destaque na História universal da Música. A letra, lindíssima – assim como o seu arranjo instrumental –, em tradução livre, diz que: "Jesus continua sendo minha alegria, o conforto e a seiva do meu coração. Jesus refreia a minha tristeza, Ele é a força da minha vida. É o deleite e o sol dos meus olhos, o tesouro e a grande felicidade da minha alma, por isso, eu não deixarei ir Jesus do meu coração e da minha presença.". Que declaração maravilhosa!

Os cristãos precisam a todo o momento exercitar a sua fé e devoção ao Filho de Deus, afinal de contas, Cristo é o centro da fé cristã. Muitos cristãos não demonstram em seu cotidiano um grande apreço pelo Salvador através de declarações e atitudes que honrem o Mestre. Talvez, em decorrência disto, muitos inconversos não despertam para a necessidade da conversão e do relacionamento com Jesus, pois falta-lhes o exemplo daqueles que, muitas das vezes, são as únicas “bíblias” que eles podem ler. O apóstolo Pedro nos admoesta da seguinte forma: “Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção” (1 Pedro 2:12). Creio que este é o maior testemunho que o servo de Cristo pode dar ao seu próximo, um caráter exemplar!

Entretanto, uma coisa que considero particularmente frustrante em relação à hinologia cristã contem- porânea é que ela pouco tem enfatizado a Pessoa de Jesus, Seus ensinamentos, Seus valores e Suas mar- cantes características mi- nisteriais e relacionais. Letras como a de Bach realmente têm nos faltado, e em seu lugar tem surgido toda a sorte de músicas esdrúxulas, enaltecendo a vaidade humana e seus efêmeros desejos. Um exemplo desta deterioração da música evangélica atual é a famosa canção “Sabor de mel”, que entre outras coisas, faz apologia à vingança pessoal e ao tripúdio do próximo. Outro caso de aberração na música gospel é “Celebrando a colheita”, que traz a seguinte declaração: “O Senhor abrirá todo o seu bom tesouro. O ouro e a prata são minha porção. E eu viverei o melhor dos meus dias (...)”. Peraí! Ouro? Prata? O Evangelho definitivamente não se trata disto! O Evangelho é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê! Romanos 14:17 diz: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

Está na hora da Igreja começar a resgatar a cristocentricidade não apenas na sua Música, mas também na sua liturgia, na sua pregação, e na sua Teologia como um todo. Os cristãos de uma maneira geral precisam entender que “Dele, e por Ele, e para Ele, são todas as coisas. Glórias, pois, a Ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:36). S.Paulo nos afirma que Cristo “morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 5:15) e, ainda que, para ele, o viver é Cristo e o morrer é lucro (Filipenses 1:21).

Pois então! Como, pois, são enfatizadas tantas coisas efêmeras desta vida em nossas canções, quando elas deveriam enfatizar Aquele é o motivo do nosso louvor?

Portanto, que os nossos louvores voltem a entronizar o Cristo que está acima das nossas vaidades e desejos carnais, acima dos nossos projetos humanistas sem nenhum compromisso com a glória de Deus, acima do nosso vão conceito de prosperidade e bem-aventurança. Que a música cristã, especialmente aquela que é entoada nos cultos cristãos, seja mais cristocêntrica e bíblica; dessa forma, “o Pai será glorificado no Filho” (João 14:13) e os cristãos estarão “guardando a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”(Efésios 4:3).

Solus Christus!

*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 26ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Educação dos Filhos

Élbem Cesar

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)

A “Lei da Palmada” (saiba mais sobre esta proposição legislativa clicando aqui) pune castigos que resultem em sofrimento físico a crianças. O texto determina que as crianças sejam educadas sem o uso de castigo físico ou "tratamento cruel ou degradante, como forma de correção, disciplina ou educação".

A educação dos filhos é um direito sagrado da família, considerando que é a base para toda boa criação e em conformidade com a lei da palmada somos contra qualquer tipo de violência em face da criança e adolescente bem como qualquer outra pessoa.

Lei da Palmada1

A maioria dos pais já deu uma palmada em seus filhos. Até aqueles contrários a esta atitude já usaram este argumento diante de uma situação mais complicada. Quando um pai corrige um filho usando este tipo de ação e eventualmente se sente culpado por tê-lo feito, significa que preferia não ter usado a palmada, mas não teve alternativa. Significa que tentou - e não conseguiu - de outras formas mostrar à criança que ela tem limites e que existem regras que devem ser seguidas. A criança precisa saber que há um limite para as suas vontades. E o pai deve mostrar isso com autoridade.

Acontece que "a família não é uma democracia. E as crianças não têm os mesmos direitos e deveres que os pais. Porque, no fim das contas, os pais é que são os adultos e têm de assumir as suas responsabilidades" (Phillips Asha, Um Bom Pai Diz Não, Editora Lua de Papel. 2009). Aos pais cabe decidir o que devem comer e quando devem ir para a cama, explica a autora: "são decisões simples, em que muitas famílias ficam reféns da vontade de crianças".

Dentro de uma família deve e precisa existir hierarquia, pois seus membros não são iguais. Para os pais ser diferente significa impor limites, auxiliar os filhos a superarem frustrações, saber e determinar o que pode e o que não pode. Se os pais não puderem mais exercer sua autoridade na educação de seus filhos, estes filhos vão crescer acreditando que podem fazer tudo o que quiserem, já que não serão recriminados e aí, no lugar de pessoas destinadas a uma vida com limites estabelecidos, mas feliz e profícua, estarão sendo criados tiranos que no futuro, em suas vidas adultas, não conhecerão os limites e estarão subordinados a outras pessoas também sem limites e teremos a anarquia incontrolável.

É notório que muitas crianças recebem a educação apenas com uma boa conversa, uma bronca, ou até um olhar de reprovação. Mas outras precisam de algo mais forte. Se assim não fosse, o grande sábio Salomão não teria deixado escrito na Bíblia que "quem não castiga o filho não o ama. Quem ama o filho castiga-o enquanto é tempo" (Provérbios 13:24) ou "não deixe de corrigir a criança. Umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-la da morte" (Provérbios 23:13-14) ou "é bom corrigir e disciplinar a criança. Quando todas as suas vontades são feitas, ela acaba fazendo a sua mãe passar vergonha" (Provérbios 29:15).

Fonte: http://www.elbemcesar.com/2014/06/educacao-dos-filhos.html

quinta-feira, 5 de junho de 2014

"É mesmo verdade que somos Levitas?"

Renato Marinoni¹
Introdução
"Arão apresentará os levitas ao Senhor como oferta ritualmente movida da parte dos israelitas: eles serão dedicados ao trabalho do Senhor. " Números 8:11
"Dessa maneira você separará os levitas do meio dos israelitas, e os levitas serão meus. Depois que você purificar os levitas e os apresentar como oferta movida, eles entrarão na Tenda do Encontro para ministrar. Eles são os israelitas que deverão ser inteiramente dedicados a mim. Eu os separei para serem meus em lugar dos primo- gênitos, do primeiro filho homem de cada mulher israelita." Números 8:14-16
"Dentre todos os israelitas, dediquei os levitas como dádivas a Arão e aos seus filhos; eles ministrarão na Tenda do Encontro em nome dos israelitas e farão propiciação por eles, para que nenhuma praga atinja os israelitas quando se aproximarem do santuário." Números 8:19

Existe uma mentalidade em nossas igrejas não de hoje, no Brasil, mas que já vem de alguns anos, de que pessoas que são chamadas para trabalhar com ministério de música são “levitas”. E por conta disso e da atual explosão da música gospel nas mídias e nos cultos, não é difícil encontrarmos estudos bíblicos para levitas, encontro de levitas, enfim, visando suprir as necessidades dessa classe que dizemos existir. Neste artigo, iremos ver quem eram os levitas, e porque essa nomenclatura não se aplica aos ministros de louvor dos dias hoje.

Quem eram os levitas e quais eram as suas responsabilidades?

Os levitas eram uma tribo dentre as 12 do povo de Israel, descendentes de Levi, filho de Israel (Jacó). E como os versículos acima mostram, Deus ordenou a Moisés, que inclusive era levita (Números 26:59), para separar toda essa tribo para servir ao Senhor no tabernáculo. 

Isso significava que os levitas seriam os músicos do tabernáculo? NÃO! Você pode se perguntar, “Mas quem eram os músicos do tabernáculo?” Ninguém, é a resposta. No tabernáculo de Moisés, se você ler os relatos do Pentateuco e dos livros históricos, você vai descobrir que não tinha música envolvida nas cerimônias religiosas que ocorriam no tabernáculo de Moisés. A música com certeza era utilizada pras festividades e em momentos marcantes da vida do povo de Israel, mas não nas solenidades sagradas. 

A música só começa a fazer parte do momento de “culto” no tabernáculo de Davi, quando este separa algumas famílias da tribo de Levi e os coloca como músicos, para ministrarem com música diante da Arca do Senhor. (1 Crônicas 16:4) 

Então, o que os levitas faziam? Eles desmontavam todo o aparato que envolvia o tabernáculo quando a nuvem se movia, durante a peregrinação no deserto, e montavam tudo de novo, quando a nuvem estacionava. Você já pensou em quanto sangue era derramado no altar? Os levitas é que higienizavam tudo, limpando, mantendo tudo em ordem. Eram eles que carregavam os utensílios do tabernáculo pelo deserto. 

Sim, depois que Davi os designou, algumas famílias de Levi atuavam como músicos, ministrando ao Senhor diante da arca. Portanto, já vemos que seria incorreto dizer que os levitas são os que são chamados para a área da música na igreja. Se queremos ser bíblicos, deveríamos chamar de levitas a equipe de limpeza e também os porteiros e diáconos. Mas não é somente essa questão que precisa ser analisada quando falamos da existência de uma classe levítica na igreja.

A levitização dos músicos

Em 2012, a Rede Globo promoveu um Festival de música gospel, transmitido em rede nacional, intitulado “Festival Promessas”. Muito se debateu sobre a validade de tal iniciativa, e não é meu intuito discutir isso aqui neste artigo. Estou trazendo à tona este assunto, pois ao entrar no site do Festival, me deparei com o slogan: “Só os levitas podem carregar a arca”, baseado no versículo 1 Crônicas 15:2. Parece uma frase bíblica e inofensiva, mas o que estamos dizendo com ela? 

Que existe uma classe de pessoas chamadas por Deus na igreja, atualmente, denominadas “levitas”, que são os responsáveis por “carregar a arca”, ou seja, ministrar, levar, carregar a presença de Deus para as outras pessoas. E quem não é levita, consequentemente, não pode carregar essa “arca” ou essa manifestação da presença de Deus. 

No versículo anteriormente referido, Davi havia estabelecido seu reino em Jerusalém e queria trazer a arca de volta para o centro da vida de Israel. Só que Davi se esquece que existia uma ordenança do próprio Deus que a arca tinha argolas para que varais pudessem ser colocados, para que os levitas carregassem a arca nos ombros. O rei coloca a arca em carros de bois, e essa falta de cuidado com os detalhes do transporte da arca se revela um verdadeiro desastre, culminando com a morte de Uzá. 

E aí pegamos este contexto que acabei de explicar e criamos uma separação entre “levitas” e “não-levitas” e conclui-se, então, que os não levitas não podem carregar a presença de Deus na igreja neo-testamentária. Mas o que o Novo Testamento tem a dizer sobre isso?

A imperfeição do ministério levítico

O livro de Hebreus trata muito profundamente sobre a questão do ministério levítico. Aconselho que você, leitor, após terminar a leitura deste artigo, leia os capítulos 7, 8, 9 e 10 de Hebreus. Vejamos alguns pontos importantes que são tratados pra nossa discussão:
“Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (pois em sua vigência o povo recebeu a lei), por que haveria ainda necessidade de se levantar outro sacerdote...?” Hebreus 7:11
Veja bem, o autor do livro de Hebreus constata que o ministério levítico não conseguiu trazer a perfeição para ninguém e por isso ele precisou ser substituído. Mas qual foi essa substituição? 

Jesus, através da Sua morte na cruz, se coloca num papel duplo: como sacerdote e como sacrifício, e se torna Sacerdote para sempre. Veja o que diz a carta aos Hebreus: "Ora, daqueles sacerdotes tem havido muitos, porque a morte os impede de continuar em seu ofício; mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles." (Hebreus 7:23-25)

Sabemos que Jesus não era levita, pois ele era descendente de Davi e Davi era da família de Judá. Então, se Jesus não se tornou sacerdote pelo sacerdócio levítico, a qual ordem Ele pertence? 

A Ordem de Melquisedeque

O autor da epístola nos responde dizendo que Jesus é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. (Hebreus 6:20). Quem era esse Melquisedeque? 

Lemos em Gênesis 14 que Abraão retornava de uma guerra quando Melquisedeque chega para visitá-lo e Abraão ofereceu os dízimos dos despojos da guerra a ele. Quem era essa pessoa? Ele só é apresentado como Rei de Salém (futuramente Jerusalém), rei de paz, e também sacerdote do Deus altíssimo. 

Veja algo interessante. Esse Melquisedeque (sem linhagem, sem genealogia, sem apresentação prévia, como diz Hebreus 7:3) era rei e também sacerdote. Não encontramos alguém ocupando essas duas funções em nenhum outro lugar das Escrituras. Ou se era rei ou se era sacerdote. Melquisedeque ocupa essas duas funções. 

O autor de Hebreus é tão perspicaz e inspirado pelo Espírito em sua explanação que ele diz que só se dava dízimo a quem se considerava como superior. Se Abraão, o grande patriarca de Israel e consequentemente de Levi, deu dízimo a Melquisedeque, era porque ele considerava o rei de Salém superior a si mesmo. Portanto, na pessoa de Abraão, Levi já era declarado menor que Melquisedeque. 

Cristo também ocupa essas duas funções: Rei dos Reis e Sumo Sacerdote para sempre, por isso Ele é sacerdote não por Levi, mas pela ordem de Melquisedeque.

O Sacerdócio de Todos os Santos

Qual é a implicação prática disso tudo para nós? Cristo inaugurou uma Nova Aliança, um novo tratado, uma nova forma de nos aproximarmos de Deus. “Chamando "nova" esta aliança, ele tornou antiquada a primeira; e o que se torna antiquado e envelhecido, está a ponto de desaparecer.” (Hebreus 8:13)

A Nova Aliança tornou a Antiga Aliança obsoleta. Não estou dizendo que ela se tornou sem valor, mas sim que precisamos reavaliar os preceitos da Antiga Aliança pelos “óculos” da Nova. 

Nesta Nova Aliança, o apóstolo Pedro diz que em Cristo, nós, Seu povo, somos “geração eleita e SACERDÓCIO REAL, nação santa, povo exclusivo de Deus. (1 Pedro 2:9) Veja, em Cristo nós também somos feitos reis e sacerdotes, ou seja, também não pertencemos a linhagem de Levi , mesmo porque, de forma geral, nem mesmo somos judeus, e o sacerdócio de Levi era transmitido pela descendência humana, genética. Já a linhagem de Melquisedeque é espiritual, e aí sim, podemos ser feitos sacerdotes segundo esta ordem.

Quem faz parte desta linhagem? Só os músicos, ou seja, cantores, instrumentistas? NÃO! Todo nascido de novo, TODA a Igreja é feita sacerdote na linhagem de Melquisedeque. Ou seja, não temos uma classe escolhida, ungida, separada de “levitas” que faz com que a igreja se sinta “plateia” em um culto, enquanto os “levitas” são os ministros. 

Não podemos criar essa mentalidade em nossas igrejas! Isso é anti-bíblico e extremamente nocivo para nossos cultos comunitários e para nossa vida cristã diária. Quando a igreja se reúne, temos alguns que estão ali liderando, mas toda a igreja se reúne, espiritualmente, diante do trono do Cordeiro e se apresenta como sacerdotes, e todos podem se achegar diante da presença d´Ele. 

Achegando ao trono da graça

Na Nova Aliança, não são só os levitas que podem carregar a “arca”. Na Nova Aliança, cada nascido de novo se torna “arca” e também sacerdote, ou seja, tem livre acesso a presença de Deus. Então, em nossos cultos, os membros da igreja não são plateia! Só existe uma plateia em nosso culto: o próprio Deus! Nós todos temos a responsabilidade de ministrar à presença de Deus. 

Portanto, ao dizer que somos “levitas” nos colocamos como intermediários entre o povo e Deus, que é exatamente o que faziam os filhos de Levi. Isso é uma afronta ao sacrifício de Cristo na cruz que rasgou o véu, para que todos os nascidos de novo tivessem livre acesso ao Pai. (Hebreus 10:19-20) 

Algumas vezes agimos com boas intenções, mas acabamos “recosturando o véu que a cruz já rasgou”, como diz João Alexandre, em sua “É Proibido Pensar”. Irmãos, o que precisamos ensinar é que TODOS os nascidos de novo podem se achegar diretamente a Deus, sem intermediários. 

Quantos pastores querem “fidelizar” “suas” ovelhas, e por isso não trazem ensinamento, por medo de perder rebanho! Quantos ministros de louvor se sentem “importantes” quando ocupam essa posição de intermediários e tem medo de perder seu status ao ensinar que as pessoas tem igual acesso ao trono da graça! Isso precisa cair por terra. A verdade é que nos liberta pra vivermos a vida de Deus pra nós.

Conclusão

Temos muitos princípios interessantes sobre os levitas que podem ser aplicados a nossa vida de forma bem interessante, mas a aplicação do sacerdócio levítico aos crentes da Nova Aliança é um ensinamento extremamente nocivo a médio e longo prazo, como expus neste estudo.

Como ministros, precisamos ter um embasamento teológico de qualidade para não levarmos as pessoas de nossa congregação a uma posição de engano. Precisamos, sim, conscientizar as pessoas da realidade da Nova Aliança e de como elas podem se aproximar por elas mesmas de Deus, sem precisar de intermediários.

¹ Fundador e diretor do IACA - Instituto de Adoração, Cultura e Arte - juntamente com sua esposa, Andressa Marinoni. Autor do livro “Mergulhando na Adoração”, com mais de 4 mil exemplares vendidos, Renato é formado em Louvor e Adoração pelo CTMDT, tendo trabalhado como professor nessa mesma instituição por 6 anos. É teólogo e atualmente mestrando em Teologia Sistemática pelo Centro de Pós-Gradução Andrew Jumper (Mackenzie – SP). Andressa e Renato são ministros de adoração da Igreja Batista Nações Unidas, sob a liderança do Pr. Luiz Sayão. www.iacabrasil.com

Fonte: Genizah.

Um Exemplo de Luta e de Vitória!


No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.” (Efésios 6:10)
Um certo dia destes eu estava acessando o Facebook, quando me deparei com este vídeo. É muito emocionante. Vale a pena assistir e refletir o que temos feito das nossas vidas. Como cristãos, temos o dever de mostrar ao mundo a glória do Senhor através de nosso exemplo de confiança naquele que nos fortalece (Filipenses 4:13), mas também de nosso esforço e dedicação para fazer o melhor possível com tudo que vier as nossas mãos para fazer (Eclesiastes 9:10). Mesmos que não tenhamos “mãos”. Esta moça do vídeo me ensinou uma lição maravilhosa!
“Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo.” (Filipenses 4:4,5)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Música Cristã e a Dependência De Deus

André de Araújo Neves

Uma das declarações mais fortes da teologia cristã a respeito de Deus é a revelação da paternidade de Deus. Esta paternidade se estende em sentido lato sobre toda a Sua criação, como nos demonstram textos em que Ele é chamado de “Pai das luzes” (Tg 1:17), “Pai da eternidade” (Is 9:6), e ainda, “pai de órfãos e juiz de viúvas” (Sl 68:5). Em sentido estrito, no entanto, Deus é retratado nas Escrituras como Pai daqueles que possuem a fé salvífica no Seu Filho, Cristo Jesus (Jo 1:8; 3:15-18; I Jo 3:1,2). Uma das características que a relação entre um pai e seus filhos possui é a da dependência destes em relação àquele, por um significativo período de tempo de vida. E é sobre isto que eu gostaria de convidá-los a refletir neste breve texto.

Uma das atitudes que o adorador precisa encarnar em sua devoção diária ao Criador é o reconhecimento da sua dependência dele. O verdadeiro adorador nas Escrituras é descrito como aquele que O adora em espírito e em verdade, faz a Sua vontade e tem prazer até em meditar na Sua lei (Jo 4:23; Mt 7:21; Sl 1:2). O salmista declara ainda: “Os teus estatutos têm sido os meus cânticos no lugar das minhas peregrinações” (Sl 119:54). Vemos sobretudo nas canções salmídicas a constante demonstração de dependência de Deus: (1) Davi nos exorta: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e Ele tudo fará” (Sl 37:5); (2) No Salmo 62, o salmista expressa: “A minha alma espera somente em Deus, dele vem a minha salvação; só Ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa: não serei grandemente abalado” (vv. 1,2); (3) Asafe, em coro, assevera: “Todavia, eu estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela mão direita; guiar-me-ás com teu conselho e, depois, me receberás em glória” (Sl 73:23,24); (4) E também Moisés, o grande legislador hebreu, entoa: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós as obras das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl 90:17).

Reflitamos um pouco sobre as passagens supramencionadas. Será que temos cantado em nossos dias hinos e cânticos contemporâneos deste mesmo naipe? Seriam as nossas canções capazes de expressar com a mesma intensidade e convicção a nossa completa necessidade de estar debaixo do senhorio de Cristo? O que os salmistas têm a ensinar aos compositores atuais? Lembremo-nos de que a nossa liturgia precisa ser, antes de tudo, bíblica e cristocêntrica, para que possamos chamar verdadeiramente a nossa reunião dominical de Culto ao Senhor. Uma reunião em que Deus não é o centro das nossas atenções, não está sendo exaltado através dos nossos cânticos e dos sermões, não é o mais elevado anseio dos congregantes (que muitas das vezes, estão mais interessados nas bênçãos que o Senhor pode lhes proporcionar, do que na pessoa do próprio Abençoador), pode ser qualquer coisa, menos um verdadeiro Culto do ponto de vista bíblico.

Hodiernamente, a hinódia cristã está “meio que perdida” em meio a toda esta balbúrdia da mercadologização da fé cristã, evidenciada pelo advento da chamada “música gospel” (no Brasil), num contexto de fragilização da teologia bíblica nesta “geração que dança”, mas não ora; que é “livre para correr”, mas não evangeliza; e que “clama por chuva” quase o tempo todo, mas não estende a mão para o necessitado nem pratica a misericórdia para com o desesperado. Entretanto, ainda podemos encontrar verdadeiros tesouros em cânticos como “Meu Pai”, de Dell Cordeiro, pertencente à Comunidade da Cruz. Se você não conhece este louvor, eu convido-o a descobrir esta maravilhosa canção, e ser grandemente edificado por este Hino que celebra a nossa dependência do Pai. Confira o maravilhoso videoclipe desta canção:

Que o nosso coração possa estar a cada dia mais conectado e disposto a reconhecer que, sem Jesus, nada podemos fazer (João 15:5), pois é Ele o nosso sustento e o nosso alimento diário (Mateus 4:4). Assim como está registrado em Deuteronômio 8:3: “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”.

Solus Christus!

*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 24ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

domingo, 13 de abril de 2014

VÍDEO – Reflexão Bíblica Sobre S. João 13:12-18.

Desafio "Lançai a Palavra!" #eunãomeenvergonhodoevangelho

Bem, depois de algumas semanas finalmente resolvi gravar e postar o vídeo do desafio "Lançai a Palavra", como me foi proposto pelos meus irmãos Fabiano Belmiro de Souza e Renata Soares. O vídeo ficou um pouco longo, mas espero que todos que assistirem sejam grandemente edificados por esta simples mas tão importante reflexão.

Da mesma forma que fui desafiado a gravar o vídeo, gostaria de lançar o convite aos meus amigos Marcos Barros, Márcio Da Cruz, Bernardo Velasco, Cíntia Pessoa, André H Infomatica, Don Felipe Araújo e o Henry Whitmann a fazerem o mesmo. Lembrando que não estão obrigados a fazerem isso, façam apenas se assim o desejarem, mas caso quiserem me presentearem com uma Bíblia de Estudo ou um bom livro teológico, fiquem à vontade! (Que me desculpem os que começaram essa campanha por alterar alguns dos seus termos, mas é que realmente não acho bacana que ninguém faça isso por obrigação nem por pressão.)

Bem, então é isso, quero que todos sejam abençoados da melhor maneira possível, e também que sejamos abençoadores! Vamos compartilhar mais da Palavra de Deus!

REFERÊNCIA BÍBLICA LIDA: João 13:12-18.

FUNDO MUSICAL: "Manso e Suave" (Lília Paz)

OUTRAS PASSAGENS MENCIONADAS (parafraseadas): "O maior, entre vocês, deve ser aquele que serve." (Lucas 22:26).

"Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta." (Mateus 5:24)

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo." (Filipenses 2:3)

CITAÇÃO FEITA NO VÍDEO: "Ó! Eu não rejeito seu Cristo. Eu amo seu Cristo. Apenas creio que muitos de vocês cristãos são bem diferentes do vosso Cristo." (Mahatma Gandhi)

#LançaiAPalavra
#EunãomeenvergonhodoEvangelho
#EunãoenvergonhooEvangelho

Originalmente publicado no Facebook.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A música cristã e a Lei da semeadura

Um dos princípios bíblicos mais proeminentes na narrativa do evangelho é a lei da semeadura. Este princípio é tão latente nas Escrituras que o próprio Reino dos Céus é comparado a uma semente (Mc 4:26-29). A vida cristã possui uma centena de aplicações deste princípio, desde a simples demonstração de honra e obediência aos pais (Êx 20:12; Dt 5:16; Ef 6:1-3) que resulta em longevidade e saúde, até a sua manifestação na vida dos que, com generosidade, consagram bens ao serviço da igreja e do próximo, em ter sempre em tudo toda suficiência e superabundância em toda boa obra (At 4:32-35; II Co 9: 7,8). O próprio Senhor Jesus ensinou em Lucas 12:58-59, que devemos sempre evitar que o pior aconteça, escolhendo semear a boa semente do perdão e da reconciliação, antes que a semente da contenta e da desavença floresça, pois estas podem gerar graves consequências como nos admoestou o Mestre. Outrossim, o sábio Salomão em sua sabedoria afirmou que “o que semear a perversidade segará males” (Pv 22:8); e, falando da boa semente, o salmista declara: “Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos” (Sl 126:6).

Pela leitura dos trechos das Escrituras mencionados acima, percebemos que este principio é antes de tudo uma lâmpada para guiar os nossos pés (Sl 119:105), tanto individual quanto coletivamente, enquanto Corpo de Cristo; precisamos entender que o relacionamento com os demais membros deste Corpo funciona na base da semente e da colheita, assim como nosso relacionamento com o Criador. Lembrando que é o próprio Senhor Deus que nos dá a boa semente (I Cr 29:14; II Co 9:10) para semear, mas a decisão de semeá-la ou não é nossa responsabilidade. Assim, precisamos refletir com maior profundidade o quanto esta lei da semeadura nos afeta enquanto músicos e cantores, individualmente, e em especial, enquanto ministério de louvor na Casa de Deus.

Em primeiro lugar, podemos refletir que o nosso louvor a Deus é, antes de tudo, um sacrifício e o “fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13:15); logo, a semente deste fruto é a própria confissão. Sendo assim, é mister que analisemos se as nossas vidas realmente confessaram Cristo como Salvador, e manifestam os resultados desta confissão, pois sem que esta semente esteja presente em nossas vidas, o nosso louvor não passará de palavras e notas insignificantes, às quais o profeta Isaías já profetizou: “Este povo se aproxima de Mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de Mim” (Mt 15:8).

Em segundo lugar, os músicos e cantores da igreja local precisam semear a semente da preparação e do esmero, visando o constante aperfeiçoamento e excelência. A Bíblia admoesta àqueles que louvam ao Senhor: “Cantem-lhe uma nova canção; toquem com habilidade ao aclamá-lo” (Sl 33:3). Para atingir este patamar, é necessário o desenvolvimento de habilidades específicas relativas ao seu instrumento, que só virá com bastante tempo de ensaios e estudos teórico-práticos, e claro, com a ajuda do Senhor: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás” (Ec 11:1). Em terceiro lugar, é preciso semear muito amor, companheirismo, cumplicidade, submissão e unidade no ministério de louvor. Muitas equipes de louvor perecem pela escassez destes elementos; uma forma de estar semeando e regando estas sementes é procurando passar um tempo juntos, além do horário de ensaio, para participar de atividades regulares de lazer e comunhão, bem como reuniões administrativas e de oração, reguladas pelos frutos do Espírito (Gl 5:22), em especial o da longanimidade e o da temperança. É necessário que os membros do grupo sejam ouvidos pelo seu líder, e também que aprendam a ouvi-lo, pois dessa forma estarão praticando o princípio de Efésios 5.21, e semeando uma boa semente, que no futuro será colhida por um grupo coeso e equilibrado, capaz de conduzir toda a congregação não apenas na execução de belíssimos cânticos congregacionais, mas sobretudo como exemplo de amor e de fidelidade.

Devemos ter muito cuidado com a semente que plantamos, pois embora possamos escolher qual semente semear, não podemos fazer o mesmo em relação à colheita: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” (Gl 6:7-8)

Por fim, o apóstolo Paulo certa vez declarou: “Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele” (I Co 9:23). Precisamos a cada dia ter isto em mente: somos cooperadores do evangelho, e através de nós o Senhor tornar-Se-á conhecido e será glorificado! Que cada crente envolvido com a Música possa dizer o mesmo, para a glória do Redentor, e decidido a semear aquilo que o Senhor nos ordena! Que o Senhor possa continuar nos abençoando, dando-nos as sementes que precisamos semear para o engrandecimento de Sua obra na terra!

Soli Deo Gloria!


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 23ª Edição (página 12), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Por que devemos cantar hinos inspirados nas Escrituras?

A música sempre esteve presente nos momentos de adoração do povo de Deus. Desde o velho testamento, observamos servos fiéis de Yahweh louvando-O através de canções, elogiando os Seus poderosos feitos, Sua gloriosa criação e Seu maravilhoso plano de redenção. Já no livro do Êxodo, encontramos o registro de Moisés, logo após a travessia do Mar Vermelho, cantando ao Senhor, sendo em ato contínuo seguido por Miriã e outras mulheres que, com danças, repetiam: “Cantai a Yahweh, porque sumamente Se exaltou e lançou no mar o cavalo com seu cavaleiro” (Êx 15:21). Outrossim, o livro dos Juízes retrata a juíza Débora entoando seu cântico ao Deus de Israel, dizendo: “Ouvi, reis; dai ouvidos, príncipes; eu, eu cantarei a Yahweh; salmodiarei a Yahweh , Deus de Israel” (Jz 5:3ss). Já Ana, mãe do profeta Samuel, por ser agraciada pelo Senhor com um filho e após consagrá-lo a Ele, entoou um cântico: “O meu coração exulta em Yahweh, o meu poder está exaltado em Yahweh; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na sua salvação” (I Sm 2:1ss). E assim prossegue toda a narrativa do AT, com o registro de muitos cânticos do povo de Deus em situações especiais, sendo que inclusive o maior livro que o compõe nada mais é do que um saltério, isto é, uma coletânea de hinos de louvores a Deus.

Semelhantemente a Ana, Maria também se alegrou com a promessa de que seria mãe, e como ela, também entoou um belíssimo cântico ao Senhor, que ficou conhecido na história da Igreja como o Magnificat: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1:46ss). As Escrituras também registram um momento ímpar na vida e no ministério do Senhor Jesus. Em Seus últimos momentos antes de Sua crucificação, logo após a instituição da Santa Ceia como memorial da Aliança que Deus firmaria com Seu povo através do Sangue que Ele derramaria na cruz do Calvário, Marcos diz que: “tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mc 14:26), onde Pedro seria avisado que negaria o Senhor e de onde partiriam para o Getsêmani. Embora não saibamos qual hino teria sido entoado na ocasião, vemos nesta passagem que Cristo fez uso deste expediente, e certamente o fez com um propósito, o qual não sabemos, mas podemos especular que fosse para ajudar os discípulos a lembrar das promessas feitas por Deus ao Seu povo, do Seu cuidado e providência, e até mesmo para encorajá-lo na missão que Ele teria que cumprir nas próximas horas, a saber, todo o suplício de sua prisão, julgamento, flagelamento e crucificação, visando a nossa redenção.

É certo que o louvor a Deus pode dar-se de inúmeras formas, e não se resume aos atos que são praticados em nossas atividades litúrgicas. No nosso viver diário, devemos louvar a Deus e agradecê-lo por Seus atos de bondade para conosco, reconhecendo que é por Ele, dEle e para Ele que são todas as coisas (Rm 11:36). Porém, é no culto público que este louvor pode e deve evidenciar-se de forma abundante e plena, visando à glorificação do Senhor e a edificação dos congregados naquele local. O Apóstolo Paulo nos exorta em Colossenses 3:16:

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.

Vemos nesse pequeno texto a importância de a Palavra de Deus habitar em nossos corações, de tal maneira que Ela produza em nós instrução, conselho, sabedoria, louvor, uma hinódia cristã verdadeiramente espiritual e gratidão, e que haja mutualidade neste processo, ou seja, tudo sirva para edificação uns dos outros no culto: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação; faça-se tudo para edificação” (1 Co 14:26). E, ainda, “faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14:40).

Podemos enumerar pelo menos três razões pelas quais devemos cantar em nossos cultos apenas canções cujas letras sejam de fato compatíveis com a Palavra de Deus: (1) Porque estes cânticos glorificam a Deus na forma como Ele mesmo Se revelou; (2) Edificam os crentes na Bíblia; e (3) Transmitem ensinos aos não-crentes que visitam o culto solene.

Em relação à primeira razão enumerada, entendemos ser de fundamental importância a exaltação dos atributos de Deus tais quais a Bíblia nos indica: Ele é o Senhor Soberano, o Criador de todas as coisas, o Onipotente, o Onisciente e o Onipresente, Aquele que é, que era e que há de vir (Ap 1:4). Nossos cânticos devem refletir a grandeza e a majestade do nosso Deus, a exemplo dos Salmos 48 e 145.

Sobre o segundo ponto, podemos inferir que crentes que conhecem bem as Escrituras e seus ensinamentos são cristãos mais autênticos e menos suscetíveis a erros doutrinários e de caráter (Sl 119:105); assim sendo, é de fundamental importância que nossos cânticos não contenham heresias ou pensamentos de origem religiosa duvidosa, como podemos perceber em alguns hits gospel do momento, que trazem em seu bojo alguns ensinamentos da nova era e da doutrina da confissão positiva e da teologia da prosperidade, tão nocivas em sua essência.

E, finalmente, sobre o terceiro ponto podemos comentar que os não-cristãos devem recebem desde o seu primeiro contato com a fé evangélica um ensinamento corretamente embasado nas Escrituras (Mt 28:19-20), não apenas no sermão que será proferido mas também pelas mensagens recebidas através da adoração musical, tendo em vista ser a música um instrumento de melhor captação e memorização de informações nelas contidas. Quando aplicarmos estes princípios em nossas reuniões de adoração, creio que será possível vivenciarmos o que o Apóstolo Paulo nos narra em I Coríntios 14:25, em que ele diz que o não-crente presente, “lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre nós”. Aleluia!

Sola Scriptura!


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 22ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Preletores da Consciência Cristã lançam “Carta de Campina Grande”

Na noite de encerramento do 16º Encontro para a Consciência Cristã, nesta terça-feira (04), todos os 32 preletores do evento lançaram um documento, a “Carta de Campina Grande”. Nele, os palestrantes reafirmam e reasseguram o seu compromisso com o genuíno Evangelho de Cristo, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e todo o mundo.

Confira a carta, na íntegra:

CARTA DE CAMPINA GRANDE

Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 16º Encontro para a Consciência Cristã, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo.

No início deste século e milênio a igreja evangélica brasileira tem enfrentado imensos desafios e inesperadas oportunidades. O crescimento numérico das denominações evangélicas tem sido notório, levando-nos à plena convicção de que o Deus Todo-Poderoso tem salvado um número incontável de pessoas para a glória do seu Nome. Entretanto, é possível constatar que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo.

Lamentavelmente, um tipo crasso de religiosidade popular tem prevalecido na mídia e na proliferação de templos e denominações, causando escândalo para a fé cristã e distanciando as pessoas que mais necessitam do poder transformador do evangelho. Ao mesmo tempo, muitas igrejas têm se omitido no cumprimento da Grande Comissão, deixando-se influenciar por um avançado processo de secularização. Crescem por oferecer entretenimento e não por fazer discípulos radicalmente comprometidos com Cristo. Pensadores evangélicos antes consagrados à proclamação do evangelho da Salvação Eterna hoje pronunciam-se publicamente rompendo com as convicções que um dia defenderam. Os líderes já não são mais vistos como referências de espiritualidade e integridade, mas como embusteiros, que exploram a credulidade do povo, enriquecendo ilicitamente. Nesse cenário, muitas igrejas conservadoras, ainda que mantendo fidelidade às doutrinas evangélicas fundamentais, mantêm-se apáticas em relação ao desafio missionário e à tarefa de influenciar a sociedade como sal da terra e luz do mundo.

Por outro lado, vemos um país sucumbindo diante da corrupção sistêmica, da violência generalizada, da desagregação familiar, do abandono dos valores cristãos, da desigualdade social e de práticas ocultistas.

Diante dessa realidade, oramos por um avivamento espiritual em terras brasileiras. Não um avivamento de emocionalismo e misticismo, que não produz transformações duradouras, mas um que, como ocorreu em outros lugares e outros tempos, proporcionou a conversão verdadeira de milhares e até milhões de pessoas, chegando a mudar o rumo de nações. Para demonstrar nosso compromisso com o avivamento da igreja brasileira, nós declaramos juntos:

NÓS CREMOS NO EVANGELHO

O evangelho de Jesus Cristo é a boa notícia da salvação graciosa de Deus somente pela fé em Jesus Cristo. Nós não compactuamos com as grandes distorções da mensagem cristã, ensinadas por grupos que, em sua essência, exploram a credulidade do povo e buscam o enriquecimento ilícito em nome do evangelho. De acordo com as Escrituras, esses são lobos vorazes, mercadores da fé, charlatães. Sua existência não nos surpreende, pois, desde o início, Jesus e os apóstolos nos alertaram contra suas práticas.

O evangelho de Cristo exalta Deus que, em sua santidade, justiça e amor, oferece ao ser humano caído salvação através do sacrifício redentor de Cristo, o Messias prometido, o Filho de Deus. Afirmamos que ninguém pode ser justificado por suas obras, pois todos pecaram e distanciaram-se da glória de Deus. Somente pela fé em Cristo como Senhor e Salvador, o ser humano é salvo dos seus pecados e transformado em nova criatura.

NÓS PROCLAMAMOS O EVANGELHO

A missão principal da igreja é glorificar a Deus, proclamando o evangelho e fazendo discípulos de todas as nações.

Reconhecemos que a igreja foi chamada para proclamar o evangelho em sua inteireza, mas nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou agendas de ambições pessoais. Cremos que o evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do evangelho, não nas circunstâncias mutáveis da sociedade. Nós proclamamos o evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Nós proclamamos o evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social. Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o evangelho em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada, que tenham a oportunidade de ser discipuladas e fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do evangelho um estilo de vida.

Nós repudiamos mensagens que substituam o evangelho de Cristo por conteúdos humanistas de autoajuda, que promovam um misticismo desvinculado das Escrituras e transformem Deus em um negociador de bênçãos.

NÓS DEFENDEMOS O EVANGELHO

Desde os seus primórdios, o ensino de Cristo esteve sob o ataque de crenças e filosofias hostis à mensagem da salvação pela graça mediante a fé. Somos chamados a lutar diligentemente por essa fé que nos foi entregue de uma vez por todas, estando preparados para dar razão da esperança que existe em nós e vigiando contra lobos vorazes que não poupam o rebanho. A defesa da fé faz parte essencial da missão da igreja enquanto ela proclama o evangelho de Cristo. Nós rejeitamos o evangelho do relativismo pós-moderno, do ateísmo militante, do secularismo pragmático, do liberalismo teológico, das seitas e cultos, do nominalismo religioso, de todas as ideias e ideologias que se levantam contra ou pretendem substituir o evangelho de Cristo. Nós afirmamos nossa plena convicção na existência de Deus, em sua revelação objetiva e inerrante através das Escrituras, na singularidade de Cristo e na realidade da eternidade. Nós defendemos o evangelho com amor, sabedoria, compaixão e firmeza, sem qualquer contemporização, visando a conversão dos perdidos e a proteção daqueles que crêem, na firme convicção de que o próprio Jesus edificará sua igreja e a portas do inferno não prevalecerão contra ela.

NÓS NOS COMPROMETEMOS A VIVER À LUZ DO EVANGELHO

Mártires, reformadores, avivalistas através da história têm assumido o absoluto compromisso com o evangelho. O maior apelo para a veracidade do evangelho é o testemunho de vidas radicalmente comprometidas com ele. Nós nos comprometemos a viver de forma digna do evangelho de Cristo como indivíduos, discípulos, profissionais e cidadãos, recusando-nos a ceder ao materialismo, ao relativismo e à corrupção, aceitando carregar a cruz de Cristo como prioridade absoluta do testemunho do evangelho de Cristo. Como cidadãos do reino de Deus, assumimos o compromisso de, na dependência da graça de Cristo, viver o poder transformador do evangelho em todas as suas dimensões. Diante da corrupção generalizada e do relativismo moral na sociedade brasileira, nós estamos prontos para assumir as plenas implicações éticas e morais do evangelho, não somente na esfera da igreja, mas também da sociedade: educação, trabalho, política, economia, cultura.

NÓS ORAMOS PELO PROGRESSO DO EVANGELHO

Reconhecemos que, sem a intervenção soberana e sobrenatural de Deus, não veremos o verdadeiro progresso do evangelho. Esforços humanos produzem resultados humanos. Através da história, o evangelho tem impactado nações pelo poder do Espírito Santo. Embora o Brasil nunca tenha experimentado um avivamento espiritual de grandes proporções, nós nos comprometemos diante de Deus a orar por esse avivamento, na expectativa de uma transformação radical no curso de nossa nação através da igreja do Senhor, cheia do Espírito Santo, vivendo a plenitude do evangelho.

NÓS NOS UNIMOS PELO EVANGELHO

Dizemos não a uma união que compromete a essência do evangelho de Cristo. Não cremos que todos os caminhos levam a Deus, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Não cremos que todas as instituições ditas cristãs de fato seguem a Cristo, pois muitas afirmam o nome de Cristo sem conhecê-lo. Mas afirmamos sim nosso compromisso de unidade com todos aqueles que abraçam o evangelho de Cristo, como nos foi transmitido por Jesus e seus apóstolos. Ao mesmo tempo, reconhecemos que as verdades essenciais, comuns a todos os evangélicos herdeiros da Reforma, podem nos unir não institucionalmente, mas como corpo vivo de Cristo, que, na sua diversidade, cumpre a sua missão. Desejamos ser a resposta a oração de Cristo quando ele orou para que fôssemos um. Nós nos unimos pela proclamação do evangelho a todas as nações.

Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.

Subscrevemos,

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (Coordenador do 16º Encontro para a Consciência Cristã)

Pr. Jorge Noda (ILEST/PB)

Pr. Renato Vargens (ICA/RJ)

Dra. Norma Braga (IPB/RN)

Pr. Paul Washer (Heart Cry/EUA)

Pr. Hernandes Dias Lopes (IPB/ES)

Dr. Russell Shedd (IB/SP)

Pr. Augustus Nicodemus (IPB/SP)

Pr. Ronaldo Lidório (IPB/AM)

Dr. Heber Campos Jr. (IPB/SP)

Pr. Jonas Madureira (IB/SP)

Pb. Solano Portela Neto (IPB/SP)

Prof. Adauto Lourenço (IPB/SP)

Pr. Joide Miranda (MEI/MT)

Pr. José Bernardo (AMME/SP)

Pr. Geremias Couto (AD/RJ)

Prof. Ricardo Marques (IBC/CE)

Pr. Joaquim de Andrade (CREIA/SP)

Miss. Gleydice Bernardes (ACEV/PB)

Miss. Socorro Teles (IPB/PB)

Pr. Robson Tavares (ICNV/PB)

Pb. José Mário (IPB/PB)

Pr. Luiz Vieira (ICNV/PB)

Pr. Valter Vandilson (ICD/PB)

Pr. José Américo (IB/PB)

Pr. José Pontes (IN/PB)

Miss. Joyce Clayton (Inglaterra)

Profª. Janeide Andrade (OBPC/PB)

Miss. Edna Miranda (MEI/MT)

Miss. Rosali Melo (IC/PB)

Dra. Paumarisa Vieira (IPB/PB)

Pr. Weber Alves (ICES/PB)

Jorn. Josué Sylvestre (AD/PR)

Fonte: Consciência Cristã.

O mito do cristão não-ungido

André Neves

No meio cristão moderno é possível encontrar crentes que acreditam piamente que Deus selecionou algumas pessoas dentro da Igreja para exercerem um papel tão proeminente sobre os seus demais membros, que são por este motivo denominados “ungidos do Senhor”.

Valendo-se de uma expressão bíblica veterotestamentária, que possuía a conotação de uma pessoa escolhida por Deus para exercer uma função pública, civil ou religiosa, de autoridade – rei, sacerdote ou profeta –, estes modernos cristãos acreditam que é plausível que, assim como no Antigo Testamento, apenas algumas pessoas hoje possuam de fato a Unção divina. Estas pessoas podem ser pastores, profetas, cantores ou neoapóstolos. Não importa. Na opinião destes crentes, estas pessoas são ungidas num grau único, ou, na melhor das hipóteses, infinitamente superior aos demais membros do Corpo de Cristo. São, verdadeiramente, “cabeças”, e os demais fiéis, a “cauda”.

O primeiro problema deste pensamento é o da má compreensão da verdade bíblica das principais distinções entre a Antiga e a Nova Aliança. Recomenda-se a leitura e estudo aprofundados das Epístolas Paulinas aos Romanos, aos Gálatas e, especialmente, a Carta aos Hebreus. Notoriamente, é preciso destacar a doutrina bíblica do “sacerdócio universal dos crentes”, redescoberta por Martinho Lutero na Reforma Protestante. Esta doutrina ensina que todo cristão é um sacerdote diante do Altíssimo, tendo Cristo como o sumo Sacerdote (1 Pedro 2:9,10). São, portanto, todos os cristãos, ungidos para exercer este glorioso ministério, o ministério da reconciliação (2 Coríntios 5:18)!

ichthysNão existe cristão não-ungido! Todos os filhos de Deus possuem a unção do Santo (1 João 2:20), isto é, todos quantos creram e receberam a Jesus como Salvador, e em decorrência disto são cristãos nascidos de novo (João 3:6,7). Afirmar que um crente não possui a Unção é afirmar que este crente não é verdadeiramente um cristão renascido, e, portanto, salvo. Pense duas vezes antes de acusar alguém de não ter a Unção, pois é O SENHOR quem conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19).

“(…) Em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (Atos 11:26)

A palavra “cristão”, etimologicamente, significa ungido! Da mesma forma que “Cristo” é a forma grega da palavra hebraica “Maschiach” (Messias), que quer dizer “o Ungido”, aquele a quem as profecias veterotestamentárias se referem e apontam como o escolhido de Javé para tornar possível a redenção da humanidade.

Mas, antes que você pense que, como você pode se considerar no mesmo nível de Unção que seu super-crente favorito, e que, por esta razão, “ninguém pode tocá-lo”, deixe-me dizer algo; ser cristão, isto é, ser ungido de Deus no contexto neotestamentário tem muito mais a ver com padecer sofrimentos por amor do Evangelho, à semelhança do que Cristo vivenciou em nosso favor:

Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.” (1 Pedro 4:16)

Outrossim, outra expressão que é extremamente mal compreendida nos nossos dias é a de Salmo 105:15, que diz: “Não toqueis nos Meus ungidos…”. Davi quando teve a vida de Saul em suas mãos, declara que tomou a decisão de poupar-lhe a vida exatamente por este motivo, porque não ousaria tocar no ungido do Senhor (isto é, em um rei em Israel). Oras, está bem claro que o “tocar no ungido” no sentido preconizado no Antigo Testamento tem a ver com assassinato, ou, na melhor das hipóteses, com infligir dor física grave naquele que Deus elegeu para um propósito naquela época, nada tendo a ver com emitir uma opinião ou expor um erro doutrinário de um líder cristão, em nossos dias, à luz da razão e da Palavra de Deus, o que é aliás, um dever do crente (João 7:24).

Os sentimentos humanos (emoções) não são o parâmetro adequado para medir ou verificar quem é ungido ou não, e muito menos aferir a qualidade da vida espiritual e devocional alheia, classificando dessa forma crentes "mais ungidos" que outros. Isto não é bíblico, e provém certamente do coração humano que é enganoso por natureza (Jeremias 17:9-10). As Escrituras afirmam que o Senhor conhece muito além das aparências, pois Ele olha diretamente para o coração (1 Samuel 16:7).

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” (1 Pedro 4:10)

A medida da Unção de Deus para cada crente já foi derramada sobre ele no momento em que o Seu Espírito Santo passou a habitar nele (ou seja, no momento da conversão), e o que acontece depois disto é, no máximo, um renovo ou confirmação desta Unção já provida. Ah, só mais uma coisa: não existe a menor possibilidade de a Unção de uma pessoa ser transferida a outra! Isso é uma esquizitice sem tamanho! A Unção que Deus quer que você tenha Ele já te deu, e a Unção que a outra pessoa tem é porque Deus a deu! Não a cobice! Seja plenamente satisfeito com o que o Senhor já te presenteou! Amém?

(Originalmente publicado no Facebook, e adptado.)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A preparação do ministro de louvor

A preparação do músico cristão que labora na área do louvor congregacional na igreja local nos dias de hoje é de fundamental importância. Temos percebido que o meio musical nas igrejas tem sido saturadas por músicos e cantores em geral descomprometidos com a ética cristã, com os valores do Reino de Deus e com a sã doutrina. É por esta razão que temos amargado o surgimento de uma nova classe de cristãos, que são verdadeiros artistas, inclusive cobrando valores exorbitantes por suas apresentações em eventos gospel. Eles não se apresentam em determinadas localidades e/ou para um pequeno público, cobram altíssimos cachês, não se envergonham de participar de novelas globais e, infelizmente, chegam ao ponto de, “tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder” (II Timóteo 3:5), escarnecerem publicamente dos ensinamentos de Cristo.

A situação de hoje é crítica, pois como sabemos, há uma cultura no meio evangélico de que não podemos julgar posturas ou ensinamentos, com discernimento bíblico, que muitos já confundem com o juízo temerário (pela aparência). Isso faz com que muitos destes artistas acabem disseminando heresias no meio da igreja, através de suas “pregações” e canções, e de igual forma sendo imitados por alguns ministros de louvor em suas congregações locais. Ao focar no ministério de alguma celebridade gospel, muitos músicos ou cantores cristãos esquecem de focar seu olhar em Cristo, aquele que é o Autor e Consumador de nossa fé (Hebreus 12:2).

Nestas breves palavras, queremos enfatizar que o ministério cristão é, antes de tudo, serviço, e não uma busca pessoal por fama ou sucesso. Na verdade, a vida cristã é o oposto disto, pois envolve renúncia ao “eu” e total submissão aos desígnios de Deus. Não devemos confundir êxito ou reconhecimento humanos como sinais de aprovação divina, antes precisamos examinar se o nosso labor ministerial exalta a Cristo e está, de fato, “anunciando as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

Para que este serviço seja realizado para a glória de Deus, é necessário que o ministro de louvor se prepare diariamente, seja tecnicamente, estudando seu instrumento (através de exercícios), seja espiritualmente, se alimentando da Palavra do Senhor. O salmista diz no Salmo 119:54: “Os Teus decretos são o tema de minha canção”. Oras, como é possível cantar ao Senhor este tipo de canção, sem conhecer profundamente as Escrituras?

Neste sentido, faz-se necessário que os que ministram louvor em suas congregações locais procurem passar um tempo de leitura diária da Palavra de Deus, pois o conhecimento da Palavra de Deus gerará uma adoração mais genuína e profunda. E o Senhor procura por verdadeiros adoradores, como nos lembram os autores do livro “Como melhorar o louvor de sua igreja”, Carlos Savedra e Moisés Santos:

Louvar a Deus é a mais absoluta expressão de amor a Ele, adorá-lo com profundidade e de todo o coração é a extrema consagração da nossa alma ante sua grandeza e soberania. Isto é adorá-lO em espírito e em verdade”.

Em consequência disto, creio que teremos músicos transformados pelo poder de Jesus Cristo e refletindo o caráter dele no meio desta geração perversa. A vida pessoal, profissional, familiar e ministerial do músico cristão precisam enfatizar os valores de Cristo e as atitudes que Ele espera dos Seus servos, independentemente de quanto tempo de conversão tem o indivíduo, qual o instrumento que ele toca, ou se ele canta apenas no backing vocal ou se dirige a congregação nos louvores a Deus. Toda a equipe de louvor precisa estar devidamente preparada e consagrada ao Senhor, e com este espírito de servos. Em seu livro “O que fazemos com estes músicos?”, o cantor e pastor mexicano Marcos Witt preleciona:

Deveríamos reconhecer, naqueles que se dedicam ao ministério da música e louvor, uma grande responsabilidade por suas atitudes, dentre as quais a compaixão ou misericórdia pelo povo. Por infelicidade, muitos músicos não são reconhecidos como homens e mulheres que se importam com os outros; ao contrário, são vistos como pessoas que pensam mais em si mesmos. É urgente que cada um de nós comece a ver nosso nível de entrega aos demais, e se descobrirmos que não temos o mesmo nível que teve Jesus, devemos pedir ao Senhor que nos encha com seu caráter misericordioso, compassivo e de entrega ao povo. Cada vez que tivermos um ‘ataque’ de egocentrismo deveria recordar que Jesus viveu para servir aos demais, e para dar sua vida em resgate de muitos”.

Portanto, que possamos a cada dia mais buscar a excelência no serviço que prestamos ao Senhor e à comunidade de fiéis na qual comungamos, cantando e salmodiando ao Senhor até que Ele venha! “Louvai ao SENHOR, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradável; decoroso é o louvor.” (Salmo 147:1)

Soli Deo Gloria.


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 21ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Nota rápida sobre o que eu já aprendi sobre “soberania divina” e a “liberdade humana”.

Lucas Martins¹

bem_malConciliar a soberania divina e a liberdade humana ainda tem sido motivo de muita controvérsia em corredores de seminários, igrejas e outros grupos variados. Nesses círculos, surge a seguinte pergunta: se Deus é soberano sobre todas as coisas, isso significa que somos meras marionetes? Ou, se o homem é livre, capaz de tomar decisões livres, implica dizer que Deus não é soberano sobre todas as coisas? Alguns calvinistas que eu conheço alegam que a crença que enfatiza a liberdade humana é errônea, porque “reduz a glória de Deus”, “reduz a soberania de Deus no universo” e “traz uma visão antropocêntrica e não teocêntrica”. Os calvinistas costumam dizer que o calvinismo é a doutrina que “glorifica mais a Deus”, porque afirma a Sua soberania sobre todas as coisas. Por outro lado, outros não calvinistas presumem que essa ênfase na soberania divina (também chamado de “determinismo divino”) pode contrariar o caráter santo e bom de Deus. Ora, se Deus determina infalivelmente tudo o que acontece, será que até os atos e pensamentos malignos dos homens são efetuados pelo santo e bom Deus? Se sim, isso provavelmente compromete o caráter de Deus, “que não pode tentar ninguém e a ninguém tenta”. Se não, então como Ele determina tudo, e não o pecado?

Apesar das discussões calorosas, a intenção por trás de cada grupo é motivada por um forte zelo bíblico-doutrinário e uma vontade de agradar a Deus. Mesmo assim, a discordância prevalece e é necessário saber lidar com aqueles que pensam diferente de nós. Isso não quer dizer que não devemos ter uma opinião própria. Crer é também pensar e sustentar com firmeza aquilo em que se acredita. Todavia, muitos apologistas esquecem a mansidão, a humildade e o domínio próprio na hora de defender a razão da sua fé. De acordo com o Mestre, a melhor apologética – a saber, a melhor maneira de defender a fé e torná-la visível – é o exercício do amor uns pelos outros. Portanto, amemos. Assim, todos saberão que só amamos uns aos outros porque Ele nos amou primeiro.

Precisamos compreender que esse, como alguns outros, é um debate secundário, embora útil, ao exercício da fé cristã. Esta, por sua vez, transcende a imponência dos credos eloquentes e se traduz melhor em ações diárias que demonstrem os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, benignidade, longanimidade, temperança, domínio próprio etc. É secundário porque pode fazer com que os discípulos percam o foco, vindo a pensar que o mero assentimento intelectual de proposições doutrinárias é a vontade de Deus para as suas vidas. A utilidade deste tipo de debate consiste não em fazer especulações sem fim, mas em quando essas especulações viram um guia prático da conduta moral do discípulo, aproximando-o da Palavra Viva.

Depois dessas ponderações, voltamos ao debate original. Como conciliar a soberania divina e a liberdade humana? Eu costumo dizer que essa liberdade é uma dádiva do próprio Deus. Sendo soberano sobre sua própria criação e livre para criar o que bem entendesse, Ele quis que cada ser humano possuísse tal natureza. Ou será que Deus não era livre para criar o que quisesse? A minha definição de livre-arbítrio é “a capacidade de fazer (ou não fazer) o contrário daquilo que estou mais disposto a fazer”. Por exemplo, Deus poderia não ter criado nada. A existência do Universo não é necessária para a existência de Deus. Ele é autossuficiente. A criação foi um ato de graça, para expandir o alcance do amor divino – até então trinitário – à criação. Ele poderia não ter criado, mas o fez. Ou seja, Deus estava predisposto a não criar nada, porque Ele é autossuficiente e o mundo não era necessário para Ele, mas mesmo assim Ele criou. Logo, o Criador de todas as coisas possui livre-arbítrio, isto é, a capacidade de fazer o contrário daquilo a que se está mais disposto a fazer. A. W. Tozer argumenta que, se Deus é livre, e Ele fez o homem à sua imagem e semelhança, segue-se que o homem também é livre. Em outras palavras, em um ato de soberania criativa, Deus dotou o homem de livre-arbítrio, isto é, a capacidade de fazer escolhas contrárias.

Alguns dizem que “a crença na liberdade humana reduz a glória de Deus”. Analisando bem essa frase, vemos que ela é um absurdo contra o próprio caráter de Deus, e compromete sua justiça, santidade, bondade e amor. Se o homem não é livre, implica que ele não pode ser responsável pelo seu próprio pecado. Responsabilidade requer liberdade. Se Deus causou o pecado de Adão, de forma que Adão não poderia ter feito outra coisa, como Ele responsabilizou Adão do pecado que, na verdade, ele não cometeu. Há justiça em atirar em alguém e culpar a bala? Nessa visão, Deus passa a ser o autor do pecado e do mal. E a maioria dos calvinistas não vê problema nenhum nisso. Vicent Cheung escreveu um livro defendendo que Deus é o autor do pecado e não há problema nisso. Outros irmãos dizem que Deus não determina o pecado, mas Ele o “permite”. Em outras palavras, seria possível uma intervenção divina para que o pecado não acontecesse, mas Deus o permitiu porque viu que seria bom que ele acontecesse. Todos os cristãos podem concordar com isso. Mas, quando os calvinistas são questionados quanto a isso, eles dizem que Deus permite o pecado “desejosamente”. O próprio teólogo avivalista Jonathan Edwards sustentava isso. Ou seja, Deus não permite “relutantemente”, mas “desejosamente”. A distinção é sutil, mas incrivelmente relevante ao debate. Se Deus permite desejosamente, significa que o pecado está dentro de sua vontade, tendo Ele mesmo o causado, de forma que o pecador não teve outra coisa a fazer senão pecar. Como dizer que Deus “permite desejosamente” inocenta Deus de ser o autor de mal? De nenhuma forma. São sinônimos. Permitir desejosamente o pecado é só um eufemismo para tentar aliviar a tensão existente. Não resolve o problema. A chance é dizer que Deus permite relutantemente. Se Deus permite relutantemente, implica dizer que o pecado está fora de sua vontade, tendo o homem pecado no exercício de sua liberdade e desobedecido a Deus. Mas dentro de Seu comando, em que Ele providencia perdão, redenção e salvação ao pecador.

O pecado de Adão foi uma transgressão à vontade de Deus, logo, é problemático e contraditório dizer que uma transgressão à vontade de Deus faz parte da vontade de Deus. Veja um exemplo. Um rei, conhecido por sua justiça, proíbe todos os súditos, sem exceção, de tomarem banho no riacho do vilarejo. Em seguida, ele faz com que um de seus súditos tome banho neste riacho, de forma que o súdito não pode fazer outra coisa, senão tomar o banho. Isto é, o rei compeliu o súdito a tomar banho no riacho. Em seguida, o rei pune o súdito, por ter tomado banho no riacho e assim, desobedecido ao seu decreto inicial. Esse seria um rei justo?

Outro problema reside no fato de que se Deus é realmente o autor de todos os pecados e males, de forma a causá-los infalivelmente (ou “permiti-los desejosamente”, que é a mesma coisa), Ele deixa de ser bom, amoroso, misericordioso, santo e puro. O amor não é um atributo divino. O amor é a Sua Essência. “Deus é amor”. “As suas misericórdias estão sobre todas as suas obras” e “são a causa de nós não sermos consumidos, se renovando toda a manhã”. Com Ele, “o mal não habita”. É exatamente por causa da pureza de Deus que “sem santificação ninguém verá a Deus”, e é exatamente por causa da sua bondade que “Deus não pode tentar a ninguém e a ninguém tenta”. Se Deus é o autor dos nossos pecados, como há justiça na punição dos humanos? A liberdade humana salvaguarda o caráter de Deus e isso, logicamente, resulta em mais glória pra Ele. Logo, concluo que a crença na liberdade humana não diminui a glória de Deus. Antes, ela aumenta o zelo pelo seu caráter santo, justo, bondoso, misericordioso e amoroso, não responsabilizando o Eterno pelos nossos pecados. A propósito, responsabilizar os outros pelos nossos pecados não é surpresa. Isso tem sido feito desde o Jardim do Éden.

L.M.

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¹ Lucas Martins, por Lucas Martins: "Cristão batista, nordestino, escritor e leve ameaça aos mercantes da fé. Porque o que não tem preço não pode ser vendido." Publicou este texto em seu perfil social no Facebook. Publicado com a autorização do autor.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Experimentando o Novo de Deus

A fé cristã é uma crença bem diferente de todas as demais existentes, pois enquanto muitas religiões apregoam a necessidade do ser humano redimir-se a si mesmo mediante grandes esforços pessoais e através de cerimônias e rituais de purificação, o Cristianismo traz uma nova e ousada proposta: você não precisa fazer nada, Cristo já fez tudo por você. Sim, há necessidade de crer, porém essa fé nasce naturalmente quando o homem dá ouvidos à Soberana voz do seu Salvador, que graciosamente bate à sua porta e lhe convida a um maravilhoso banquete. A bem da verdade, o Evangelho é um chamado à abundância de vida e de felicidade. Não qualquer tipo de felicidade, disponível igualmente em riquezas e viagens, mas uma felicidade muito mais profunda, muito mais plena, muito mais abundante e muito mais verdadeira, pois independe de circunstâncias, e subsiste mesmo às maiores adversidades. Ao aceitarmos este chamado, estamos adentrando a uma das maiores aventuras da nossa vida terrena: a nossa nova vida em Cristo.

A respeito dessa nova vida, o apóstolo Paulo declara:

Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17).

Apenas neste versículo, aprendemos que, para desfrutar desta nova vida, é preciso dar estes quatro passos: (1) Estar em Cristo; (2) Ser uma nova criatura; (3) Deixar as coisas velhas passarem; e, finalmente, (4) Viver o novo de Deus. Todo cristão em sua caminhada aqui nesta Terra, precisa perseverar na fé até o fim, e é através desta fé que ele poderá usufruir da plenitude de sua vida cristã.

Os que são chamados para o Louvor e a Adoração na casa do Senhor precisam atentar para estes requisitos, pois são essenciais para que eles possam, com unção e ousadia, cumprir o ministério para o qual foram vocacionados. A música no culto não pode ser mecânica, protocolar, servindo meramente como entretenimento ou para preencher um tempo na liturgia. Ao contrário, ela precisa ser dinâmica, inspirativa, profundamente bíblica e espiritual, e principalmente, ser executada por pessoas genuinamente nascidas de novo e profundamente comprometidas com o Evangelho de Cristo.

Dessa forma, nós músicos e cantores precisamos refletir a respeito de nossa condição atual, visando um contínuo despertar e aprofundamento na verdade e na santidade bíblica. A primeira pergunta que precisamos fazer é se realmente estamos em Cristo! As Escrituras nos apontam várias exortações neste sentido, tais como nas seguintes passagens: João 15:6; II Coríntios 13:5; Efésios 5:15; I João 4:15, entre outras. De igual forma, precisamos ter em mente que somos novas criaturas em Cristo Jesus, e por este motivo devemos deixar de lado as coisas da velha natureza (Gálatas 5:19-21), que militam contra o nosso espírito e nos atrapalham a comunhão com Deus, e nos aprofundarmos nas virtudes da nova vida em Cristo (Gálatas 5:22).

Outrossim, é preciso deliberadamente deixar as coisas velhas para trás, pela fé e em obediência à palavra de Cristo. Alguns exemplos de “coisas velhas” que muitos músicos cristãos têm dificuldade de deixar para trás são as músicas profanas que costumavam ouvir, posturas de estrelismo musical, vestes que não se coadunam com a simplicidade e o pudor que o culto público impõe, falta de submissão em amor aos líderes, irreverência e imoderação. É preciso uma decisão radical no sentido de romper com tais coisas, visando agradar ao Senhor e obter maior êxito em nossas atividades ministeriais.

Em último lugar, é essencial o viver o novo de Deus. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, nos admoesta: “(...) assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4). Que esta novidade de vida possa refletir no que cantamos ou tocamos, e principalmente, na forma com que cantamos ou tocamos. Precisamos nos lembrar de que cada culto é um “novo” culto, uma nova oportunidade de ofertar ao Senhor as nossas vidas, os nossos dons e talentos, usando-os para a edificação daquela parte do Corpo de Cristo, reunida em uma determinada hora e no local onde comungamos, com um propósito bem definido que é o de proclamar o Evangelho da Salvação. E que, ao oferecermos a nossa adoração a Deus em forma de cânticos espirituais, preparemos a atmosfera da reunião para receber a exposição da poderosa Palavra de Deus. “Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis?” (Isaías 43:19) A Ele a glória!

Soli Deo Gloria.


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 20ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.