segunda-feira, 30 de junho de 2014

Jesus Cristo é o Motivo da Minha Canção

“(...) E ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas. E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” (Apocalipse 14:2b-3)

Desde a era apostólica, a Igreja cristã vem traçando uma trajetória gloriosa em relação à sua hinologia.  A tradição musical cristã é riquíssima de formas, melodias, instrumentos e harmonia. Cristãos se destacaram como músicos tanto na área secular quanto na área religiosa, compondo letras e arranjos que acompanharam a cristandade em seus momentos devocionais de adoração coletiva. De confissão cristã-luterana, Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs “Jesus, alegria dos homens”, que tornou-se um destes cânticos que, por marcarem tanto a sua época, ficam registrados em lugar de destaque na História universal da Música. A letra, lindíssima – assim como o seu arranjo instrumental –, em tradução livre, diz que: "Jesus continua sendo minha alegria, o conforto e a seiva do meu coração. Jesus refreia a minha tristeza, Ele é a força da minha vida. É o deleite e o sol dos meus olhos, o tesouro e a grande felicidade da minha alma, por isso, eu não deixarei ir Jesus do meu coração e da minha presença.". Que declaração maravilhosa!

Os cristãos precisam a todo o momento exercitar a sua fé e devoção ao Filho de Deus, afinal de contas, Cristo é o centro da fé cristã. Muitos cristãos não demonstram em seu cotidiano um grande apreço pelo Salvador através de declarações e atitudes que honrem o Mestre. Talvez, em decorrência disto, muitos inconversos não despertam para a necessidade da conversão e do relacionamento com Jesus, pois falta-lhes o exemplo daqueles que, muitas das vezes, são as únicas “bíblias” que eles podem ler. O apóstolo Pedro nos admoesta da seguinte forma: “Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção” (1 Pedro 2:12). Creio que este é o maior testemunho que o servo de Cristo pode dar ao seu próximo, um caráter exemplar!

Entretanto, uma coisa que considero particularmente frustrante em relação à hinologia cristã contem- porânea é que ela pouco tem enfatizado a Pessoa de Jesus, Seus ensinamentos, Seus valores e Suas mar- cantes características mi- nisteriais e relacionais. Letras como a de Bach realmente têm nos faltado, e em seu lugar tem surgido toda a sorte de músicas esdrúxulas, enaltecendo a vaidade humana e seus efêmeros desejos. Um exemplo desta deterioração da música evangélica atual é a famosa canção “Sabor de mel”, que entre outras coisas, faz apologia à vingança pessoal e ao tripúdio do próximo. Outro caso de aberração na música gospel é “Celebrando a colheita”, que traz a seguinte declaração: “O Senhor abrirá todo o seu bom tesouro. O ouro e a prata são minha porção. E eu viverei o melhor dos meus dias (...)”. Peraí! Ouro? Prata? O Evangelho definitivamente não se trata disto! O Evangelho é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê! Romanos 14:17 diz: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

Está na hora da Igreja começar a resgatar a cristocentricidade não apenas na sua Música, mas também na sua liturgia, na sua pregação, e na sua Teologia como um todo. Os cristãos de uma maneira geral precisam entender que “Dele, e por Ele, e para Ele, são todas as coisas. Glórias, pois, a Ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:36). S.Paulo nos afirma que Cristo “morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 5:15) e, ainda que, para ele, o viver é Cristo e o morrer é lucro (Filipenses 1:21).

Pois então! Como, pois, são enfatizadas tantas coisas efêmeras desta vida em nossas canções, quando elas deveriam enfatizar Aquele é o motivo do nosso louvor?

Portanto, que os nossos louvores voltem a entronizar o Cristo que está acima das nossas vaidades e desejos carnais, acima dos nossos projetos humanistas sem nenhum compromisso com a glória de Deus, acima do nosso vão conceito de prosperidade e bem-aventurança. Que a música cristã, especialmente aquela que é entoada nos cultos cristãos, seja mais cristocêntrica e bíblica; dessa forma, “o Pai será glorificado no Filho” (João 14:13) e os cristãos estarão “guardando a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”(Efésios 4:3).

Solus Christus!

*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 26ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

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