sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Música Cristã e a Dependência De Deus

André de Araújo Neves

Uma das declarações mais fortes da teologia cristã a respeito de Deus é a revelação da paternidade de Deus. Esta paternidade se estende em sentido lato sobre toda a Sua criação, como nos demonstram textos em que Ele é chamado de “Pai das luzes” (Tg 1:17), “Pai da eternidade” (Is 9:6), e ainda, “pai de órfãos e juiz de viúvas” (Sl 68:5). Em sentido estrito, no entanto, Deus é retratado nas Escrituras como Pai daqueles que possuem a fé salvífica no Seu Filho, Cristo Jesus (Jo 1:8; 3:15-18; I Jo 3:1,2). Uma das características que a relação entre um pai e seus filhos possui é a da dependência destes em relação àquele, por um significativo período de tempo de vida. E é sobre isto que eu gostaria de convidá-los a refletir neste breve texto.

Uma das atitudes que o adorador precisa encarnar em sua devoção diária ao Criador é o reconhecimento da sua dependência dele. O verdadeiro adorador nas Escrituras é descrito como aquele que O adora em espírito e em verdade, faz a Sua vontade e tem prazer até em meditar na Sua lei (Jo 4:23; Mt 7:21; Sl 1:2). O salmista declara ainda: “Os teus estatutos têm sido os meus cânticos no lugar das minhas peregrinações” (Sl 119:54). Vemos sobretudo nas canções salmídicas a constante demonstração de dependência de Deus: (1) Davi nos exorta: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e Ele tudo fará” (Sl 37:5); (2) No Salmo 62, o salmista expressa: “A minha alma espera somente em Deus, dele vem a minha salvação; só Ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa: não serei grandemente abalado” (vv. 1,2); (3) Asafe, em coro, assevera: “Todavia, eu estou de contínuo contigo; tu me seguraste pela mão direita; guiar-me-ás com teu conselho e, depois, me receberás em glória” (Sl 73:23,24); (4) E também Moisés, o grande legislador hebreu, entoa: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós as obras das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl 90:17).

Reflitamos um pouco sobre as passagens supramencionadas. Será que temos cantado em nossos dias hinos e cânticos contemporâneos deste mesmo naipe? Seriam as nossas canções capazes de expressar com a mesma intensidade e convicção a nossa completa necessidade de estar debaixo do senhorio de Cristo? O que os salmistas têm a ensinar aos compositores atuais? Lembremo-nos de que a nossa liturgia precisa ser, antes de tudo, bíblica e cristocêntrica, para que possamos chamar verdadeiramente a nossa reunião dominical de Culto ao Senhor. Uma reunião em que Deus não é o centro das nossas atenções, não está sendo exaltado através dos nossos cânticos e dos sermões, não é o mais elevado anseio dos congregantes (que muitas das vezes, estão mais interessados nas bênçãos que o Senhor pode lhes proporcionar, do que na pessoa do próprio Abençoador), pode ser qualquer coisa, menos um verdadeiro Culto do ponto de vista bíblico.

Hodiernamente, a hinódia cristã está “meio que perdida” em meio a toda esta balbúrdia da mercadologização da fé cristã, evidenciada pelo advento da chamada “música gospel” (no Brasil), num contexto de fragilização da teologia bíblica nesta “geração que dança”, mas não ora; que é “livre para correr”, mas não evangeliza; e que “clama por chuva” quase o tempo todo, mas não estende a mão para o necessitado nem pratica a misericórdia para com o desesperado. Entretanto, ainda podemos encontrar verdadeiros tesouros em cânticos como “Meu Pai”, de Dell Cordeiro, pertencente à Comunidade da Cruz. Se você não conhece este louvor, eu convido-o a descobrir esta maravilhosa canção, e ser grandemente edificado por este Hino que celebra a nossa dependência do Pai. Confira o maravilhoso videoclipe desta canção:

Que o nosso coração possa estar a cada dia mais conectado e disposto a reconhecer que, sem Jesus, nada podemos fazer (João 15:5), pois é Ele o nosso sustento e o nosso alimento diário (Mateus 4:4). Assim como está registrado em Deuteronômio 8:3: “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”.

Solus Christus!

*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 24ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

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