sexta-feira, 7 de março de 2014

Por que devemos cantar hinos inspirados nas Escrituras?

A música sempre esteve presente nos momentos de adoração do povo de Deus. Desde o velho testamento, observamos servos fiéis de Yahweh louvando-O através de canções, elogiando os Seus poderosos feitos, Sua gloriosa criação e Seu maravilhoso plano de redenção. Já no livro do Êxodo, encontramos o registro de Moisés, logo após a travessia do Mar Vermelho, cantando ao Senhor, sendo em ato contínuo seguido por Miriã e outras mulheres que, com danças, repetiam: “Cantai a Yahweh, porque sumamente Se exaltou e lançou no mar o cavalo com seu cavaleiro” (Êx 15:21). Outrossim, o livro dos Juízes retrata a juíza Débora entoando seu cântico ao Deus de Israel, dizendo: “Ouvi, reis; dai ouvidos, príncipes; eu, eu cantarei a Yahweh; salmodiarei a Yahweh , Deus de Israel” (Jz 5:3ss). Já Ana, mãe do profeta Samuel, por ser agraciada pelo Senhor com um filho e após consagrá-lo a Ele, entoou um cântico: “O meu coração exulta em Yahweh, o meu poder está exaltado em Yahweh; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na sua salvação” (I Sm 2:1ss). E assim prossegue toda a narrativa do AT, com o registro de muitos cânticos do povo de Deus em situações especiais, sendo que inclusive o maior livro que o compõe nada mais é do que um saltério, isto é, uma coletânea de hinos de louvores a Deus.

Semelhantemente a Ana, Maria também se alegrou com a promessa de que seria mãe, e como ela, também entoou um belíssimo cântico ao Senhor, que ficou conhecido na história da Igreja como o Magnificat: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1:46ss). As Escrituras também registram um momento ímpar na vida e no ministério do Senhor Jesus. Em Seus últimos momentos antes de Sua crucificação, logo após a instituição da Santa Ceia como memorial da Aliança que Deus firmaria com Seu povo através do Sangue que Ele derramaria na cruz do Calvário, Marcos diz que: “tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras” (Mc 14:26), onde Pedro seria avisado que negaria o Senhor e de onde partiriam para o Getsêmani. Embora não saibamos qual hino teria sido entoado na ocasião, vemos nesta passagem que Cristo fez uso deste expediente, e certamente o fez com um propósito, o qual não sabemos, mas podemos especular que fosse para ajudar os discípulos a lembrar das promessas feitas por Deus ao Seu povo, do Seu cuidado e providência, e até mesmo para encorajá-lo na missão que Ele teria que cumprir nas próximas horas, a saber, todo o suplício de sua prisão, julgamento, flagelamento e crucificação, visando a nossa redenção.

É certo que o louvor a Deus pode dar-se de inúmeras formas, e não se resume aos atos que são praticados em nossas atividades litúrgicas. No nosso viver diário, devemos louvar a Deus e agradecê-lo por Seus atos de bondade para conosco, reconhecendo que é por Ele, dEle e para Ele que são todas as coisas (Rm 11:36). Porém, é no culto público que este louvor pode e deve evidenciar-se de forma abundante e plena, visando à glorificação do Senhor e a edificação dos congregados naquele local. O Apóstolo Paulo nos exorta em Colossenses 3:16:

Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.

Vemos nesse pequeno texto a importância de a Palavra de Deus habitar em nossos corações, de tal maneira que Ela produza em nós instrução, conselho, sabedoria, louvor, uma hinódia cristã verdadeiramente espiritual e gratidão, e que haja mutualidade neste processo, ou seja, tudo sirva para edificação uns dos outros no culto: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação; faça-se tudo para edificação” (1 Co 14:26). E, ainda, “faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14:40).

Podemos enumerar pelo menos três razões pelas quais devemos cantar em nossos cultos apenas canções cujas letras sejam de fato compatíveis com a Palavra de Deus: (1) Porque estes cânticos glorificam a Deus na forma como Ele mesmo Se revelou; (2) Edificam os crentes na Bíblia; e (3) Transmitem ensinos aos não-crentes que visitam o culto solene.

Em relação à primeira razão enumerada, entendemos ser de fundamental importância a exaltação dos atributos de Deus tais quais a Bíblia nos indica: Ele é o Senhor Soberano, o Criador de todas as coisas, o Onipotente, o Onisciente e o Onipresente, Aquele que é, que era e que há de vir (Ap 1:4). Nossos cânticos devem refletir a grandeza e a majestade do nosso Deus, a exemplo dos Salmos 48 e 145.

Sobre o segundo ponto, podemos inferir que crentes que conhecem bem as Escrituras e seus ensinamentos são cristãos mais autênticos e menos suscetíveis a erros doutrinários e de caráter (Sl 119:105); assim sendo, é de fundamental importância que nossos cânticos não contenham heresias ou pensamentos de origem religiosa duvidosa, como podemos perceber em alguns hits gospel do momento, que trazem em seu bojo alguns ensinamentos da nova era e da doutrina da confissão positiva e da teologia da prosperidade, tão nocivas em sua essência.

E, finalmente, sobre o terceiro ponto podemos comentar que os não-cristãos devem recebem desde o seu primeiro contato com a fé evangélica um ensinamento corretamente embasado nas Escrituras (Mt 28:19-20), não apenas no sermão que será proferido mas também pelas mensagens recebidas através da adoração musical, tendo em vista ser a música um instrumento de melhor captação e memorização de informações nelas contidas. Quando aplicarmos estes princípios em nossas reuniões de adoração, creio que será possível vivenciarmos o que o Apóstolo Paulo nos narra em I Coríntios 14:25, em que ele diz que o não-crente presente, “lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre nós”. Aleluia!

Sola Scriptura!


*Texto publicado também no Jornal Há Esperança 22ª Edição (página 13), de Montes Claros-MG, mantido pela Web Rabio Há Esperança.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Preletores da Consciência Cristã lançam “Carta de Campina Grande”

Na noite de encerramento do 16º Encontro para a Consciência Cristã, nesta terça-feira (04), todos os 32 preletores do evento lançaram um documento, a “Carta de Campina Grande”. Nele, os palestrantes reafirmam e reasseguram o seu compromisso com o genuíno Evangelho de Cristo, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e todo o mundo.

Confira a carta, na íntegra:

CARTA DE CAMPINA GRANDE

Nós, membros da igreja de Jesus Cristo, participantes do 16º Encontro para a Consciência Cristã, celebramos a comunhão que desfrutamos como povo de Deus, unidos ao redor do evangelho de Cristo.

No início deste século e milênio a igreja evangélica brasileira tem enfrentado imensos desafios e inesperadas oportunidades. O crescimento numérico das denominações evangélicas tem sido notório, levando-nos à plena convicção de que o Deus Todo-Poderoso tem salvado um número incontável de pessoas para a glória do seu Nome. Entretanto, é possível constatar que uma parcela significativa do evangelicalismo brasileiro tem abandonado o compromisso com o evangelho ensinado por Cristo.

Lamentavelmente, um tipo crasso de religiosidade popular tem prevalecido na mídia e na proliferação de templos e denominações, causando escândalo para a fé cristã e distanciando as pessoas que mais necessitam do poder transformador do evangelho. Ao mesmo tempo, muitas igrejas têm se omitido no cumprimento da Grande Comissão, deixando-se influenciar por um avançado processo de secularização. Crescem por oferecer entretenimento e não por fazer discípulos radicalmente comprometidos com Cristo. Pensadores evangélicos antes consagrados à proclamação do evangelho da Salvação Eterna hoje pronunciam-se publicamente rompendo com as convicções que um dia defenderam. Os líderes já não são mais vistos como referências de espiritualidade e integridade, mas como embusteiros, que exploram a credulidade do povo, enriquecendo ilicitamente. Nesse cenário, muitas igrejas conservadoras, ainda que mantendo fidelidade às doutrinas evangélicas fundamentais, mantêm-se apáticas em relação ao desafio missionário e à tarefa de influenciar a sociedade como sal da terra e luz do mundo.

Por outro lado, vemos um país sucumbindo diante da corrupção sistêmica, da violência generalizada, da desagregação familiar, do abandono dos valores cristãos, da desigualdade social e de práticas ocultistas.

Diante dessa realidade, oramos por um avivamento espiritual em terras brasileiras. Não um avivamento de emocionalismo e misticismo, que não produz transformações duradouras, mas um que, como ocorreu em outros lugares e outros tempos, proporcionou a conversão verdadeira de milhares e até milhões de pessoas, chegando a mudar o rumo de nações. Para demonstrar nosso compromisso com o avivamento da igreja brasileira, nós declaramos juntos:

NÓS CREMOS NO EVANGELHO

O evangelho de Jesus Cristo é a boa notícia da salvação graciosa de Deus somente pela fé em Jesus Cristo. Nós não compactuamos com as grandes distorções da mensagem cristã, ensinadas por grupos que, em sua essência, exploram a credulidade do povo e buscam o enriquecimento ilícito em nome do evangelho. De acordo com as Escrituras, esses são lobos vorazes, mercadores da fé, charlatães. Sua existência não nos surpreende, pois, desde o início, Jesus e os apóstolos nos alertaram contra suas práticas.

O evangelho de Cristo exalta Deus que, em sua santidade, justiça e amor, oferece ao ser humano caído salvação através do sacrifício redentor de Cristo, o Messias prometido, o Filho de Deus. Afirmamos que ninguém pode ser justificado por suas obras, pois todos pecaram e distanciaram-se da glória de Deus. Somente pela fé em Cristo como Senhor e Salvador, o ser humano é salvo dos seus pecados e transformado em nova criatura.

NÓS PROCLAMAMOS O EVANGELHO

A missão principal da igreja é glorificar a Deus, proclamando o evangelho e fazendo discípulos de todas as nações.

Reconhecemos que a igreja foi chamada para proclamar o evangelho em sua inteireza, mas nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou agendas de ambições pessoais. Cremos que o evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do evangelho, não nas circunstâncias mutáveis da sociedade. Nós proclamamos o evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Nós proclamamos o evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social. Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o evangelho em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada, que tenham a oportunidade de ser discipuladas e fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do evangelho um estilo de vida.

Nós repudiamos mensagens que substituam o evangelho de Cristo por conteúdos humanistas de autoajuda, que promovam um misticismo desvinculado das Escrituras e transformem Deus em um negociador de bênçãos.

NÓS DEFENDEMOS O EVANGELHO

Desde os seus primórdios, o ensino de Cristo esteve sob o ataque de crenças e filosofias hostis à mensagem da salvação pela graça mediante a fé. Somos chamados a lutar diligentemente por essa fé que nos foi entregue de uma vez por todas, estando preparados para dar razão da esperança que existe em nós e vigiando contra lobos vorazes que não poupam o rebanho. A defesa da fé faz parte essencial da missão da igreja enquanto ela proclama o evangelho de Cristo. Nós rejeitamos o evangelho do relativismo pós-moderno, do ateísmo militante, do secularismo pragmático, do liberalismo teológico, das seitas e cultos, do nominalismo religioso, de todas as ideias e ideologias que se levantam contra ou pretendem substituir o evangelho de Cristo. Nós afirmamos nossa plena convicção na existência de Deus, em sua revelação objetiva e inerrante através das Escrituras, na singularidade de Cristo e na realidade da eternidade. Nós defendemos o evangelho com amor, sabedoria, compaixão e firmeza, sem qualquer contemporização, visando a conversão dos perdidos e a proteção daqueles que crêem, na firme convicção de que o próprio Jesus edificará sua igreja e a portas do inferno não prevalecerão contra ela.

NÓS NOS COMPROMETEMOS A VIVER À LUZ DO EVANGELHO

Mártires, reformadores, avivalistas através da história têm assumido o absoluto compromisso com o evangelho. O maior apelo para a veracidade do evangelho é o testemunho de vidas radicalmente comprometidas com ele. Nós nos comprometemos a viver de forma digna do evangelho de Cristo como indivíduos, discípulos, profissionais e cidadãos, recusando-nos a ceder ao materialismo, ao relativismo e à corrupção, aceitando carregar a cruz de Cristo como prioridade absoluta do testemunho do evangelho de Cristo. Como cidadãos do reino de Deus, assumimos o compromisso de, na dependência da graça de Cristo, viver o poder transformador do evangelho em todas as suas dimensões. Diante da corrupção generalizada e do relativismo moral na sociedade brasileira, nós estamos prontos para assumir as plenas implicações éticas e morais do evangelho, não somente na esfera da igreja, mas também da sociedade: educação, trabalho, política, economia, cultura.

NÓS ORAMOS PELO PROGRESSO DO EVANGELHO

Reconhecemos que, sem a intervenção soberana e sobrenatural de Deus, não veremos o verdadeiro progresso do evangelho. Esforços humanos produzem resultados humanos. Através da história, o evangelho tem impactado nações pelo poder do Espírito Santo. Embora o Brasil nunca tenha experimentado um avivamento espiritual de grandes proporções, nós nos comprometemos diante de Deus a orar por esse avivamento, na expectativa de uma transformação radical no curso de nossa nação através da igreja do Senhor, cheia do Espírito Santo, vivendo a plenitude do evangelho.

NÓS NOS UNIMOS PELO EVANGELHO

Dizemos não a uma união que compromete a essência do evangelho de Cristo. Não cremos que todos os caminhos levam a Deus, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Não cremos que todas as instituições ditas cristãs de fato seguem a Cristo, pois muitas afirmam o nome de Cristo sem conhecê-lo. Mas afirmamos sim nosso compromisso de unidade com todos aqueles que abraçam o evangelho de Cristo, como nos foi transmitido por Jesus e seus apóstolos. Ao mesmo tempo, reconhecemos que as verdades essenciais, comuns a todos os evangélicos herdeiros da Reforma, podem nos unir não institucionalmente, mas como corpo vivo de Cristo, que, na sua diversidade, cumpre a sua missão. Desejamos ser a resposta a oração de Cristo quando ele orou para que fôssemos um. Nós nos unimos pela proclamação do evangelho a todas as nações.

Assim, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante de Deus e de seu povo para vermos em nossa nação brasileira um poderoso progresso do evangelho de Cristo.

Subscrevemos,

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (Coordenador do 16º Encontro para a Consciência Cristã)

Pr. Jorge Noda (ILEST/PB)

Pr. Renato Vargens (ICA/RJ)

Dra. Norma Braga (IPB/RN)

Pr. Paul Washer (Heart Cry/EUA)

Pr. Hernandes Dias Lopes (IPB/ES)

Dr. Russell Shedd (IB/SP)

Pr. Augustus Nicodemus (IPB/SP)

Pr. Ronaldo Lidório (IPB/AM)

Dr. Heber Campos Jr. (IPB/SP)

Pr. Jonas Madureira (IB/SP)

Pb. Solano Portela Neto (IPB/SP)

Prof. Adauto Lourenço (IPB/SP)

Pr. Joide Miranda (MEI/MT)

Pr. José Bernardo (AMME/SP)

Pr. Geremias Couto (AD/RJ)

Prof. Ricardo Marques (IBC/CE)

Pr. Joaquim de Andrade (CREIA/SP)

Miss. Gleydice Bernardes (ACEV/PB)

Miss. Socorro Teles (IPB/PB)

Pr. Robson Tavares (ICNV/PB)

Pb. José Mário (IPB/PB)

Pr. Luiz Vieira (ICNV/PB)

Pr. Valter Vandilson (ICD/PB)

Pr. José Américo (IB/PB)

Pr. José Pontes (IN/PB)

Miss. Joyce Clayton (Inglaterra)

Profª. Janeide Andrade (OBPC/PB)

Miss. Edna Miranda (MEI/MT)

Miss. Rosali Melo (IC/PB)

Dra. Paumarisa Vieira (IPB/PB)

Pr. Weber Alves (ICES/PB)

Jorn. Josué Sylvestre (AD/PR)

Fonte: Consciência Cristã.

O mito do cristão não-ungido

André Neves

No meio cristão moderno é possível encontrar crentes que acreditam piamente que Deus selecionou algumas pessoas dentro da Igreja para exercerem um papel tão proeminente sobre os seus demais membros, que são por este motivo denominados “ungidos do Senhor”.

Valendo-se de uma expressão bíblica veterotestamentária, que possuía a conotação de uma pessoa escolhida por Deus para exercer uma função pública, civil ou religiosa, de autoridade – rei, sacerdote ou profeta –, estes modernos cristãos acreditam que é plausível que, assim como no Antigo Testamento, apenas algumas pessoas hoje possuam de fato a Unção divina. Estas pessoas podem ser pastores, profetas, cantores ou neoapóstolos. Não importa. Na opinião destes crentes, estas pessoas são ungidas num grau único, ou, na melhor das hipóteses, infinitamente superior aos demais membros do Corpo de Cristo. São, verdadeiramente, “cabeças”, e os demais fiéis, a “cauda”.

O primeiro problema deste pensamento é o da má compreensão da verdade bíblica das principais distinções entre a Antiga e a Nova Aliança. Recomenda-se a leitura e estudo aprofundados das Epístolas Paulinas aos Romanos, aos Gálatas e, especialmente, a Carta aos Hebreus. Notoriamente, é preciso destacar a doutrina bíblica do “sacerdócio universal dos crentes”, redescoberta por Martinho Lutero na Reforma Protestante. Esta doutrina ensina que todo cristão é um sacerdote diante do Altíssimo, tendo Cristo como o sumo Sacerdote (1 Pedro 2:9,10). São, portanto, todos os cristãos, ungidos para exercer este glorioso ministério, o ministério da reconciliação (2 Coríntios 5:18)!

ichthysNão existe cristão não-ungido! Todos os filhos de Deus possuem a unção do Santo (1 João 2:20), isto é, todos quantos creram e receberam a Jesus como Salvador, e em decorrência disto são cristãos nascidos de novo (João 3:6,7). Afirmar que um crente não possui a Unção é afirmar que este crente não é verdadeiramente um cristão renascido, e, portanto, salvo. Pense duas vezes antes de acusar alguém de não ter a Unção, pois é O SENHOR quem conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19).

“(…) Em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.” (Atos 11:26)

A palavra “cristão”, etimologicamente, significa ungido! Da mesma forma que “Cristo” é a forma grega da palavra hebraica “Maschiach” (Messias), que quer dizer “o Ungido”, aquele a quem as profecias veterotestamentárias se referem e apontam como o escolhido de Javé para tornar possível a redenção da humanidade.

Mas, antes que você pense que, como você pode se considerar no mesmo nível de Unção que seu super-crente favorito, e que, por esta razão, “ninguém pode tocá-lo”, deixe-me dizer algo; ser cristão, isto é, ser ungido de Deus no contexto neotestamentário tem muito mais a ver com padecer sofrimentos por amor do Evangelho, à semelhança do que Cristo vivenciou em nosso favor:

Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte.” (1 Pedro 4:16)

Outrossim, outra expressão que é extremamente mal compreendida nos nossos dias é a de Salmo 105:15, que diz: “Não toqueis nos Meus ungidos…”. Davi quando teve a vida de Saul em suas mãos, declara que tomou a decisão de poupar-lhe a vida exatamente por este motivo, porque não ousaria tocar no ungido do Senhor (isto é, em um rei em Israel). Oras, está bem claro que o “tocar no ungido” no sentido preconizado no Antigo Testamento tem a ver com assassinato, ou, na melhor das hipóteses, com infligir dor física grave naquele que Deus elegeu para um propósito naquela época, nada tendo a ver com emitir uma opinião ou expor um erro doutrinário de um líder cristão, em nossos dias, à luz da razão e da Palavra de Deus, o que é aliás, um dever do crente (João 7:24).

Os sentimentos humanos (emoções) não são o parâmetro adequado para medir ou verificar quem é ungido ou não, e muito menos aferir a qualidade da vida espiritual e devocional alheia, classificando dessa forma crentes "mais ungidos" que outros. Isto não é bíblico, e provém certamente do coração humano que é enganoso por natureza (Jeremias 17:9-10). As Escrituras afirmam que o Senhor conhece muito além das aparências, pois Ele olha diretamente para o coração (1 Samuel 16:7).

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” (1 Pedro 4:10)

A medida da Unção de Deus para cada crente já foi derramada sobre ele no momento em que o Seu Espírito Santo passou a habitar nele (ou seja, no momento da conversão), e o que acontece depois disto é, no máximo, um renovo ou confirmação desta Unção já provida. Ah, só mais uma coisa: não existe a menor possibilidade de a Unção de uma pessoa ser transferida a outra! Isso é uma esquizitice sem tamanho! A Unção que Deus quer que você tenha Ele já te deu, e a Unção que a outra pessoa tem é porque Deus a deu! Não a cobice! Seja plenamente satisfeito com o que o Senhor já te presenteou! Amém?

(Originalmente publicado no Facebook, e adptado.)